Sabrina Noivas 68 
A Groom And a Promise

Quer casar comigo? Uma hora aps conhecer Nathan, Beth o pediu em casamento. Ela precisava desesperadamente de um marido, e ele parecia o homem ideal. Mas embora ela tivesse planejado um casamento s de aparncia, Nathan no diria "sim" sem a promessa de uma verdadeira noite de npcias!

Digitalizao e correo: Nina


Dados da Edio: Editora Nova Cultural 1998
Publicao original: 1996  
Gnero: Romance histrico contemporneo
 Estado da Obra: Corrigida

Srie The Best Men
Ordem	Ttulo	Ebooks	Data
1	Cowboy At The Wedding

	Aug-1996

2	Most Eligible Dad

Sabrina 1093 - Laos Secretos 	Sep-1996

3	A Groom And a Promise

Sabrina Noivas 068 - 
Pedido de Casamento	Oct-1996

4	The Dad Who Saved Christmas
	BD 697 - Um Pedido s Estrelas	1997
5	The Night Before Baby
	BD 745 - Semente Do Amor C/ Fingindo Te Amar? - Heather MacAllister)
	1999

      
PRLOGO

	Mame... mame...
O trrido sol da Virginia comeava a se pr. Beth Warren abriu a caixa de correspondncia e depois pegou sua pequena filha de dois anos no colo, trazendo-a para dentro do apartamento trreo.
	Passamos duas horas no balano do parque, Dorie. Agora  hora de dormir. Quer um suco antes?
Dorie concordou com a cabea. Seus cachos dourados balanaram, caindo sobre suas bochechas rosadas e seus olhos azuis brilharam com a inocncia, alegria e animao prprias de uma criana aprendendo os primeiros passos na vida.
	Suco de ...aranja  ela pediu.
Com um sorriso, Beth colocou a menina no cho e jogou a bolsa e uns poucos envelopes sobre a mesa.
	Ento, vai ser suco de laranja, meu amor.
Ela empurrou seus cabelos, tambm louros, para trs. Eles desciam alm dos ombros e eram mais lisos que os de Dorie. Beth deixara-os crescer  vontade nos ltimos dois anos em que apenas se dedicara  filha. Fazer de Dorie a nica razo de sua existncia ajudara-a a conviver com a ideia da morte de Mark e com a sua dor. Nos ltimos meses, comeara a sentir, finalmente, que emergia da escurido da viuvez em que se achara submersa por tanto tempo.
Enquanto dava o suco de laranja para a filha, Beth refrescava-se sob o ar-condicionado e sentia-se mais aliviada.
Depois mudou a fralda da menina e deitou-a no bero. Com um grande abrao e dois beijos, desejou-lhe bons sonhos e saiu, deixando a porta entreaberta.
Beth ainda no conseguira se conformar com a ideia de voltar a trabalhar em setembro. Bem, na verdade, no era a ideia de voltar ao trabalho como secretria que a incomodava. O que ela odiava era separar-se de Dorie, perder seus sorrisos e todas as novidades dirias de seu crescimento. Gostaria de ver todos os pequeninos avanos da menina. Porm, o dinheiro do seguro deixado por Mark acabaria em poucas semanas e assim, ela no tinha escolha. Devia voltar ao trabalho.
Servindo-se do suco de laranja, Beth sentou-se  mesa, uma pea redonda de carvalho que ela mesma havia polido nos primeiros tempos de seu casamento com Mark. Olhou a correspondncia e pegou a primeira carta. Era um envelope pequenino. Abrindo-o, viu que se tratava de um convite para uma festa de aniversrio. Jessie Bradley oferecia uma festa surpresa para seu marido. A pacincia de Jessie em escut-la durante todo aquele ano difcil fora muito confortadora. As duas haviam se encontrado no parque por acaso e aps aquele primeiro contato tornaram-se amigas ntimas.
Uma festa de aniversrio para o marido de Jessie, que era to simptico quanto ela, seria divertida, e Beth estava precisando de um pouco de diverso.
O endereo no alto do envelope seguinte deixou Beth preocupada. Era dos pais de Mark. Por que eles escreviam, quando podiam pegar o telefone e falar? Embora Mark houvesse se afastado deles em vida, Beth fizera-lhes algumas visitas levando a neta para que eles a vissem. Os pais de Mark eram conservadores e arrogantes e fora contra estas caractersticas que ele lutara toda a vida. E alm disto, no se divertiam com Dorie ou mesmo importavam-se com ela verdadeiramente. Contudo, Beth no queria negar-lhes aquele vnculo com seu filho morto.
Curiosa, Beth abriu a carta.
Prezada Beth,
Sabemos que voc est tentando oferecer o melhor lar para a nossa neta. No entanto, acreditamos poder dar-lhe mais. Voc mesma nos disse que necessita retornar ao trabalho. Ns no gostamos da ideia de Dorie ficar nas mos de estranhos durante o dia. Alm disto, na presente situao, voc no ter as mesmas condies que ns temos para dar  menina. Seu apartamento  muito pequeno. Nossa casa  grande. Voc no tem quintal. Ns temos um enorme. Podemos comprar tudo que Dorie desejar.
Portanto, consultamos nosso advogado, Richard Turnbell, sobre a custdia de Dorie. Ele entrar em contato com voc dentro de uma semana. Achamos que lhe devamos uma explicao sobre nosso intento, antes de iniciarmos o processo.
Sinceramente,
Ivan e Clara Warren

Quase em estado de choque, Beth olhou para a carta com olhos arregalados. Eles no podiam estar falando srio. Com certeza! E tambm no havia a menor possibilidade de ganharem a custdia! Ou havia?
No dia seguinte, Beth deixou o escritrio de seu advogado e caminhou sob o forte sol, sentindo-se gelada e com a morte na alma. O advogado fora breve e claro. Havia casos anteriores semelhantes, nos quais os avs haviam conquistado a guarda de netos criados por mes que trabalhavam.
Beth ficara horrorizada e abalada com aquela notcia, bem como pelo conselho do advogado. Quando lhe perguntara qual era a melhor atitude para salvaguardar seus direitos e os de sua filha, ele se inclinara na cadeira, olhara-a direto nos olhos e aconselhara:
 Arranje um marido. Fique em casa e cuide de sua filha. A, sim, seus sogros no podero reivindicar nada mais.
Inspirando com dificuldade o ar mido e quente, Beth sentiu as lgrimas escorrerem em seu rosto. No desistiria de sua filha daquela maneira. No desistiria mesmo! E se aquilo significava que teria que arranjar um marido... Pois bem. Arranjaria um marido.


CAPITULO I

Nathan Maxwell lanou uma ferradura para que ela se encaixasse no alvo e sentiu o olhar da bela loira sobre ele outra vez. Ela o observava havia uma hora. Alguns convidados que vieram  festa de seu amigo conversavam no quintal, ao ar livre, e outros participavam de jogos, como ele prprio.
Nathan notara a loira de olhos azuis desde o primeiro momento em que entrara na casa dos Bradley.
Aparentemente, Jessie Bradley convidara conhecidos de diferentes reas, desde colegas do hospital de Gavin at vizinhos e parentes. Alguns estavam vestidos de maneira formal e outros, muito  vontade.
Ele notara a loira desconhecida porque ela parecia pertencer ao grupo dos que estavam  vontade. Vestia short de brim, camiseta branca e tnis. O vento soprava seus longos cabelos, s vezes levantava-os, mas ela no se importava. J fazia muito tempo que Nathan no via uma mulher com uma aparncia to natural quanto a dela.
Talvez fizesse tempo demais!
Um relmpago de desejo atingiu-o em cheio quando ele se virou e encarou-a de frente. A mulher enrubesceu ao ser surpreendida e inclinou-se sobre a mesa do bufe, pegando uma fatia de cenoura crua.
Nathan ergueu outra ferradura, mirou, lanou-a com maestria e viu-a encaixar-se ao redor do pino. Bela jogada e bela pontaria.
Ao encerrar o jogo, ele percebeu que a loira desaparecera dentro da casa, acompanhada por Jessie. Naquele mesmo instante, decidiu que perguntaria a Jessie quem era ela.
"Cuidado! Quer mesmo fazer isto?"
A vozinha interior, que desde seu divrcio sempre o alertava, daquela vez parecia levar muito longe sua interferncia. O desmantelamento de seu matrimnio e o motivo que o causara, fizeram de Nathan um homem cauteloso e relutante quando se tratava de cortejar o sexo oposto. Contudo, ele ainda desejava uma famlia mais do que qualquer outra coisa na vida.
Mesmo sem vontade, Nathan viu-se obrigado a jogar uma nova rodada de lanamentos de ferraduras com outros jogadores entusiasmados e desistiu de esperar que a loira voltasse ao jardim.
Pouco tempo depois, Beth caminhava ao lado de Jessie pelo gramado.
	Devo estar maluca s pelo fato de considerar esta ideia.
Nathan Maxwell  um completo estranho! Ele ...
Jessie parou de caminhar e pousou sua mo confortadora sobre o brao de Beth.
	Meu marido conhece Nathan desde os tempos do colgio. E desde que eu e Gavin nos casamos, ele se tornou meu amigo tambm. E uma excelente pessoa, e possui uma integridade que eu pensei que s existisse em Gavin.
	Gavin sabe que ns duas temos discutido este assunto? Jessie apenas sorriu.
	Ele sabe que vou apresent-la a Nathan. E s isto o que vou fazer. Tudo o mais fica por conta de vocs dois.
	O homem vai pensar que no sou boa da cabea  Beth falou baixinho, quase consigo mesma, como se tambm duvidasse de sua sanidade mental.
	Mesmo que Nathan no queira se envolver, acredite-me, ele compreender o seu desespero em querer fazer tudo para manter Dorie a seu lado.
	Tem certeza de que ele gosta de crianas?
	Ele  timo com Lisa. Brincava de cavalgar com ela, quando era menor.
Lisa, filha de Jessie, tinha nove anos. Divertir-se brincando com uma criana de nove anos era mais interessante do que com uma menina de dois, Beth pensou.
Jessie retomou a caminhada, e Beth foi ficando cada vez mais nervosa ao aproximar-se de Nathan Maxwell e ao observar-lhe os ombros largos e o rosto viril. Ele usava uma camiseta justa que realava seu fsico e sua pele bronzeada. Conversando com um dos convidados, brincava com uma bolinha de tnis distraidamente. O short deixava as longas pernas  mostra. Eram pernas de atleta. Jessie informara que ele jogara futebol na universidade.
Beth notou que os plos das pernas dele eram um pouco mais claros que seus cabelos. Arrepios percorreram-lhe as costas, e ela os atribuiu  sua ansiedade.
Sentir-se atrada por um homem estranho era completa-mente alheio ao seu temperamento. Havia oito anos, quando se apaixonara por Mark, que no se interessava por qualquer outro homem. E tal comportamento ainda no havia mudado, mesmo aps a morte do marido. Beth no via mais os homens como amantes. Esfriara, ficara indiferente.
Jessie chamou Nathan e acenou. Ao virar-se, ele a viu, mas seu olhar logo se voltou para Beth e fixou-se nela. Ele foi se aproximando devagar," sem tirar os olhos dela.
	Nathan, quero lhe apresentar Beth Warren, uma amiga.
Um sorriso brincou nos lbios dele.
	Ol, Beth.  Ele estendeu a mo.  Nathan Maxwell. A festa est divertida, no  mesmo?
A mo dele era grande e envolvia por completo a de Beth, mas a presso de seus dedos era gentil.
Beth sentiu a boca seca e comeou a suspeitar de que os arrepios que sentira havia pouco e atribudos  ansiedade significavam algo mais.
Antes que pudesse responder ao comentrio dele e imaginar uma maneira de iniciar uma conversa, Gavin encaixou duas ferraduras no alvo. Depois, batendo uma ferradura contra a outra, gritou:
	 hora da corrida de saco. Arranjem seus parceiros.
Muitas vozes ergueram-se excitadas. Gavin riu.
	Se precisam de incentivo, prometo que os vencedores sero os primeiros a receberem um pedao de churrasco. Divirtam-se.  Ento, ele chamou a filha:  Venha com papai, Lisa. Vamos mostrar a eles como se corre.
Jessie virou-se para Nathan e Beth:
	Com licena, mas agora tenho de fazer o papel de juiz da corrida. Vocs dois no querem tentar?
No instante seguinte, Jessie j estava entre os participantes, deixando Nathan e Beth sozinhos, para se decidirem.
Ele ergueu as sobrancelhas e perguntou:
	Quer ir?
Bem, aquilo era quase um desafio, Beth pensou.
	Gosto tanto de churrasco que acho que devemos arriscar 	ela disse, baixinho.  Vamos tentar, sim.
Sorrindo, Nathan encaminhou-se para a linha de frente da corrida.
	Ento, vamos faz-los lutar por este churrasco.
Jessie entregou a cada casal um saco de aniagem, e Nathan pegou o dele e abriu.
	Seria melhor se fizssemos isto juntos  ele sugeriu.  Voc segura de um lado, e eu de outro para mant-lo aberto.
Os olhos de Nathan eram muito verdes, seu olhar intenso e com grande poder de encantar.
Com o corao batendo acelerado, Beth ajudou-o a segurar a borda do saco. Devagar, ela colocou uma perna dentro e esperou que ele fizesse o mesmo.
A ponta dos sapatos deles tocavam-se. Quando a perna dele encostou na dela, Beth sentiu a leve penugem masculina roar-lhe a pele. Ele era to alto, pelo menos um metro e oitenta e cinco, que ela sentia-se baixa apesar de seus um metro e sessenta e cinco. Um odor msculo e inebriante exalava do corpo de Nathan. O corao de Beth bateu ainda mais rpido.
Jessie apitou para chamar a ateno dos participantes e apontou para a linha de partida. Ento, explicou:
	Todo mundo sabe como a corrida de saco funciona. Eu fao a contagem regressiva e vocs comeam.  Prontos?  Aguardou alguns instantes para depois fazer a contagem regressiva:  Cinco, quatro, trs, dois, um.  Em seguida, apitou, assinalando o incio da corrida.
	Ponha seu brao ao redor da minha cintura  Nathan disse, ao mesmo tempo que a enlaava.
Por um instante, aquela sensao de ter um brao masculino em volta de seu corpo imobilizou Beth. Mas logo em seguida ambos se deslocaram para a frente, e ela segurou-se nele com firmeza. Msculos fortes e quentes pulsaram sob a palma de suas mos.
Aos pulos, eles foram avanando. Cada vez que os cabelos de Beth cobriam-lhe o rosto, ela jogava-os para trs com um movimento de cabea.
Fazia muito tempo que Nathan no sentia uma mulher to junto dele. Bem, ele costumava abraar as esposas de seus amigos, mas isto era diferente. Totalmente diferente. Abraar Jessie, Randy ou Kate no era a mesma coisa que enlaar a cintura de Beth. Uma cintura to fina e delicada. As vezes, seu brao descia um pouco, e ele podia perceber a curva macia de seus quadris e sentir-lhe os seios roando seu peito cada vez que pulavam para a frente.
E quando os cabelos dela e seu suave perfume acariciavam-lhe o rosto...
Sabia que tinha de se concentrar apenas na corrida, mas estar ao lado daquela mulher extremamente sensual que acabara de conhecer fazia com que ele perdesse todo o autocontrole.
Para Nathan, o poder de concentrao sempre fora fcil. Aprendera a domin-lo durante os anos caticos de sua turbulenta infncia e adolescncia em que vivera em lares estranhos, estudara ou at-jogara futebol para sobreviver.
Mas, naquele exato momento, com Beth Warren junto dele, seus instintos mais bsicos o dominavam.
Enquanto outros pares de corredores caam ou no conseguiam coordenar seus saltos, Beth e Nathan pulavam, corriam, harmonizavam-se como se j houvessem corrido juntos mais de uma centena de vezes. Moviam-se com tanta facilidade, que ambos se surpreendiam. Imediatamente, ele os visualizou movendo-se juntos "de outra maneira". Os belos cabelos loiros espalhados no travesseiro dele e os olhos azuis brilhando de desejo.
Por fim, ambos chegaram  marca final da corrida. Algum deu um forte tapa amigvel nas costas de Nathan.
	Vocs venceram!
	Acho que o primeiro churrasco tem de ser nosso  ele disse, rindo e abraando-a.
Beth retribuiu o abrao e perguntou:
	Voc casaria comigo?  Mal acabou de pronunciar aquelas palavras, ela enrubesceu at a raiz dos cabelos.  A pergunta saiu... assim... Eu no queria dizer... o que eu queria dizer... Estava pensando...
No primeiro instante, Nathan pensou que a pergunta fosse alguma piada, uma maneira de comear um flerte. Mas, olhando nos olhos de Beth, ele compreendeu que algo muito mais srio estava acontecendo. Em vez de ficar chocado, sentiu-se curioso.
Tirando a perna de dentro do saco de aniagem, esperou que Beth fizesse o mesmo. Ento, tomou-a pela mo e conduziu-a para a sombra de um grande pltano. Jogou o saco no cho, fez um gesto para que ela se sentasse e, em seguida, sentou-se ao lado dela.
	O que est acontecendo?
O constrangimento de Beth era bvio. Seu rosto ainda estava corado devido ao exerccio e tambm ao embarao. Mas mesmo assim ela o olhou de frente.
	Voc deve pensar que sou louca. Eu tambm penso assim s vezes. Mas no sei mais o que fazer. Jessie me disse que voc  uma excelente pessoa, tem bom corao, e eu acho que se o conhecesse um pouquinho melhor...
Nathan ergueu a mo e sorriu.
	No acho que seja louca, de forma alguma. Apenas conte-me o porqu de seu desespero.
Embora tentasse no deixar transparecer, Nathan sabia que Beth estava desesperada. Ele conhecia tudo sobre o estado de desespero. Vivera muito aquela situao ao lado de sua mulher. Elaine fizera inmeras tentativas para engravidar. Recorreram a vrios mdicos, mas nada adiantara. Quando Nathan compreendeu que seu casamento estava acabando porque no podiam ter filhos, ficou ainda mais desesperado e passava dias e noites pensando no assunto. Sim, ele sabia tudo sobre desespero e preocupao.
	Receio que eu v perder minha filha.
As mos de Beth, pousadas no colo, agitaram-se, e Nathan reparou na aliana que ela usava na mo esquerda.
	 casada?  perguntou.
	Viva. H dois anos.
Nathan sentiu-se aliviado.
	Qual  a idade de sua filha?
	Fez dois anos no ms passado. Mark morreu quando Dorie tinha apenas algumas semanas.
A tristeza na voz de Beth revelou a Nathan que ela devia ter amado muito o marido.
	Sinto muito  ele disse.
Beth aquiesceu em silncio.
	Os pais de Mark esto tentando tirar Dorie de mim.
A simples ideia de algum tentar tirar uma criana da me revoltava Nathan.
	Mas por que eles fariam isto?
Beth deu de ombros e ergueu o queixo, na defensiva, como se a pergunta por si s j fosse um insulto.
	Mark, meu marido, nunca teve um relacionamento muito saudvel com os pais. Eles fizeram planos para a vida dele, mas esses planos no se encaixavam ao que Mark queria. Quando ele decidiu tornar-se professor, em vez de assumir os negcios do pai, meu sogro cortou sua conta no banco. E tambm rejeitou-o depois que ele se formou e iniciou sua carreira no magistrio.
Nathan sacudiu a cabea, reprovando tais atitudes.
	No consigo entender como um pai pode fazer tal coisa.
	Acho que a me dele no era to radical, mas o pai queria control-lo a todo custo. Ivan Warren  muito rico, e ele pensa que o dinheiro d poder. Clara continua com ele, porque no sabe o que mais poderia fazer.
	Ela deve ter uma personalidade muito fraca.
Beth suspirou.
	Eu costumava ter pena dela... deles. Eu tinha Mark, e ns tnhamos uma vida maravilhosa que eles poderiam ter compartilhado. Mas agora estou com muita raiva pelo que esto fazendo comigo. Tenho ficado em casa com Dorie desde que ela nasceu. Como considerava muito importante que ns duas ficssemos juntas, usei o seguro de Mark para viver. Assim no precisei voltar imediatamente ao trabalho. Mas agora no posso continuar assim. Preciso arrumar um emprego. Ivan e Clara insistem na ideia de que podem dar um lar melhor para Dorie.
	Por que eles no olham a menina para voc enquanto estiver trabalhando?  Nathan perguntou, com o pragmatismo que o conduzia na vida.
	Mesmo que eu consentisse, apesar de no gostar da atmosfera fria e controladora a que Dorie seria submetida, eles querem muito mais que isto. Meu advogado e eu tivemos um encontro com eles e o advogado. Parece que querem uma segunda chance na vida, como pais. Mark morreu, ento eles querem criar Dorie.
	Mas, Beth, se voc  uma boa me...
Ela no o deixou terminar a frase.
	Eu sou uma boa me  afirmou, sucinta.  Acho que foi uma ideia maluca esta de pensar que eu podia seguir o conselho de meu advogado e casar com qualquer estranho, s para ter o estado civil de casada. Acho que fugir para o Alasca seria mais fcil.
Beth levantou-se, e Nathan tomou-lhe a mo.
	Agora, espere um minuto. Voc nem deve pensar em uma vida assim, fugindo de um lugar para o outro. Este tipo de vida com certeza no  o que quer para sua filha.
Beth permaneceu imvel, com os olhos opacos pela tristeza.
	No posso imaginar a vida sem Dorie. E se eu tiver de fugir...
Nathan tambm se levantou, mas sem largar a mo dela.
	Nenhum juiz dar uma sentena afastando sua filha de voc s porque precisa trabalhar.
	Meu advogado diz que isso  possvel. H casos precedentes em que os avs ganharam a guarda dos netos e isto est se tornando cada vez mais frequente. Eu poderia tentar, mas no tenho o dinheiro que meus sogros tm para sustentar uma briga na justia.
Nathan correu os dedos sobre o dorso da mo de Beth, apreciando a maciez de sua pele e sua beleza. Estava ali,  sua frente, expondo toda a sua angstia. Ele pensou na ironia da vida, uma garotinha de dois anos sem pai, e ele desejando ser pai e ter uma famlia. Aquele fora sempre o seu sonho. Um velho sonho que nunca se realizara.
Olhando-a demoradamente, Nathan estudou Beth melhor.
	Acredito que casar-se seria melhor do que sair correndo de um lugar para o outro, sempre se escondendo, sempre sob ameaa. Se voc conseguir encontrar algum que precise se casar tambm, seu problema estar resolvido.
	Como? Encontrar algum que precise a mesma coisa que eu?
	Sim... quero dizer: um lar, uma famlia, filhos. Jessie sabe que estas coisas so muito importantes para mim.
	Voc com certeza no... iria... considerar...
Nathan no conseguiu esconder o sorriso que a hesitao dela provocou. Ele teria a coragem de casar-se com uma estranha? Sentia-se atrado por Beth. Quanto a isto... no tinha dvidas. A situao em que ela se encontrava confrangia-lhe o corao. Nenhuma me merecia o castigo de ser afastada do filho.
Mas para Nathan s o pensamento de casar-se outra vez fazia-o recuar e recolher-se para dentro de si mesmo. Porm, se ele pudesse ter a famlia com que sempre sonhara... Observando-lhe o rosto, ele admitiu:
	Talvez eu possa considerar muitas coisas que at hoje nunca tinha considerado.
Os olhos de Beth ficaram imensos e ainda mais azuis.
	Hum... No sei o que dizer ou fazer agora.
Com uma risada meio sufocada, ele falou:
	Bem, no creio que existam instrues para ensinarem o que fazer nesta situao. Talvez fosse uma boa ideia eu conhecer Dorie primeiro, antes de pensar no caso.
Beth lanou um olhar furtivo para Nathan, enquanto ele dirigia um sedan verde musgo que ainda guardava o cheiro dos carros novos. Eles desciam a rua Four Oaks em direo ao apartamento dela.
	No sei muito sobre voc. Jessie apenas me disse que tem vivido em Roaneck desde que se formou, e que  proprietrio de uma loja de equipamentos esportivos  disse Beth.
- Exato  Nathan confirmou e aps uma pausa, acrescentou:  Ela no lhe contou tambm porque tanto desejo ter uma famlia?
	No, apenas sugeriu com muito tato que eu mesma deveria fazer as perguntas de ordem pessoal.
	Isto  bem prprio de Jessie  Nathan comentou.  Fiquei muito contente quando soube que Gavin e ela tinham finalmente se encontrado aps tanto tempo.
Beth sabia que Jessie e Gavin haviam se apaixonado nos tempos de faculdade e depois haviam se separado. J haviam se passado oito anos quando Gavin reencontrara Jessie e descobrira que ela tivera uma filha dele. Toda a velha paixo reacendeu, e eles se uniram de novo, desta vez pelo casamento.
Mas, naquele momento, Beth estava mais interessada na histria de Nathan.
	Ento, diga, por que ter uma famlia significa tanto para voc?
Nathan entrou no estacionamento do prdio de Beth e desligou o motor.
	Oua, quando minha me morreu, eu tinha somente quatro anos. Aps um curto tempo, meu pai chegou  concluso de que no queria cuidar de um garotinho e ento me colocou numa destas casas que cuidam de crianas rfs. Ele jamais voltou para me visitar. Enquanto isto, eu me mudava de uma casa para outra, sempre me sentindo um estranho no ninho. Aos poucos a ideia de ter uma famlia tornou-se mais que um sonho. Tornou-se o objetivo de minha vida.
	Lembro que Jessie me contou que voc era divorciado Beth falou.
Soltando o cinto de segurana, ele voltou-se para ela.
	Hum... Entendo. E voc quer saber por qu.
Beth percebeu que Nathan ainda sofria muito, e seus olhos verdes mostravam aquilo. Compreendeu que no tinha o direito de ser curiosa sobre um assunto to penoso para ele.
	Bem, na verdade no tenho este direito  ela confessou baixinho.
Nathan observou o rosto de Beth longamente.
	Se considerar o pedido que me fez ainda h pouco na casa de Jessie, voc teria todo o direito, sim. Mas, por enquanto, digamos que meu casamento desmoronou, como a maioria dos casamentos dos dias atuais.
Que vontade de consol-lo! De aproximar-se e tocar-lhe o rosto. Porm, Beth ouviu a voz da razo e disse apenas:
	Sinto muito.
Ambos estavam em perfeito acordo no momento, ambos conheciam o sofrimento de perder algum. Nathan fez um breve movimento com a mo, como se fosse toc-la, porm desistiu e retirando a chave da ignio, perguntou de modo casual:
	Em que apartamento voc mora?
Sentindo no peito uma mistura de desapontamento e alvio, Beth abriu a porta do carro e disse:
	 no nmero quatro.
Beth conduziu Nathan pelo ptio e parou diante da porta do apartamento. Retirando a chave da bolsa, abriu-o.
	Mame, mame.  Dorie veio da cozinha correndo e gritando.
Beth abriu os braos, e a filha lanou-se neles, aconchegando-se no corpo da me.
Uma senhora morena entrou na sala.
	Dorie acabou de me ajudar a dobrar as roupas. Se quiser, eu...  A senhora interrompeu-se ao ver Nathan.
	Rosa, este  Nathan Maxwell. Nathan esta  Rosa Pannetto. Ela  uma das poucas pessoas em quem confio para cuidar de Dorie. Quando eu voltar a trabalhar, ela vai ficar com minha filha.
Rosa examinou Nathan de alto a baixo.
	Prazer em conhec-lo, sr. Maxwell. Beth, voc quer que eu fique ou posso ir?
Beth sorriu. Uma das coisas que ela gostava em Rosa era o seu jeito de ir direto ao assunto. Abrindo a bolsa, Beth tirou algumas notas para pag-la.
	Pode ir sim, Rosa. Se Dorie quiser, posso voltar  festa de aniversrio e lev-la comigo.
Rosa recusou o dinheiro, dizendo:
	Voc ficou pouco tempo fora. Nem tive tempo de fazer algo. Guarde o dinheiro para outra ocasio.
	Mas, Rosa...
A ajudante dirigiu-se  porta de sada.
	Pode me chamar se precisar, est bem, Beth?
Beth sorriu agradecida para aquela mulher morena de origem italiana que havia sido to bondosa com ela, desde a morte de Mark.
	Chamo sim.
Com um ltimo olhar atento para Nathan, Rosa saiu, fechando a porta.
	Bem, sinto-me como se tivesse tirado uma radiografia  brincou Nathan, a respeito do exame pelo qual passara, sob os olhos de Rosa.
Beth riu.
	Acredite, Rosa o radiografou mesmo. Provavelmente vou escutar os palpites de Rosa mais tarde. Desde a minha viuvez, ela se mostra minha protetora e de Dorie como uma verdadeira mama italiana.
Enquanto falava, Beth sentou-se no sof e colocou Dorie no colo.
	Querida, aqui est uma pessoa a quem eu queria que voc cumprimentasse.  Nathan. Ele veio aqui s para conhecer voc.
Pondo o dedo polegar na boca, Dorie olhou para Nathan, erguendo muito a cabea para poder v-lo.
Nathan compreendeu que era muito alto para a menina ver seu rosto. Ento, abaixou-se em frente a ela e deixou-a examin-lo  vontade.
Com um dedo, brincou no bordado da camiseta de Dorie que mostrava um cone de sorvete e perguntou:
	Voc gosta de sorvete?
Sem tirar o dedo da boca, ela acenou que sim.
	Otimo. Porque h uma festa onde teremos muito sorvete. Voc quer ir com a mame e comigo at l e ganhar um pouco?
	Bo... colate?  Dorie perguntou.
Nathan buscou os olhos de Beth, pedindo ajuda.
	Ela quer saber se tem bolo de chocolate  Beth explicou.
Nathan riu.
	Voc gosta de bolo de chocolate?
Dorie olhou para Beth e disse com firmeza:
	Bo... colate!
Rindo, Beth levantou-se.
	Est bem. Bolo de chocolate e sorvete, mas antes vou colocar algumas coisas na sua sacola, e, ento, podemos ir.
Chegando ao quarto da filha, Beth viu que a menina no a seguira. Voltando  sala, ela parou na porta e ficou olhando Nathan, de joelhos, amarrar os cordes dos sapatos de Dorie. De repente, ele disse qualquer coisa que Beth no conseguiu ouvir, mas viu que a menina deu uma risada.
O olhar de Beth recaiu sobre uma foto em que ela. Mark e Dorie apareciam. Ento percebeu que se importava com o que iria acontecer entre ela e Nathan.

CAPITULO II

Nathan ergueu a pequenina Dorie no ar e colocou-a no escorregador, deixando-a deslizar, porm protegendo-a com as mos. A menina soltava gritos de alegria e surpresa e, quando atingiu o cho, pediu outra vez na sua linguagem infantil. Nathan, com algum esforo conseguiu entend-la.
Dorie parecia ter gostado dele. E ela j o havia conquistado. Era evidente que Beth dava-lhe muito amor, ateno e cuidado. Dorie era um raio de sol, e seu sorriso atingia uma parte do corao de Nathan que durante toda a vida fora sempre escurecida pela tristeza.
Quando a comida foi servida, Beth pegou Dorie no colo e alimentou-a com pacincia enquanto a sua prpria comida esfriava. Para dar-lhe uma folga, Nathan pedira para levar a menina tomar um sorvete.
Os olhos azuis de Beth pouco deixaram os dois, e ela no perdia as reaes de Dorie.
Ao v-la afastar-se do convidado e caminhar em sua direo, Nathan sentiu grande curiosidade em saber o que ela estaria pensando. Seus prprios pensamentos eram turbulentos, examinando inmeras possibilidades, projetando um futuro muito diferente do passado.
Tomando a filha no colo, Beth sorriu para ele.
 Vou buscar alguma coisa para Dorie beber  ela disse.
O sorriso de Beth atingiu Nathan em cheio na parte mais vulnervel e carente de seu corao. Ele olhou para Dorie e s ento notou como seu rostinho estava vermelho e como os finos cachos loiros estavam molhados de suor. De repente, ele compreendeu a enorme responsabilidade que era cuidar de uma criana, nova demais para expressar suas necessidades. Tocando o nariz de Dorie, ele brincou:
	No tome toda a gua. Deixe um pouco para mim. Daqui a pouco vou l com voc.
Nathan precisava de algum tempo para absorver o que estava acontecendo.
Nathan recostou-se contra o largo tronco de uma rvore e, imerso em pensamentos, olhava fixo para um ponto  frente. De repente, percebeu algum se aproximando.
	Hoje  o meu aniversrio de casamento. Eu , que deveria estar pensando na vida.  Gavin riu, tocando o brao de Nathan para tir-lo do devaneio.
Nathan e Gavin eram amigos desde os tempos de colgio. Nos anos em que Gavin estivera na faculdade de medicina, eles se encontraram pouco. Mas aps seu casamento com Jessie, ele viera morar em Four Oaks para clinicar no hospital local, e eles retomaram a antiga amizade.
	No estava pensando na vida. Estava tentando resolver se quero correr novos riscos ou no.
	Hum... Est com inteno de investir na bolsa?
	No, no  isto. Estava pensando se um casamento por convenincia tem mais possibilidades de dar certa nos dias de hoje que um casamento tradicional.
Gavin fitou-o com olhos arregalados.
	Do que est falando?  perguntou.
	Voc sabe alguma coisa sobre a situao de Beth Warren?
Ela me disse que precisa casar-se para poder manter a guarda da filha.
Gavin sacudiu a cabea.
	Sei apenas o que Jessie me contou. H um processo tramitando na justia. Mas, Nathan, voc est louco? Casamento por convenincia? Voc nem conhece Beth Warren.
	Ora, eu conhecia Elaine muito bem. E veja o que aconteceu.
	Mas, Nathan...
	Eu quero uma famlia, Gavin. E voc sabe quanto.
Gavin passou a mo pelos cabelos, atnito.
Beth estava consciente do olhar de Nathan sobre ela. No se sentia constrangida, mas um pouco tmida sob aquele olhar e, para falar a verdade, meio envaidecida. Nao podia deixar de perceber que a ateno masculina dirigia-se a ela, como mulher. E fazia muito tempo que esquecera seu lado feminino. Naqueles ltimos dois anos, lembrara-se apenas de ser me.
Dorie acabou de tomar a gua, enlaou o pescoo de Beth e recostou a cabecinha no ombro materno. Eram os primeiros sinais de que a menina estava comeando a ficar cansada.
Nathan caminhou sobre a grama em direo s duas, suas longas pernas percorrendo a distncia com passos atlticos e naturalmente elegantes. Ele pegou um refrigerante e sorveu metade da bebida sem desviar os olhos de Beth e Dorie.
	Parece que ela est com sono  ele observou, sorrindo.
Beth afagou o rostinho da filha.
	Est sim. Ento  sinal de que devo ir para casa.
Como Nathan no fizesse nenhum comentrio, Beth imaginou que sua louca proposta de casamento fora recebida por ele como absurda. Encontrar um marido j era difcil. Pedir a um homem que assumisse esposa e filha por razes apenas cavalheirescas era mais que difcil, era insano.
	Tambm j estou indo embora. Vou acompanh-la at seu carro.
Aps as despedidas, sob o olhar um tanto surpreso de Gavin e Jessie, eles caminharam lado a lado. Ao alcanarem o carro dela, Beth parou.
Nathan sorriu, deu um leve tapinha na mo rechonchuda de Dorie.
	Fiquei encantado de conhec-la, mocinha.
A garotinha sorriu e comeou a chupar o polegar.
Beth colocou a filha no assento de crianas e fechou o cinto de segurana. Quando ela se voltou, Nathan estava muito perto, to perto que podia sentir o calor do corpo dele.
	Qual ser o prximo passo?  ele perguntou, os olhos verdes muito brilhantes a encar-la.  Ir para o Alasca ou procurar um marido?
Beth sacudiu a cabea.
	Eu estava enganando a mim mesma, pensando que seria capaz de praticar tal loucura.
Nathan estendeu a mo e tocou-a. Foi um leve toque em seus cabelos, mas ela sentiu conforto e a excitao espalhou-se
por todas as fibras de seu corpo. Aquela reao no podia ser normal. Revelava um comportamento diferente.
	Voc gostaria de me ver outra vez?  ele perguntou.  Porque se quiser, eu, de minha parte, gostaria muito de passar algum tempo com voc.
Havia algo em Nathan que atraia Beth. No era sua aparncia ou sua personalidade ou a segurana que emanava dele. Era uma combinao de tudo, de todas as suas caractersticas viris.
	Gostaria de vir jantar comigo amanh?  ela convidou, sem questionar o porqu do convite.   .
O sorriso de Nathan ampliou-se.
	Sim. Gostaria muito. A que horas?
	Que tal por volta das sete?
Ele assentiu com a cabea e olhou-a no fundo dos olhos, com um magnetismo que imobilizou-a.
A brisa bateu nos cabelos loiros, fazendo-os balanar e brilhar como plumas douradas. Aromas diversos do calor de agosto, do vero, de Nathan envolveram Beth. O mundo resumiu-se aos dois, ali de p, imaginando o que poderia acontecer entre eles no futuro. Nathan inclinou-se um pouco em sua direo e, de repente, Beth sentiu um grande medo, como nunca sentira antes. Medo de perder Dorie. Medo de Nathan. Medo de continuar com tudo aquilo.
Ela deu alguns passos para trs, e Nathan, como se percebesse que ela precisava de espao, tambm recuou e disse:
	Trarei sorvete para a sobremesa. Qual  o favorito de Dorie?
Inspirando com fora para acalmar a rapidez do pulso e dizendo a si mesma para manter a calma, Beth respondeu:
	Ela gosta muito de chocolate com marshmellow.
	 o meu favorito tambm!  ele exclamou e acrescentou:
 No prepare nada especial por minha causa, est bem? Contento-me com coisas simples.
	Vejo voc amanh  ela disse e ligou a ignio.
Quando j se afastava, lanou um rpido olhar pelo espelho retrovisor. L estava Nathan, parado, olhando-a partir.
Domingo  tardinha, quando Nathan tocou a campainha do apartamento de Beth, uma sensao de expectativa o invadiu. Admitindo sua atrago por ela, ele compreendeu que seria um grande acontecimento casar-se com Beth.
Um casamento assim daria certo? Talvez ela desconsiderasse a ideia por ser muito louca. Nathan disse a si mesmo para no ficar muito esperanoso. Muitas vezes, a esperana fora a causa de inmeros desapontamentos nos ltimos anos. No entanto, a simples ideia de tornar a ver Beth e Dorie alegrava seu corao.
Como o tempo passasse, e ningum respondesse  porta, Nathan tocou uma segunda vez. Finalmente, a porta se abriu. Mas, Beth tinha o semblante preocupado e no lhe deu nem um sorriso de boas-vindas. Trazia Dorie no colo.
	Ol  ela saudou.  Entre. Estou um pouco atrasada. Dorie no est muito bem hoje.
Ao entrar na sala, Nathan viu que o rosto da criana estava muito vermelho. Ela nem levantou a cabea para olh-lo. Beth parecia muito cansada.
	O que h, mocinha?  Ele ergueu os braos para Dorie.
A menina olhou-o com seus grandes olhos azuis por um breve
tempo e depois lanou-se confiante nos braos dele. Nathan acolheu-a, aconchegando-a carinhosamente contra o largo peito, emocionando-se com os bracinhos em torno de seu pescoo.
	Ela no comeu nada desde o sorvete de ontem  noite. No quer beber tambm, mas estou tentando dar-lhe um pouco de suco de fruta. Est com trinta e oito e meio de febre. Deium anti-febril infantil hoje de manh, mas ela no melhorou. Tinha esperana de que tomasse um pouco de sopa, ao menos. Se ela no comer, vou lev-la ao pronto-socorro.
Nathan dava leves pancadinhas nas costas de Dorie.
	O que posso fazer para ajudar?  perguntou.
Beth ergueu os olhos para ele.
	Tem certeza de que quer ficar aqui assim mesmo?
Nathan sentia o calor do rosto de Dorie contra sua camiseta
plo. Entregando a caixa de sorvete que trouxera para sobremesa, ele afirmou:
	Sim.
Nunca estivera to certo de desejar algo.
Um tmido trao de contentamento iluminou o rosto de Beth por um breve instante, como se tivesse medo de sentir qualquer alegria, como se tivesse medo de depender da ajuda de outra pessoa. Ao virar-se e seguir para a cozinha, Nathan notou que suas costas estavam .rgidas de tenso. A blusa de malha e o shorts que usava acentuavam-lhe as curvas femininas. Mas o andar firme, as espduas eretas fizeram-no reconhecer que ela era uma mulher que sabia conduzir sua vida.
Nathan procurou distrair Dorie enquanto Beth preparava o jantar. A mesa estava posta com uma fina porcelana azul enfeitada com flores brancas, e ele suspeitou de que no era loua de uso dirio. No centro, havia um vaso com bonitas rosas vermelhas. Ela gostava de flores. Mentalmente, ele registrou o fato. Precisava lembrar-se disto.
Aps Beth colocar a comida na mesa, ela estendeu os braos para a filha.
	Vem com a mame, querida. Vamos experimentar um pouco desta sopa gostosa?
Beth ficou ainda mais preocupada  medida que Dorie recusava tudo que lhe dava, virando-se e escondendo a cabea no ombro da me.
Nathan tambm tentou aliment-la, mas com pouco sucesso.
	Um golinho de suco, ento  ele pediu, e Dorie tomou uns poucos goles.  Muito bem, um pouco mais agora.
Mas Dorie fechou os lbios com fora e recusou-se a tomar mais.
Naquele instante, a campainha da porta soou.
	Est esperando algum?  Nathan perguntou.
Sacudindo a cabea, Beth negou e levantou-se para atender  porta, mas Nathan antecipou-se.
	Fique sentada. Deixe que eu atendo.
Quando abriu a porta, Nathan deparou-se com um casal de meia-idade, de expresso pouco amigvel. Mesmo com o calor que fazia, o homem usava um terno completo, e seu rosto severo estava mido de suor. A mulher, de cabelos muito escuros, visivelmente pintados, usava um vestido justo e colar de ouro combinando com os brincos. O casal pareceu atnito ao v-lo.
	Estamos aqui para falar com Beth  o homem declarou.
 Quem  voc?
	Sou Nathan Maxwell, um amigo de Beth  ele respondeu com delicadeza.  Quem devo anunciar?
O homem tentou empurrar a porta e entrar, ignorando Nathan, mas ele, delicadamente, bloqueou a entrada.
	Diga que Ivan e Clara, os sogros dela, querem lhe falar.
Ainda impedindo-lhe a entrada, Nathan disse:
	Talvez ela no queira falar com vocs. Esperem aqui.
Fechando a porta e deixando o casal do lado de fora, Nathan dirigiu-se  cozinha.
	So seus sogros, Beth. O que acha? Posso dizer que voc no quer v-los?
	No. Tenho medo de piorar tudo, se no falar com eles. Talvez tenham mudado de ideia e vieram me comunicar.
E com esta esperana, dirigiu-se  porta. Beth sempre se considerara uma otimista. Embora tivesse perdido o pai quando era uma adolescente e a me, logo aps seu casamento com Mark, ainda via a vida com otimismo. Mas apesar da curta convivncia, seus pais haviam lhe dado uma slida base de amor familiar que ela trazia consigo, mesmo naqueles dias difceis. A atitude dos pais de Mark para com ela estava alm da sua compreenso.
Contudo, ao ver a-fisionomia contrada do sr. Ivan Warren, adivinhou que o casal no viera  sua casa com boas notcias. Mesmo assim, os recebeu.
	Entrem. Estvamos jantando.
Dorie comeou a ficar irrequieta no colo de Beth. Clara examinou a neta mais de perto.
	O que h com ela, Beth? Parece febril.
Passando a mo pelos finos cabelos da filha, Beth disse:
	Acho que ela est com a garganta inflamada.
	Voc acha?  Ivan gritou exaltado.  Que espcie de me  voc, no sabe o que est acontecendo com sua prpria filha?  E virando-se para a esposa comentou   como lhe disse, Clara, o lugar da nossa neta  ao nosso lado.
A voz autoritria de Ivan incomodou Dorie que abraou Beth com mais fora, ficando ainda mais inquieta. Beth recuou, aproximando-se mais de Nathan.
	O lugar da minha filha no  com vocs. O lugar dela  ao meu lado. Pensei que vocs tivessem entendido isto.
	Viemos aqui  anunciou Ivan  para dizer que no tem a menor chance de ganhar um processo contra ns. Voc sabe disto muito bem. No tem dinheiro para lutar na justia. Podemos prolongar o processo por muito tempo, voc no pode. E perder. No acha que seria muito melhor para Dorie...
Beth no se enfurecia facilmente, mas sentiu uma onda de raiva e indignao subir-lhe  cabea.
	S eu sei o que  melhor para Dorie. Porque eu a amo e vocs, no. Vocs a vem como uma espcie de compensao. Perderam o filho e agora querem a neta. Pois bem, no a tero. Nem hoje, nem amanh, nem nunca. Queriam controlar a vida de Mark, manipul-lo at ele transformar-se na pessoa despersonalizada que sonharam. Ainda bem que ele resistiu e no se deixou influenciar. Dorie e eu tambm somos fortes como ele.
	O que torna um homem forte  o dinheiro e no as ideias  Ivan retrucou entre dentes.
Beth sacudiu a cabea com fora.
	No seu mundo, no no meu.
Ivan aproximou-se mais.
	Voc  uma tola, se pensa que pode me derrotar e...
Dorie comeou a chorar.
Beth ergueu a cabea e a voz:
	Por favor, vo embora!
Ivan nem se mexeu.
	No vou a lugar algum at que tenha terminado o que vim dizer.
Dorie gritou ainda mais, e Beth afagou-a para acalm-la.
Durante toda a discusso, Nathan permanecera em silncio mas, naquele momento, deu um passo  frente e falou com voz firme:
- Beth pediu para irem embora.
Os olhos de Ivan faiscaram cheios de ira, e ele replicou:
	Fique fora desta discusso. Este assunto no lhe diz respeito.
Nathan apontou a porta e falou muito calmo:
	No me obriguem a fazer mais do que pedir para que saiam.
Clara puxou o marido pela manga do palet.
	Venha, querido.  a casa de Beth, afinal. Vamos embora.
Desde que casara com Mark, Beth sabia que Ivan jamais dava ouvidos  esposa. Em nenhum assunto. Mas, fosse pelo ar decidido de Nathan, fosse pelo apelo da mulher, Ivan acalmou-se.
	Est bem, Beth. Ns vamos embora, mas voc ter no tcias nossas em breve. Espere e ver  ele ameaou.
E como Dorie chorasse ainda mais, Nathan dirigiu-se  porta, abriu-a e esperou.
Com um ltimo olhar raivoso para Beth, Ivan saiu do apartamento seguido pela mulher. Nathan fechou a porta.
De repente, Beth sentiu os joelhos fracos e trmulos e deixou-se cair no sof, cantarolando baixinho para tranquilizar Dorie e a si mesma.
Ao ver que Nathan sentava-se ao seu lado, agradeceu num murmrio:
	Obrigada.
	Eu no fiz nada  ele afirmou.
	Sozinha, eu no teria conseguido p-los para fora. Ivan  um homem muito teimoso e no gosta de ser contrariado. Vou levar Dorie ao pronto-socorro. Desculpe-me pelo transtorno que lhe causei. S por aceitar meu convite, teve que assistir a tudo isto e...
	Eu vou com voc.
	No, Nathan. No  responsabilidade sua.
	Deixe-me ajud-la. Eu vou dirigindo, e assim voc poder cuidar de Dorie.
A expresso determinada do rosto dele dizia que estava decidido. A preocupao com Dorie era to grande que Beth nem discutiu mais. Simplesmente, aceitou.
O pronto-socorro estava cheio e agitado. Nathan permaneceu ao lado de Beth, enquanto ela se registrava na recepo. Por algum tempo, ele segurou Dorie.
Beth havia trazido um livro de histrias cheio de ilustraes, e ela ouviu Nathan ler uma das passagens, com sua voz profunda e terna. Dorie escutava-o com ateno e, s vezes, apontava o dedinho gordo para uma gravura.
Finalmente, uma enfermeira chamou-os, levando-os para uma pequena sala. Aps alguns minutos, o mdico chegou, e a surpresa atingiu todos. Era Gavin quem estava de planto.
Dirigindo-se a Beth, ele perguntou:
	O que a trouxe aqui, Beth?
Alisando os cachos de Dorie, ela respondeu:
	 a minha filha. Ela no quer comer, nem beber. Est com febre o dia todo. Fiquei com medo que piorasse se esperasse at amanh.
Gavin sorriu para Dorie.
	Ol, mocinha. Posso espiar a sua garganta?
Dorie, muita sria, consentiu.
Depois de checar os olhos, os ouvidos, a garganta e de auscultar o corao da criana com todo cuidado, Gavin guardou o estetoscpio e informou  me aflita:
	A garganta dela est muito vermelha e os gnglios esto inchados. Mas se comearmos com antibiticos, podemos ter outras complicaes. Continue a dar o anti-febril e faa a menina beber bastante lquido. Tanto quanto possvel. Pastilhas para garganta tambm seria bom.
	. Eu devia ter pensado nisto  Beth recriminou-se.
Gavin sorriu.
	Uma pessoa sozinha no pode pensar em tudo, Beth  ele a tranquilizou.  Se a garotinha no melhorar at amanh, pode me chamar.
	Chamarei, sim, Gavin. Muito obrigada.
Gavin escreveu a receita e ao entreg-la, despediu-se dizendo:
	Cuide-se voc tambm.
	Se pararmos na drogaria, podemos comprar as pastilhas para garganta  sugeriu Nathan.
	Nathan, nem sei como te agradecer.
Dando de ombros, ele sorriu:
	No precisa me agradecer. Estou muito contente de ter sido til para voc. Alm disto, o que mais teria para fazer de interessante num domingo?
	Bem, posso imaginar muitas coisas melhores do que uma visita ao pronto-socorro.
Nathan veio para mais perto dela e olhou-a com um jeito carinhoso que ela ainda no conhecia.
	Talvez fossem mais divertidas, mas no to compensadoras  ele disse, e depois tocou no nariz de Dorie.  Vamos, boneca. Vamos procurar suas pastilhas.
Cerca de meia hora mais tarde, Beth abriu a porta do apartamento, com as pastilhas e a receita do mdico na mo. Nathan vinha logo atrs, com Dorie no colo.
Sentando a menina na cadeira alta, ele perguntou:
	Qual  o sabor que voc quer? Laranja, cereja ou uva?
	...aranja!  ela respondeu.
Em seguida, Beth administrou o remdio, e Dorie fez uma. careta.
	Que bonito!  Beth e Nathan aplaudiram.
Notando que a luz da secretria eletrnica piscava, Beth foi ouvir a mensagem.
Era a voz de Ivan Warren.
"Amanh de manh, Clara e eu falaremos com a representante da Assistncia Social. Ns no toleraremos sua negligncia com a sade de Dorie e o fato de admitir homens estranhos no apartamento. Voc pode nos ter expulso de sua casa, mas  tudo que pode fazer. Conseguirei a custdia de Dorie".
A mensagem terminou, e Beth sentou-se com as pernas trmulas. Ivan Warren no estava brincando. Ele tinha poder mesmo.. No duvidava daquilo nem um pouco. Como poderia lutar contra ele?
Nathan estendeu a mo e tocou a dela.
	Ele est tentando assust-la.
	E est sendo muito bem-sucedido  ela murmurou, com toda a ateno voltada para Dorie, a alegria de sua vida.
Por fim, ergueu s olhos para Nathan.
	Ele est mirando o alvo e j comea a atirar, para mostrar que  duro e que pode me liquidar. No sei o que fazer. No tenho dinheiro para sustentar uma demanda judicial.
Naquele momento, ir para o Alasca parecia mais fcil. Poderia arrumar as malas e ir para bem longe, mas sua mente conturbada procurava outra opo.
Foi ento que Nathan disse:
	Voc no precisa de dinheiro. Precisa de um marido. Case-se comigo!

CAPITULO III

Nas palavras de Nathan vibrou um tom de comando, mas gentil, enquanto ele apertava a mo de Beth.
Era inacreditvel o modo como a voz dele a confortava, como o calor de sua mo causava-lhe arrepios pelo corpo todo. Mas, mesmo sentindo-se to atrada por ele, o assunto a discutir era muito mais srio e abrangente que a atrao fsica.
	Voc no sabe o que est me oferecendo, Nathan. Nem me conhece. Seria muito arriscado.
Inclinando-se na cadeira, Nathan deu um pequeno sorriso brincalho.
	Se lembro bem, foi voc quem primeiro teve esta ideia. Que aconteceu? Est com medo agora?
Incapaz de esconder o rubor do rosto, Beth jogou os cabelos para trs, alisando-os e foi para a pia, comeando a mexer nas louas.
	Sabe, Nathan, eu no compreendo como tive coragem de lhe propor tal coisa. Quando percebi, j tinha falado. Acho que estava muito desesperada naquele dia.
Beth calou-se. Fez-se um silncio. De repente, sem que ela tivesse escutado nenhum rudo, sentiu que Nathan estava bem atrs dela. Talvez tivesse sido denunciado por seu calor ou pelo leve odor da colnia masculina que usava. Aquela proximidade perturbou-a, e ela ficou brincando com a gua que corria, sem nenhum propsito a no ser o tentar se recuperar. No queria que ele percebesse nada. Seria embaraoso.
	Beth, olhe para mim  Nathan pediu.
Inspirando profundamente, ela voltou-se e o encarou.
	Responda-me com sinceridade. Voc teria feito aquela proposta a qualquer homem, na festa de Gavin? E muito importante que eu saiba.
Beth no precisou pensar muito para responder.
	No  ela disse, com sinceridade.  No teria feito.
	V? Eu lhe inspirei a proposta. Ento, deve existir alguma coisa entre ns.
	Alguma coisa? Nathan, no se trata de um simples flerte ou namoro. Estamos falando de nossas vidas. De nosso futuro.
	Eu sei. Mas acontece que  essencial que exista alguma coisa. Sei muito bem o que estou lhe propondo.
	Mas, por qu? Por que consideraria assumir a responsa bilidade por uma mulher que nem conhece e sua filha?
	Se voc me conhecesse, saberia que isto no  to estranho assim. Desde menino quero uma famlia mais do que qualquer outra coisa na vida. Ns dois temos fortes motivaes para o casamento. Temos todas as condies de faz-lo dar certo.
Dorie comeou a se remexer outra vez, inquieta.
Em vez de impacientar-se com a interrupo, ele disse:
	Acho que Dorie j chupou a pastilha toda.
Passando por Nathan, Beth foi at  filha.
	Ela est cansada, coitadinha. Vou lev-la para o quarto e ficar com ela at que durma. Isto pode demorar. Se voc tiver que ir a algum lugar, ou fazer alguma coisa...
	No, Beth. Reservei este dia todo para ns. Tome conta de Dorie e faa-a dormir. No se apresse. Eu espero.
Nathan ouviu Beth murmurar qualquer coisa para Dorie, enquanto carregava-a para o quarto.
Ele estava inquieto e excitado com os ltimos acontecimentos. Em poucas horas, sua vida poderia tomar um novo rumo. Caminhou de um lado para o outro na sala e reparou que Beth deixara tudo o que sobrara do jantar sobre a mesa. Ela devia estar muito preocupada com Dorie. Se Beth aceitasse sua proposta, logo ele tambm teria que se preocupar com Dorie.
Para ajudar Beth e para se ocupar, ele levou tudo da mesa para a cozinha.
Nathan no se considerava nenhum homem nobre. Pedira Beth em casamento por suas prprias e egostas razes.
A atrao instantnea que sentira por Beth era inusitada. 
Fora a primeira vez que se sentira interessado por uma mulher desde sua ex-esposa. Elaine era uma mulher bonita, mas nunca provocara aqueles instintos mais profundos e bsicos em Nathan como Beth o fazia.
Sentia necessidade de proteg-la. Sentia desejo de fazer amor com ela. Talvez fossem as circunstncias pouco comuns, mas o fato  que reagia de um modo como nunca lhe acontecera antes.
E Dorie! Que menina dcil e encantadora. Quem no ficaria orgulhoso de ser o pai de uma criana to maravilhosa?
Talvez estivesse maluco por pensar em casar com Beth. Mas ela precisava de um marido, e ele queria muito uma famlia! No, no era nenhuma loucura. Um casamento por convenincia podia criar laos mais fortes que o enlace tradicional, se o casal tivesse o mesmo objetivo na vida. Nathan estava convencido disto. Agora, tudo o que tinha a fazer era convencer Beth.
Quando ela retornou  sala, Nathan j havia colocado toda a loua na mquina de lavar.
	Oh! Voc no precisava fazer isto  ela disse, surpresa.
Ele deu de ombros.
	No fiz nada demais. Dorie dormiu?
	Sim, depois que a embalei um pouco e contei uma histria. Acho que dormir a noite toda, porque dormiu muito mal a noite passada.
Daquelas palavras, Nathan concluiu que Beth tambm no dormira muito. Estava plida, com olheiras escuras sob os lindos olhos claros. Nathan lembrou que ela tambm no comera, pois durante a refeio dedicara-se a fazer Dorie comer.
	Voc tambm deve estar cansada, Beth. Est com fome?
Ela negou.
	Precisa cuidar mais de si mesma. No seria bom para Dorie se voc ficasse fraca e adoecesse  Nathan observou com voz baixa e pausada.
	Nathan, no preciso de bab a esta altura de minha vida. H dois anos estou sozinha. Sei o que  bom para mim  ela comentou, com um leve tom de desafio.
Nathan compreendeu que havia sido muito paternalista e que provavelmente Beth devia detestar ficar numa posio submissa, onde se sentisse tutelada. Querer gui-la e tentar facilitar tudo para ela, no era a melhor poltica. Ficara bvio com sua resposta.
Ele aproximou-se devagar, porque no queria que ela se retrasse.
	Sei que no precisa de bab, nem de ningum para lhe dizer o qu fazer. Falei apenas como um lembrete porque parece-me que voc se esquece de si mesma.
O jeito terno com que Nathan falou trouxe um sorriso aos lbios de Beth.
	Desculpe, Nathan, fui muito grosseira. Devo estar muito estressada, porque normalmente no sou assim.  que... estou me sentindo to... manipulada pelas circunstncias... to...
	Arrasada?  ele concluiu.
	Sim. Esta  a palavra. Nathan, acho que sua oferta de casamento faz algum sentido. Pelo menos, neste instante. Mas tambm acho que ns dois precisaramos de um pouco mais de tempo. Decises tomadas em situaes desesperadoras quase sempre no so apropriadas. Ambos temos que ter certeza do que queremos. Ter certeza de que um compromisso desta natureza seria para melhorar as nossas vidas, nunca para nos criar mais problemas.
Nathan perguntou-se que tipo de vida Beth levava.
Aquela mulher  frente dele, de corpo franzino e gracioso, com seus longos cabelos loiros, seu rosto delicado e seus belos olhos de um azul transparente infiltrara-se nele, tomara conta de seus sentidos como nenhuma outra at ento.
Nathan no era mais um adolescente, j vivera o suficiente para conhecer o desejo sexual, sua intensidade, sua tentao e sua fora. Talvez Beth estivesse precisando sentir um pouco daquela tentao. No lhe passara despercebido o fato de que ela estremecia cada vez que a tocava ou se aproximava muito. Ela recuava, mas seus olhos e seu rubor eram muito expressivos. Revelavam que ele, como homem, no lhe era indiferente.
Nathan chegara a uma concluso. Beth era nica. Talvez fosse a mulher de sua vida.
No dia-a-dia, Nathan convivia com pessoas pouco sinceras, que usavam mscaras convenientes e escondiam-se atrs de seus sorrisos. Ele mesmo reconhecia ser uma delas. Jamais deixava transparecer seus verdadeiros sentimentos. Considerava que aquilo era pouco msculo, porque o deixaria mais vulnervel. Por isto, vivia tambm na defensiva.
Mas Beth era diferente. Seus olhos claros deixavam transparecer sua alma. Estavam cheios de dvidas, de incertezas e de uma vulnerabilidade quase impossvel de aceitar. O que ela era estava marcado no seu rosto. E era um rosto lindo!
Arriscando-se a ser rejeitado, Nathan acariciou os cabelos dela e buscou algum sinal que lhe indicasse que ela o repelia, que no se sentia atrada por ele. Mas no encontrou nenhum.
Beth no recuou. Esperava, silenciosa, quase sem respirar. Talvez se sentisse to curiosa quanto ele. Nathan inclinou-se bem devagar. Seus olhos verdes no largavam os dela, mas com sua lentido, ele procurava dar-lhe tempo para recuar e evitar o beijo. Ele reconheceu a languidez do desejo nos olhos dela e ficou a contempl-los at que eles se fecharam. Quando os lbios dele tocaram os dela, Nathan pensou que poderia estar cometendo um grande erro. No entanto, com seu temperamento realista e pragmtico resolveu que ambos precisavam saber o que havia entre eles. Que tipo de desejo e atrao iria ou no iria irromper depois daquela intimidade.
Com os lbios nos dela, ele sentiu todos os msculos e fibras de seu ser responderem com paixo. O corpo dela era quente e flexvel, seus lbios, macios e carnudos e seus cabelos eram como fios de seda entre seus dedos.
A tentao de buscar mais, de ousar ir mais longe era muito grande para ser ignorada, e sua lngua invadiu-lhe a boca entreaberta. Beth recebeu-o sem hesitar. Era a resposta de seus sentidos. Uma resposta to natural quanto ela mesma.
Provando o desejo dela, Nathan esqueceu toda a delicadeza e precauo. Sem conter-se mais, ousou um beijo apaixonado, saboreando a doura feminina que o envolvia e enlouquecia. Correspondendo quela exploso dos sentidos, ele apertou-a com mais fora ainda.
As mos de Beth tambm o acariciavam. Seu corpo frgil e trmulo amoldava-se s formas rgidas de Nathan, como numa entrega, como se mergulhasse em sensaes que no experimentava desde que... Mark!
A lembrana do marido de Beth esfriou Nathan. Ele se afastou um pouco e, ao ver no rosto dela uma expresso de alheamento, de quem est nas nuvens, ficou sem saber se devia continuar. Aquele era o momento para se decidir. Depois... seria tarde demais.
Como se despertasse de um sonho, Beth colocou as mos nos ombros dele e afastou-o.
Relutante, Nathan soltou-a. Pigarreando para relaxar a garganta, ele sussurrou:
	Este beijo, com certeza, vai nos dar sobre o que pensar.
Agora, sim, ele precisava ir embora. Se no partisse logo, no teria foras para resistir e iria beij-la outra vez e seu instinto lhe dizia que seria um pssimo passo.
Dirigindo-se  porta, ele parou com a mo na maaneta. Queria dizer alguma coisa que a animasse, que lhe devolvesse a confiana, mas...
Talvez Beth tivesse razo, e eles precisassem de mais tempo para se conhecerem melhor e para pensar. Sem dizer mais nada, Nathan saiu.
Beth caminhou para o banheiro e olhou para a prpria imagem refletida no espelho. Seu rosto estava afogueado, seus olhos tinham um brilho inusitado, seus cabelos estavam em completo desalinho e seus lbios, levemente inchados, denunciavam o beijo. Quem era aquela mulher? Parecia uma desconhecida.
Ela acabara de beijar um homem quase estranho, um homem que mal conhecia. Quando Nathan a abraara, sentira uma necessidade to grande de ficar nos braos dele, um desejo to grande...
Oh! Mark, por que me sinto como se o houvesse trado? Por que sinto que voc est se afastando e indo para um lugar desconhecido onde o esquecerei, bem como tudo que vivemos juntos?
Sentindo-se desamparada, lamentou-se em voz alta:
	Oh! Dorie, o que vamos fazer agora?
Na segunda feira  tarde, Beth estava alimentando Dorie, quando o telefone tocou.
	Al  ela atendeu.
	Beth,  Nathan. Pensei o tempo todo em vocs. Como est Dorie?
Beth no esperava ouvir a voz dele. To pouco estava preparada para as vvidas sensaes que seu beijo a tinham feito experimentar e que sua voz fazia reviver. Tentando ignorar as reaes de seu corpo, respondeu:
Ela est bem melhor, sim. Voltou a beber e a comer.
Neste momento, para falar a verdade, ela tem pur de batata at nos cabelos. Obrigada por sua preocupao.
O quadro que Beth descreveu fez Nathan rir.
	Est timo. E voc? Como est?
	Estou bem, tambm. Melhor que ontem, sem dvida.
	Dedicou algum tempo para pensar naquele assunto, Beth?
	Sim, muito tempo, mesmo  ela respondeu.
Do outro lado da linha houve silncio por um instante.
	Bem, no quero te atrapalhar. Imagino que esteja bastante ocupada agora.
	No, voc no me atrapalhou. Mais uma vez, obrigada por ligar.
Nathan despediu-se, e Beth sentiu-se... desapontada. Que tolice! O que esperava ouvir? Fora ela mesma quem sugerira que ambos pensassem um pouco mais antes de tomarem qualquer deciso. 
Na tarde seguinte, Beth sentou-se em um banco do parque prximo  sua casa para que Dorie tomasse um pouco de sol e ar fresco. Cuidadosa, ela olhava a filha que brincava com um baldinho de plstico e um monte de areia. Sujaria a roupa toda, mas no se importava porque aquela era uma brincadeira saudvel.
Beth abriu a bolsa e retirou os trs envelopes que haviam chegado com a correspondncia. Contas que precisavam ser pagas. No havia como fugir daquela realidade nem como adi-la. A verdade  que poderia sobreviver por mais umas poucas semanas. Depois, precisava trabalhar. E se ainda tivesse que pagar um advogado? Ela guardou as contas com um gesto brusco e procurou afastar aquele pensamento de sua cabea
Uma patinadora parou perto de Beth, mas ela estava to distrada, que nem notou quem era. Quando Jessie sorriu foi que ela a reconheceu.
	Fazia tempo que voc no vinha ao parque, Beth.
Como vai?
	Est tudo bem. Trouxe Dorie para brincar um pouco ao ar livre. Ela esteve meio adoentada nestes ltimos dias. Gavin lhe contou que ns o encontramos no pronto-socorro e que ele tratou dela?
	No contou nada. Mas Gavin  sempre absolutamente discreto no que se refere a seus pacientes, e eu compreendo esta atitude.
	Nathan estava comigo tambm  Beth confessou.
Arqueando as sobrancelhas e com um leve sorriso, Jessie inqueriu:
	Era algum encontro especial?
Beth explicou que convidara Nathan para jantar e o que se seguira naquela noite.
	Vocs avanaram mais do que eu imaginava. Ento, vo se encontrar outra vez... ou tudo o que aconteceu naquele dia acabou espantando Nathan?
Beth sacudiu a cabea.
	Acho que ele no se assusta com facilidade. Voc precisava t-lo visto enfrentando Ivan Warren.
	Bem, acho que ele interpretou bem o papel de heri, porque voc ficou muito impressionada  Jessie disse, rindo.
	Nathan pediu-me em casamento  Beth falou sem rodeios.
Jessie assobiou baixinho.
	Puxa! Como foi rpido! Eu reparei na maneira como ele a olhou. Mas, mesmo assim...
	Mas no foi por mim  Beth interrompeu-a.  O que ele mais deseja mesmo  uma famlia. Deixou isto muito claro.
	O que quer dizer "no  por voc"? Ele gostou de voc. Eu estou certa de que houve alguma atrao entre vocs.
Uma onda de rubor coloriu o rosto de Beth. Jessie olhou-a com curiosidade.
	Hum... Acho que existe alguma coisa a, no?
	Sim, e existe muita culpa tambm, porque sinto-me traindo Mark. Estou confusa por estar levando em considerao esta proposta maluca.  Beth mostrou os envelopes de suas contas.  Mas no sei como resolver tantas obrigaes.  isto o que me incomoda.
Jessie falou num tom muito calmo:
	Talvez voc devesse encarar a situao sob outro ngulo. Pense no casamento como uma possibilidade de manter sua filha com voc e ter como cuidar bem dela.
Beth pensou no que Jessie dissera.
	Compreendo o que voc diz. Mas se no fosse pelos meus sogros, eu jamais estaria pensando em casamento.
	E por que no? Voc  jovem e bonita. Ser que ainda est apaixonada por Mark?
	No  bem isto.  porque no acredito que possa ser feliz com algum como fui com ele. Preciso de mais tempo.
	E quanto a Nathan? O que ele acha disso?
Beth suspirou.
	Ele diz que devo pensar sobre ns... sobre o casamento. No fao outra coisa a no ser pensar e rezar para que Ivan e Clara mudem de ideia.
	Acha que isto pode acontecer mesmo?
Beth levou as mos ao peito, como que para se proteger, recordando a ameaa de Ivan.
	No sei, mas tenho medo. Tudo que posso fazer  rezar para que ele esquea a custdia de Dorie.
Estava sendo muito mais difcil do que Nathan imaginara esperar pela deciso de Beth. Ainda mais agora que eleja decidira que Beth e Dorie eram a famlia que ele sempre desejara.
No sbado de manh, ele estacionou o carro em frente ao prdio de Beth e tocou a campainha, um pouco ansioso, pois no sabia como seria recebido.
Quando ela apareceu, o corao de Nathan bateu mais depressa. Ela era uma viso adorvel para os olhos dele. A saia longa de seda tornava-a ainda mais esbelta e a blusa branca fazia-a parecer muito jovem e feminina. Era deliciosa.
	Est muito atarefada hoje?  ele perguntou.
	No muito. Ia apenas caminhar e comprar algumas coisas d que estou precisando.
	Ah! Ento, voc pode adiar isto um pouco. Queria convid-la para vir cavalgar comigo.
Beth ergueu as sobrancelhas, e sua expresso demonstrava surpresa.
	Cavalgar? Mas nunca andei a cavalo. E alm disto, no posso deixar Dorie em casa porque Rosa no veio hoje e...
	Podemos levar Dorie conosco. Ela vai adorar.
	Voc deve estar brincando!
Nathan aproximou-se mais, desejando beij-la outra vez.
	No estou brincando. Falo srio. E ser muito mais do que um simples passeio de cavalo.  uma oportunidade de ficarmos juntos. Refletir, um longe do outro, no  to bom quanto passar o tempo juntos. Aquele beijo me deu esta certeza. Alguns amigos meus so proprietrios de um haras, e eu posso andar a cavalo sempre que tiver tempo e vontade. Sei que ela vai adorar. Antes de recusar, vamos at l. Se voc no quiser mesmo experimentar, podemos somente caminhar.  um lugar muito bonito, todo gramado e com muitas rvores.
Enquanto Nathan transferia a cadeirinha de Dorie para seu carro, Beth aprontava uma sacola com as coisas da menina. Era mais fcil ignorar sua atrao por Nathan quando ele no estava por perto. O beijo que haviam trocado fora memorvel e inesquecvel. Era s reviver aquele momento e um calor estranho a invadia.
Beth chamou Dorie que brincava com um cavalinho de pano e pegou-a pela mo.
	Agora, vamos ver uns cavalos de verdade, meu amor.
	Cava... o, mame?   
	Sim, querida. Nathan vai nos mostrar uns cavalos. Voc vai gostar. Vamos.
Enquanto Nathan dirigia, Beth no conseguia resistir ao desejo de olh-lo. E o fazia furtivanente, de tempos em tempos. Ele tinha uma elegncia natural, que no dependia das roupas. Mesmo de soslaio, ela podia ver os braos fortes, de msculos bem definidos, as pernas longas quando pisava no freio. E mais uma vez ela lembrou aquele beijo.
	Voc teve mais alguma notcia de seus sogros?  ele perguntou.
	No, no tive. E ficar sem notcias no me tranquiliza, pelo contrrio, deixa-me ainda mais nervosa. Preocupa-me o que esto tramando. Pensei que a Assistncia Social fosse me telefonar, conforme disseram, mas ningum me chamou.
Ele lanou-lhe um rpido olhar e procurou anim-la.
	Talvez seus sogros tenham recuado  disse.
	Espero de todo corao que sim, mas no acredito. Pelo que sei, Ivan no  o tipo que desiste com facilidade.
	Voc j teve muitas brigas com ele?  Nathan quis saber.
	No. Mas presenciei e vivi todas as que Mark teve. Quando Ivan cortou relaes com meu marido, ele ficou arrasado. Mas, ao mesmo tempo, ele sabia que queria ter vida prpria e para tanto era preciso cortar os laos com o pai. Mark jamais cederia aos desejos de Ivan.
	Voc fala como se amasse muito o seu marido. Eram felizes?
	Sim. Durou pouco tempo, mas fomos muito felizes.
Ao ouvir aquela afirmao, o maxilar de Nathan se enrijeceu e a conversa cessou.
Beth ficou intrigada pelo sbito silncio, mas no sabia a que atribu-lo e no se sentiu  vontade para perguntar a razo. Em vez disto, virou-se para trs para ver o que Dorie estava fazendo. A menina, muito quieta, segurava seu bichinho de pano.
Naquele momento, Nathan passou sob o arco de entrada do Longmeadow Haras, e Beth contemplou a grama muito verde e bem cuidada e as cercas brancas que circundavam o local.
	Voc disse que um amigo seu  dono disto tudo? Ele deve ser muito rico, no  mesmo?  Beth quis saber.
Nathan deu uma risada.
	Na verdade, sou scio de Longmeadow. Estava pensando em abrir uma segunda loja de equipamentos esportivos, quando surgiu a oportunidade de investir neste haras. Fico feliz de ter investido aqui. Longmeadow tem dado lucro, vai muito bem, e eu tenho um bom local para passar minhas horas de lazer.
Nathan estacionou o carro em meio a outros. Olhando para o estbulo, Beth viu algumas crianas brincando. Ela tirou Dorie do assento, e Nathan estendeu os braos para a criana.
	Quer que eu mostre um cavalo de verdade para voc?  ele perguntou.
	Quero  Dorie respondeu, muito compenetrada.
No interior do haras, havia um odor gostoso de feno. Beth seguiu Nathan at ele parar frente a uma das baias.
	Veja, esta  Mollie, Dorie.
Imediatamente, Dorie estendeu a mo, querendo tocar o animal.
Beth observou a filha com apreenso, mas Nathan tranquilizou-a, segurando a mo da criana. Com confiana e naturalidade ele guiou a mo de Dorie, passando-a sobre o dorso brilhante do cavalo para que ela o sentisse.
	Cava...o!  Dorie gritou excitada.
	Este cavalo pequeno  Smoke. Ele  muito manso e trota bem devagar. Acho que voc poderia cavalg-lo sem sustos. E eu e Dorie montaramos Molie, que  um pouco maior, mas  tambm muito mansa. O que acha?
	Ah! No sei, Nathan.
	Est bem. Se tem medo e no quer, ento vamos caminhar apenas.
	Hum... No  que eu no queira. Gostaria muito, mas nunca cavalguei na minha vida.
Nathan riu.
	Voc tem medo, porque nunca montou. A parte mais difcil  montar, mas como voc  magra e leve no vai ter problema algum. Experimente. Confie em mim!
Confiar em Nathan? Ser que poderia? No tinha certeza.
Beth sentia-se dividida entre a segurana e o desejo de dar  menina um divertimento fora do cotidiano. Mas, enfim, j que estavam ali... E Dorie parecia no ter nenhum medo.
	Est bem, mas se ela comear a chorar...
	No se preocupe. Eu a coloco imediatamente no cho.
No deixarei que ela fique com medo. Fique descansada.
Em seguida, com o consentimento de Beth, ajudou-a a montar Smoke o que causou algumas risadas.
	Deveria ter visto mais filmes de caubi  Beth brincou, ajeitando-se na sela, com mais facilidade do que imaginara.
	Dorie e eu vamos puxar Smoke um pouco, para voc acostumar-se com a sela. Deixe-se levar pelos movimentos do animal, no fique muito rgida, opondo resistncia.  Nathan
aconselhou.
Nos primeiros minutos, Beth sentiu-se desconfortvel, mas depois relaxou. Nathan que a observava o tempo todo, perguntou:
	O que acha? Como est indo?
	Parece que estou sentada em uma cadeira de balano.
Nathan riu.
	No . Ser mais fcil se voc guiar Smoke com gentileza. Ele sentir o que voc quer. Pressione-o com os calcanhares, e ele anda. Para virar  esquerda, toque seu lado esquerdo. Faa o mesmo com o lado direito. Para faz-lo parar  s puxar as rdeas. Vai ver,  simples.
O sorriso de Nathan revelava a Beth que ele tinha prazer em ensin-la. O brilho nos olhos verdes convidavam-na a relaxar e a conhec-lo melhor. E a divertir-se, esquecendo os problemas por um curto tempo.
Dorie dava risadas altas, muito excitada, e Beth deleitou-se com a alegria da filha. Logo depois, fez como Nathan aconselhara e batendo de leve no lombo de Smoke, ele andou docilmente.
Como ele prometera, eles trotavam bem devagar. De vez em quando, ele olhava para trs para ver se Beth estava bem. E ela demonstrava tranquilidade.
Quando o sol comeou a ficar mais quente, resolveram voltar para o estbulo.
	Agora que acabamos nosso passeio, o que achou, Beth?  Nathan perguntou, depois que desmontaram.
Ela sorriu.
	Acho que gostei mais de cavalgar do que de dirigir.  verdade!
	Ento, precisamos voltar aqui outras vezes. E em breve.
Havia algo nos olhos de Nathan que fazia Beth desejar ficar contemplando-o para sempre. Afastou a ideia, rapidamente. Mas percebeu que seu encontro com Nathan obrigara-a a pensar em situaes nas quais jamais pensara antes. Impulsiva-nente, perguntou:
	Por que no voltamos para casa? Posso preparar alguma coisa para o almoo.
Durante todo o trajeto de volta ao apartamento, Dorie falou sobre os cavalos. s vezes, os olhos de Beth e Nathan encontravam-se, e eles sorriam.
Na cozinha do apartamento, Beth desfiou um pouco de frango da vspera misturando-o  salada de batatas que continha passas e nozes e cobriu tudo com molho especial que estava na geladeira. No cho da sala, Nathan ajudava Dorie a montar uma torre com blocos de madeira.
Beth no conseguia lembrar a ltima vez em que se sentira to satisfeita. Revivia os tempos em que tinha uma famlia e era feliz. Quando a campainha da porta soou, ela pensou que devia ser Rosa, oferecendo-se para ajudar. Nathan atendeu a porta e chamou-a.
	Beth, voc precisa assinar um recibo.
Ela levou as mos ao peito, assustada. Ivan e Clara! Devia ser coisa deles. Depois de assinar o recibo, Beth segurou a carta como se fosse uma bomba pronta a explodir no meio da sala. Com mo trmula, abriu o envelope e leu seu contedo. Bem, no poderia esperar mais. O momento da deciso chegara.
Erguendo a cabea, ela olhou para Nathan com olhos turvos, mas firmes.
 Nathan, se seu pedido de casamento ainda est de p. eu aceito.
Em seguida, sem mais comentrios, entregou-lhe a carta.

CAPITULO IV

Aps uma rpida leitura da carta, Nathan entendeu porque Beth tinha aceitado seu pedido de casamento.
A audincia sobre a custdia de Dorie j tinha data marcada, e ela, que tinha poucas chances e no queria correr o risco de perder a filha, no tinha muita escolha.
Nathan no tinha iluses sobre os motivos de Beth para se casar. Ele vira a pilha de contas sobre a mesa, e aquilo devia tirar-lhe o sono e a tranquilidade. E alm disto, suspeitava de que ela ainda amava o marido e lhe era fiel. Se casasse com ele, seria movida apenas pela necessidade.
	Claro que sim  ele respondeu, colocando a carta sobre a mesa.  Meu pedido continua valendo. Depende de voc.
Quando quer casar?
Aps pensar um momento, Beth respondeu:
	O mais rpido possvel. De preferncia, antes da audincia para que Ivan e Clara retirem o pedido de custdia de Dorie e considerem-se derrotados.
	Acho que devemos celebrar um casamento bem festivo, bem anunciado para que eles saibam que  real. Igreja, recepo, trajes de cerimnia e tudo que for necessrio para convenc-los.
	Mas Nathan, eu no posso dar uma festa  Beth protestou.
	E por que no?
	No tenho dinheiro para isto. Voc sabe da minha situao.
	Eu arco com as despesas, Beth. No se preocupe com dinheiro. Voc j tem muitas preocupaes.
	Ah! Mas no posso concordar com isso. E muito humilhante.
	Que ideia! Estamos nos casando, Beth. No pode mais haver estes melindres entre ns.
	Mas no gostaria de comear nossa vida dando gastos para voc.
Ele viu a aflio nos olhos dela. Talvez devido  situao econmica, Beth podia sentir-se sem poder conduzir a prpria vida. Podia sentir-se subjugada. Nathan compreendeu-a.
Beth, estamos iniciando uma parceria. Voc me d a
famlia que eu sempre quis, e eu a sustento.  justo e ser bom para ns dois. Ambos faremos tudo para proteger Dorie.
Beth entendia Nathan, mas... Baixou a cabea, confusa.
	 tudo to rpido. Geralmente reflito um longo tempo sobre meus atos.
	Acredito, mas voc sabe que agora no h tempo  ele disse apontando para a carta.  A presso sobre voc est ficando cada vez maior.
Beth afundou-se em uma poltrona e aps um instante, concordou.
	Voc est certo, Nathan. Estou cheia de escrpulos que no fazem sentido nesta situao. O que acha que devemos providenciar em primeiro lugar para o nosso casamento?
	Est perfeito!  Jessie declarou entusiasmada.
Beth girou em torno de si mesma sobre o tapete vermelho do ateli de um famoso estilista, para que Jessie apreciasse melhor a ltima prova de seu vestido de noiva.
	Mal posso acreditar que fizemos tudo isto em menos de duas semanas  ela disse. Nathan j vai levar as coisas dele para casa hoje  noite. Ainda bem que o meu prdio tem um pequeno depsito no subsolo para estocar o que for necessrio.
	Tem dvidas ainda, Beth?
	Confesso que sim, a toda hora. Mas tenho que enfrentar isto tudo, para o bem de Dorie. Nathan  to bom para ela, tem tanta pacincia. Ele daria um excelente pai, tenho certeza.
	E marido tambm, eu acho.
Inexplicavelmente, desde que haviam decidido casar, Nathan retrara-se. Pouco se aproximara dela e no tentara mais beij-la. Todo o tempo e ateno dele estavam voltados para Dorie.
	Beth?
Beth percebeu que no respondera ao comentrio da amiga.
	Desculpe, Jessie, estava distrada. No sei que tipo de marido Nathan ser. Mas sei que  um bom homem. De qualquer modo, minha curiosidade logo ser satisfeita.
Naquela noite, Beth desceu ao subsolo do seu prdio onde ficavam os depsitos para uso dos condminos.
Quando Nathan chegou para guardar seus aparelhos de ginstica, Beth ofereceu-se para ajud-lo.
	Obrigado, Beth  ele agradeceu. Mas estes aparelhos so todos muito pesados.
	Mas no sou to fraca assim. Tenho carregado bastante peso. Dorie est ficando cada dia mais pesada.
O olhar de Nathan percorreu-a da cabea aos ps.
	No, no  fraca, em nenhum sentido. No foi o quis dizer. Mas estes aparelhos... no sei.
O calor que um simples olhar dele transmitia tinha o poder de excitar Beth. Sua boca ficou seca de repente e, por um minuto, achou que ia ser beijada. Mas, no. Em vez disto, ele apenas perguntou:
	Onde quer que eu guarde as minhas malas?
Um pouco decepcionada, Beth respondeu:
	Reservei um espao para as suas roupas na cmoda e no armrio... do meu quarto.
Nathan aproximou-se e percebeu o embarao e a hesitao dela. Quando falou, sua voz soou calma e baixa:
	No tenha receio, Beth. Estamos nos casando, mas sei que  um casamento peculiar. Nada acontecer at voc sentir-se pronta para uma unio de verdade. E no importa que minhas roupas estejam no seu quarto ou no. Posso entrar l sem problemas. Sei me controlar.
De certa forma, aquelas palavras tranquilizaram Beth. Mas, por outro lado... Tudo o que pde dizer foi:
	Obrigada, Nathan. Mas saiba que nunca pensei que voc agiria diferente.
Os olhos verdes buscaram os dela, e Beth sabia que ele procurava ler sua mente ou-espiar dentro de seu corao. Mas ele no encontraria nada, naquele momento, a no ser confuso e incerteza.
Com delicadeza, ele segurou os fios de cabelos que caiam sobre o rosto dela, e colocou-os atrs da orelha.
	Agora, vou buscar meu equipamento de esqui  ele disse.
Sozinha, Beth desalojou uma barraca velha que Mark e ela costumavam usar quando acampavam, antes do nascimento de Dorie. Retirou tambm uma caixa de anzis e canios e duas bicicletas em bom estado.
Quando Nathan voltou e viu os objetos de lado, observou-os por um tempo e depois perguntou:
	Eram de seu marido?
	Sim, eram de Mark. At agora no tive coragem de me desfazer destas coisas. Coloquei-as aqui em baixo porque no sei o que fazer com elas.
O maxilar de Nathan, fortemente apertado, mostrava que reprimia qualquer reao quela prova de fidelidade  memria do marido.
	Se a incomoda desalojar as coisas de seu marido e prefere que eu no guarde meus objetos e equipamentos aqui, posso alugar um lugar para colocar tudo. Ou talvez encontre espao na minha loja mesmo.
Mark era um assunto sobre o qual precisariam discutir, Beth pensou. Mas, naquele momento no possua a energia necessria para tal conversa. Conseguia concentrar-se apenas no que estava lhe acontecendo e nos seus prprios sentimentos.
	Oh! No, Nathan. Que ideia! Voc vai morar aqui  ela replicou.
	Est bem, obrigado  ele disse e perguntou:  Voc gosta de andar de bicicleta?
	Sim, gosto muito e costumava andar. Mas agora, com Dorie,  mais difcil. Estava pensando em comprar uma cadeirinha para ela, mas ainda no tive tempo.
	Na minha loja, tenho destas cadeirinhas para crianas.
Posso trazer uma, se voc quiser.
Uma imagem muito vvida de Nathan, Dorie e ela andando de bicicleta surgiu na mente de Beth. Parecia um quadro to feliz que Beth se emocionou. Ele notou, mas disse apenas:
	Pense a respeito e depois me diga.
Mais uma coisa para ela pensar. J tinha tantas!
Aps arrumarem tudo no subsolo do prdio, Nathan perguntou:
	Tem tido notcias de Ivan e Clara? Acha que eles j sabem do nosso casamento?
Beth negou com a cabea.
	Nenhuma palavra at agora. Enviei um convite para a cerimnia e recepo, mas no obtive nenhuma resposta.  estranho porque sei que Clara obedece a todas as regras de etiqueta e no responder a um convite  falta grave. s vezes tenho medo de que Ivan esteja tramando alguma coisa. O silncio deles me preocupa, sabe?
	No acredito que ele possa tramar alguma coisa agora. Seu problema era precisar trabalhar e deixar Dorie sozinha. No existe mais esta preocupao.
	Meu advogado avisou que provavelmente eles vo esperar o casamento se realizar, para ento retirar a demanda.
	Concordo com eles. Pare de se preocupar  Mudando de tom, Nathan falou:  Meus amigos de Washington, Jeff e Kate confirmaram sua vinda  cerimnia. Candi e Randi no podero vir de Montana, pois j se comprometeram de vir  festa de aniversrio de bodas de Jeff, daqui a quatro semanas.
	So aqueles seus velhos amigos de que me falou?
	Sim. Frequentei a escola com Gavin, Jeff e Cade. Formvamos um quarteto e tanto. Mas, depois da formatura, cada qual foi para um lugar. No entanto, nunca perdemos contato nestes anos todos.
Voltando ao apartamento, Beth conduziu Nathan ao quarto e abriu uma cmoda alta.
	Veja, este espao  seu. Acha que ser suficiente?
Nathan olhou em torno. Era um quarto muito simples com poucos enfeites. Pelo jeito, Beth no mudara nada desde a morte do marido. No modificando nada, talvez lhe parecesse mais fcil suportar a grande perda.
	Voc e seu marido moraram aqui muito tempo?  ele perguntou.
	Sim, desde que nos casamos. Mas ns j tnhamos dado um sinal para a compra de uma casa e espervamos que o emprstimo fosse liberado quando Mark morreu.
	E voc desistiu da casa?
	As prestaes eram muito altas para mim. Tive de desistir.
	O que diria de mudar-se para uma casa maior?
Com todas as providncias que tiveram que tomar para um casamento to rpido, eles ainda no tinham tido tempo de resolver definitivanente o problema da moradia. O apartamento de Nathan, embora bem decorado, tinha somente um quarto e tambm era alugado. O de Beth, pelo menos, tinha dois quartos.
	Acho que mais tarde poderamos procurar um apartamento maior, sim, Nathan. Seria mais confortvel.
	E que tal uma casa?
Beth sorriu.
	Voc no acha que devamos primeiro ver se o casamento vai dar certo, para ento fazer maiores planos.
Com uma ruga funda entre os olhos, Nathan aproximou-se.
	Farei tudo para este casamento ser bem-sucedido, Beth.
Ela desviou o olhar do dele e contemplou as prprias mos.
	Voc nunca tem momentos de dvida sobre o que estamos fazendo, Nathan?
Tomando-lhe o queixo, ele ergueu-lhe o rosto.
	Claro que sim. Seria um luntico se no tivesse. Mas tambm acredito que se ns dois nos dedicarmos, podemos tornar este casamento um sucesso. No fim, tudo dar certo.
Voc ver.
No fim. Em que estgio estariam naquele momento? No meio da preparao para um casamento que visava conservar Dorie com sua me.
Vendo a hesitao de Beth, Nathan falou com suavidade:
	Se tem tanta dvida e est to infeliz, ainda podemos cancelar tudo.
E correr o risco de perder Dorie? No! Beth tinha coragem para fazer o que se propusera. Encontraria um modo de deixar o passado para trs. Talvez ento tivesse um futuro.
Nathan podia ler as perguntas, tristezas e perdas nos olhos azuis de Beth. Ela ainda amava o marido! Uma onda de d e frustrao invadiu o peito dele e descobriu que aquilo machucava-o. Gostaria que ela estivesse contente, esperando com entusiasmo pelo futuro e pela vida a dois, em vez de lembrar o passado.
A expresso do rosto de Beth transformou-se  medida que ela deixou a determinao substituir todas as outras emoes.
	Eu no quero cancelar nada, Nathan. Tenho de levar tudo adiante e estou contente porque  para o bem de Dorie.
Aquela no era tambm a razo pela qual ele estava casando? No iria permitir que uma menina adorvel e feliz ficasse sem me. E alm disto, ele teria, enfim, uma famlia.
Temos boas razes, as mais nobres para o casamento, Beth. Podemos torn-lo um sucesso.
Quando ela assentiu, Nathan desejou ver nos grandes olhos claros um pouco de alegria junto com a determinao. Mas... era preciso esperar.
Enquanto ele colocava uma pilha de camisetas em uma prateleira, uma vozinha falou dentro de sua cabea.
"Voc no tocou no assunto dos filhos".
Nathan pensou que talvez devesse dizer a Beth que ele e Elaine no conseguiram conceber e nunca descobriram a razo. Nenhum dos dois tinha um problema especfico, de acordo com os mdicos. Mas o fato  que no tiveram filhos. Mas qual era o sentido de falar sobre aquilo naquele momento?
Quando ele comeou a esvaziar a segunda mala, percebeu que o espao era insuficiente. Beth tambm notou e abrindo outra gaveta, falou:
	Posso tirar essas coisas daqui, para dar mais espao para voc.
Ao olhar dentro da gaveta, ele viu delicadas peas femininas de seda e renda. Rapidamente, Beth retirou vrias delas e uma caiu no cho. Nathan inclinou-se para apanh-la ao mesmo tempo que Beth. Era uma pea azul-clara, sedosa e definitivamente transparente. No era preciso nenhum esforo de imaginao para visualiz-la dentro daquela camisola. O corao de Nathan de repente disparou dentro do peito. E quando as mos de ambos se tocaram, uma corrente eltrica percorreu-o dos ps  cabea. Excitado, ele a encarou.
	Espero poder v-la nesta camisola em breve  disse.
Beth corou e, baixando os olhos, pegou a camisola e apressou-se em direo ao armrio amontoando suas peas ntimas em uma das gavetas, sem dizer nada.
Havia uma inocncia bsica e uma timidez em Beth que a tornava ainda mais sedutora e que atraa Nathan tanto quanto a qumica que existia entre eles.
	Se voc no tiver outro espao, pode deixar as roupas a, Beth.
	No. Voc precisa guardar suas roupas. No se preocupe.
Nathan refletiu sobre sua nova rotina de vida, enquanto dirigia em direo ao apartamento de Beth.
Quando ele e Elaine tinham se divorciado, venderam a casa e tudo dentro dela e depois dividiram o que tinham arrecadado.
Nathan tinha a sua loja, e Elaine era uma contadora com nome muito conceituado e no precisava de penso. Acabado o amor que imaginavam terem sentido um pelo outro e sem filhos, no sobrara nada, nenhum lao entre eles. Pela ltima notcia que tivera dela, j fazia algum tempo, soubera que estava noiva, e Nathan se perguntava se j teria casado. Bem, no era assunto seu! Pouco lhe importava o que Elaine estivesse fazendo.
Aps o divrcio, ele ficara to arrasado e deprimido que fechara-se em si prprio, dirigindo a loja e levando a vida mecanicamente, sem nenhum prazer. Mas, aos poucos, compreendera que precisava fazer alguma coisa quanto  sua apatia e voltara ao convvio dos amigos. No momento, sentia-se cheio de energia e desejoso de investir no futuro.
E Beth? Estaria tambm pronta para comear uma nova vida? E que tipo de casamento poderiam ter se ela no estivesse?
Ao estacionar o carro, Nathan disse a si mesmo que a questo era complexa e no permitia uma resposta fcil e rpida. Naquele momento, o que mais importava para Beth era proteger Dorie. Talvez, resolvido aquele problema mais urgente, ambos pudessem pensar neles mesmos e visualizar com clareza o que desejavam para o futuro. Atrao fsica existia. J era um bom incio.
Nathan tocou a campanhia e ficou surpreso por Beth no atender logo, como sempre fazia. Algum o chamou e ao vi-rar-se, deparou-se com Rosa acenando.
	Ol, sra. Pannetto. Sabe aonde Beth foi?
	Ol, sr. Maxwell, pode me chamar de Rosa, j que est se casando com Beth.
	Obrigado, Rosa. Sei que Beth a considera parte da famlia.
	Sim,  verdade. Oua, sr. Maxwell, no deve fazer nada que possa magoar Beth, seno ter que se explicar comigo. Eu adoro esta moa, e ela j tem sofrido demais. Preocupava-se tanto com o marido que vivia em cima daquela malfadada motocicleta. Ela precisa de um homem bom e forte que no faa tolices, expondo-se ao perigo como se no tivesse nenhuma responsabilidade na vida.
	O marido de Beth andava de moto?
	Sim, muito. Foi num acidente de moto que ele morreu, no sabia?
	Hum... De fato, no. Beth no me contou.  que... nos conhecemos h pouco tempo e nossa principal preocupao tem sido a filha dela.
	... eu sei. O lugar de Dorie  ao lado da me dela. Sr. Nathan MaxwelL.. por que est fazendo isto por Beth? Quero dizer, casar-se com ela...
	Tenho bons motivos. Sempre quis uma famlia. Rosa, e Beth... bem... ela  maravilhosa e Dorie tambm.
	Ah! Ento, este casamento ser mais do que um simples certificado no papel, no ?
Nathan sorriu diante da franqueza e dedicao da ajudante de Beth.
	 o que espero  ele admitiu.  Sabe aonde Beth foi?
	Disse que precisava comprar flores e que depois iria  casa de Jessie. Deve estar cuidando dos preparativos para o casamento. Coitada! Ela tem corrido muito.
Nathan despediu-se de Rosa e dirigiu-se para a casa da amiga de Beth. Intrigado, ele ficou imaginando porque ela tinha ido comprar flores, quando ambos no dia anterior tinham entregue uma lista de tudo que queriam ao florista.
Ao chegar na casa de Gavin, ele viu que o carro de Beth no estava l, mas mesmo assim tocou a campainha.
Gavin abriu a porta, todo vestido de branco.
	Ol. Gavin, chegou do hospital agora?
	Ol, Nathan. Cheguei h uns cinco minutos.
	Estou procurando Beth. Disseram-me que ela veio para c.
Gavin hesitou e depois disse:
	Beth precisava ir ao cemitrio, e Jessie ficou com Dorie.
Beth ajoelhou-se ao lado da sepultura de Mark e rezou. Sob a inscrio com o nome dele, acendeu uma vela e colocou um ramalhete de flores de campo que comprara no caminho.
	Fiquei com tanta raiva quando voc morreu  Beth disse em voz alta.  Se no estivesse correndo naquela moto, ainda estaria vivo, acompanhando o crescimento de Dorie. Sei que a motocicleta era uma parte de voc, assim como seus olhos escuros e seus cabelos crespos. Por isto, consegui esquecer minha raiva. Mas, estou triste e ainda sinto sua falta. No compreendo a atrao que sinto por Nathan. Queria que voc pudesse dar-me um sinal e dizer-me se estou agindo direito. Vou casar-me outra vez, porque no tenho outra sada, Mark.
Com um toque delicado, Beth ajeitou algumas flores que o vento deslocara.
	Por isto vim lhe dizer que, de agora em diante, vou olhar para frente e no para trs. Nunca esquecerei voc nem os bons momentos que tivemos juntos. Voc sempre ser o pai de Dorie. Mas  principalmente por causa dela que vou tentar uma nova vida com Nathan.
Os olhos azuis encheram-se de lgrimas, mas Beth no as enxugou. Voltou  casa de Jesse pensando e rezando.
Reconhecendo o carro de Nathan, seu corao bateu mais forte. Coincidncia? Ou ele viera procurar por ela?
Quando Jessie abriu a porta, avisou:
	Nathan est aqui. Como foi "l"?
	Tudo bem. Foi uma espcie de ritual de despedida. Nathan sabe aonde fui?
	Bem, ele perguntou, e Gavin disse. Espero que isto no lhe cause problema.
	E por que causaria? No tenho nada a esconder, Jessie.
Jessie abraou Beth e conduziu-a para onde os outros se encontravam.
Nathan, sentado ao lado de Dorie, lia uma histria em voz alta e ao ver Beth parou a leitura.
	Ol, Beth. Estive no seu apartamento, mas Rosa disse que voc tinha vindo para c.
Pelo tom de voz, Beth desconfiou de que Nathan no ficara muito contente de saber que ela fora ao cemitrio. Ser que ele no percebia que era algo que precisava fazer? Se ele quisesse ouvir ou entender, tentaria explicar.
	Quer tomar alguma coisa, Beth?  Jessie ofereceu.
Beth hesitou, mas ao ver o ar sonolento de Dorie, respondeu:
	No, obrigada, Jessie. Acho melhor levar Dorie para casa. Ela est com sono. Mas, Nathan, se voc quiser ficar...
	No, tambm estou saindo. Vou com voc.
Enquanto dirigia, Beth estava consciente dos faris do carro de Nathan atrs do seu. Ao chegarem, ele estacionou ao lado dela e ajudou-a a levar Dorie adormecida para dentro de casa.
Depois de colocar a filha na cama, Beth voltou  sala e deparou-se com Nathan parado  frente de um porta-retratos que mostrava ela e Mark sorridentes.
	Quando passei aqui hoje, conversei um pouco com Rosa e ela me disse que seu marido morreu num acidente de moto.
	Sim,  verdade.
	Mas que espcie de homem era ele para arriscar a prpria vida por alguns minutos de excitao e adrenalina?
	Voc no tem o direito de julg-lo  ela respondeu, erguendo-se instintivamente em defesa do marido.
Nathan encarou-a.
	Estou me casando com voc, mas h coisas que no sei. Por exemplo, gostaria de saber porque aceitava este comportamento de adolescente do seu marido.
	Eu amava Mark. Claro que esta paixo dele me causava preocupaes, mas aceitava-a. Mas no  justo dizer que ele tinha comportamento de adolescente. A velocidade foi a vlvula de escape que ele encontrou para libertar-se das regras e velhas convenes com as quais seus pais queriam prend-lo.
	Gavin me disse que voc foi ao cemitrio  Nathan falou, como quem espera uma explicao.
J que iam casar-se, ele merecia uma, Beth pensou.
	Antes de me casar com voc quis dizer adeus a Mark. Fui levar-lhe tambm as ltimas flores.
Os olhos de Nathan voltaram-se outra vez para a foto.
	Voc ainda guarda a bicicleta dele. No consegue separar-se de suas roupas. No acho que uma simples ida ao cemitrio signifique um verdadeiro adeus. Ainda est muito presa ao passado e a seu ex-marido.
Apesar de no querer parecer na defensiva, o tom da voz de Beth a traiu.
	Talvez esteja, mas se lhe digo que fui dizer adeus a Mark isto significa que pelo menos tenho esta inteno, no ?
Nathan demorou a responder, mas por fim concordou.
	Sim, sei que fala a verdade. Deve ser mesmo o que deseja.
Nathan retirou-se em seguida, deixando Beth com a sensao de que no acreditara muito naquela afirmao de que se despedira do passado.

CAPITULO V

Luz de velas, msicas suaves e champanhe deferiam criar uma atmosfera romntica para Nathan e Beth, num dos melhores restaurantes de Roanoke. Gavin e Jessie insistiram em oferecer um jantar ao casal amigo na vspera do casamento. Mas Beth no se sentia confortvel. O ar estava carregado de tenso entre ela e Nathan desde sua ida ao cemitrio. Queria voltar ao bom relacionamento que costumavam ter, mas no sabia como, e ambos continuavam a agir com cautela como se tivessem medo de ultrapassar algum limite imaginrio.
Gavin e Jessie encarregaram-se da conversa e fizeram o possvel para faz-los rir durante todo o jantar. Porm, quando o caf foi servido, Jessie falou sem cerimnia.
	Se vocs no relaxarem e sorrirem um pouco, o padre vai pensar que est unindo o casal errado. O que est acontecendo?
	Jessie!  Gavin exclamou, repreendendo-a.
Jessie olhou de Nathan para Beth atenciosamente e perguntou com franqueza:
	Vocs tm certeza de que querem se casar mesmo?
	Tenho certeza, sim - Beth respondeu sem hesitar.
	E eu tambm  garantiu Nathan.
Jessie suspirou.
	Ah! Ainda bem! Por um momento fiquei preocupada. Talvez amanh vocs consigam sorrir para o fotgrafo. Assim espero. Afinal, sou a madrinha.
Nathan deu um leve sorriso.
	Est bem, Jessie. Entendi a mensagem. Beth o que acha de irmos para casa ensaiar alguns sorrisos para a cerimnia?
Beth no pde evitar uma risada de alvio.
	Acho uma tima ideia. Vamos!
Enquanto Nathan dirigia-se para o apartamento dividiriam em poucos dias, ele fez comentrios sobre o restaurante. Beth contou-lhe as ltimas travessuras de Dorie, e ambos relaxaram um pouco.
Ao chegarem em casa, Nathan jogou o palet sobre uma cadeira, enquanto Beth foi olhar Dorie que j dormia. Voltando  sala, ela viu o olhar apreciativo que ele lanou ao seu vestido de crepe preto sem alas, de corte justo e elegante que valorizava sua pele rosada e seu corpo esbelto. Um simples fio de prolas adornava-lhe o pescoo esguio.
	Voc est linda hoje, Beth  ele disse, olhando-a cheio de admirao.
Tentando ignorar a excitao que aquele elogio e olhar provocavam, ela agradeceu com um sorriso:
	Muito obrigada. Quer alguma coisa? Um mate gelado ou...
Nathan afrouxou a gravata.
	Beth, a partir de amanh, este apartamento vai ser meu lar tambm. No precisa tratar-me como visita. Relaxe! Venha aqui. Sente-se ao meu lado. Quero dar-lhe uma coisa.
Curiosa, Beth sentou-se ao lado dele, sentindo mais uma vez a fora da atrao entre eles. Uma atrao que ao mesmo tempo a confundia e excitava.
Nathan retirou do bolso uma caixa longa e fina, embrulhada com sofisticao.
	Outro dia, voc recusou um anel como presente de noivado, ento, por favor, considere isto um presente de casamento.
	Nathan, voc no precisava...
	Eu sei que no precisava. Mas eu quis  ele disse, colocando a caixa no colo de Beth.  Ficarei feliz se aceitar.
Agradavelmente surpreendida, ela abriu a tampa da caixa. Um colar de gua-marinha muito azul brilhava num fundo de veludo preto.
	Que lindo colar!  ela exclamou.
	Queria dar-lhe alguma coisa que fosse permanente e quando vi este colar achei que era perfeito para voc. Combina com a cor dos seus olhos. Mas se preferir outra pedra...
	No, So minhas pedras favoritas, e o colar  lindssimo. Voc teve muito bom gosto. Nunca tive nada parecido na vida.
O sorriso de Nathan era suave ao inclinar-se sobre ela.
O ardor nos olhos dele era to sedutor quanto a rouquido de sua voz. Sem perceber, Beth inclinara-se para ele tambm. Inconscientemente desejava ser beijada outra vez.
Nathan confessou a si mesmo que tinha cime do falecido marido de Beth, mas no podia dizer-lhe isto. Beth talvez no compreendesse. Era tudo to novo! A amizade que comeava a florescer entre eles e a paixo que queria irromper eram ainda muito frgeis. O menor erro poderia arruinar tudo.
Alguma coisa em Beth despertava tudo que havia de masculino dentro de Nathan: sua natureza protetora, seu desejo de ser forte, de tomar a iniciativa, seu apetite sexual que estivera adormecido desde o divrcio. Havia muito tempo que no tomava uma mulher nos braos. Estava carente. Aproximou-se mais...
Um segundo depois, os lbios dele tocavam os dela com delicadeza pois no- queria assust-la. Recordou o sabor do outro beijo. A resposta de Beth foi um gemido abafado. O corpo dela estremeceu nos braos dele, sem resistir.
O beijo tornou-se cada vez mais profundo e possessivo.
Beth fechou os olhos e entregou-se. Queria o carinho daquelas mos fortes e bronzeadas. Seus corpos se entrosavam com perfeio. Os dedos dele deslizaram pelo seu pescoo, demoraram-se nos seus ombros e braos nus, at alcanarem a curva suave dos seios.
Beth quase perdeu o flego e pensou em recuar, mas Nathan afastou os lbios dos seus para pous-los sobre o tecido fino do vestido que encobria seus seios, fazendo todo seu corpo responder com uma intensidade assustadora.
Porm, quando ele, completamente mergulhado na paixo, levantou a barra da saia e devagar acariciou-lhe o alto das coxas, ela tremeu de medo. Mas no era medo de Nathan. Temia a fora do prprio desejo, uma emoo reprimida h muito tempo. No queria... no estava pronta.
Mal Beth comeou a lutar para desvencilhar-se, Nathan soltou-a. Embaraada, enrubescida at a raiz dos cabelos e com mos trmulas, ela tentou arrumar o vestido, escondendo as pernas o mais rpido que pde.
 Calma, calma. No vou insistir. No vou obrig-la a nada. Se voc no quer, eu paro. No fique aborrecida comigo, por favor. Perdi a cabea  Nathan se desculpou.
Beth afastou-se e sentou-se no canto do sof, de olhos baixos, ainda ofegante.
	Fale comigo, Beth. Vamos nos casar amanh e se houver algum problema...
	Sim, h um problema  ela disse, a cor acentuando-se ainda mais no seu rosto.  Nosso casamento no  como os outros. Eu no o conheo bem, ainda  quase um estranho. Como posso entregar-me assim?
Com o desejo ainda enrouquecendo sua voz, Nathan perguntou:
	O que quer saber? Diga. Meu histrico mdico? Minhas ltimas parceiras?
	Sim. Quer dizer... no agora. Mas precisamos discutir isto, sim. E ainda... eu no posso... fazer amor com voc at...
	Que voc confie em mim  ele terminou a sentena por ela.
	Em parte  isto tambm  ela respondeu, com a postura rgida e o rosto afogueado.
Nathan contemplava-a em silncio. Qual seria a verdadeira razo para ela no querer fazer amor se percebia que estava atrada por ele? Seria mesmo por no conhec-lo ou devido ao marido morto? Ou talvez fossem os dois motivos.
Passando os dedos pelos cabelos desalinhados, Nathan levantou-se e pegou o palet.
	Voc no deixa de ter razo, Beth. Ainda no tivemos chance de nos conhecer. Mas isto ser resolvido. Vamos viver juntos, no  mesmo?
Ele dirigiu-se  porta, mas parou antes de abri-la.
	Sinto uma grande atrao fsica por voc, Beth. E voc tem me dado algumas razes para acreditar que tambm sente o mesmo por mim. O fato de existir isto entre ns leva-me a pensar que nosso casamento pode dar certo. E durante o tempo que procurarmos nos conhecer, tentar reprimir esta atrao natural pode ser bem difcil. No  impossvel mas...  difcil.
Ele abriu a porta.
	Vamos nos ver na igreja amanh. At l, ento, se no mudar de ideia. Durma bem.
Do lado de fora, Nathan enfiou as mos nos bolsos e inspirou o ar fresco da noite.
De p, na entrada da igreja, Beth aguardava os primeiros acordes da marcha nupcial de Mendhelson que eram o sinal para que ela se encaminhasse ao altar.
Sua amiga Jessie, trajando um vestido fino e elegante de crepe azul-turquesa, j estava no altar ao lado de Gavin pois eram os padrinhos.
De repente, a lembrana da noite da vspera voltou  cabea de Beth. Como pudera perder o controle com um beijo? Ela quase... Se Nathan houvesse insistido... Ele tinha razo. Seria difcil reprimir a atrao que havia entre os dois. Mas. conseguiria, enquanto fosse necessrio. Ele teria de esperar at ela se apaixonar.
Entre os convidados, Beth notou a presena de Ivan e Clara. Ah! Ento, eles tinham vindo. No resistiram  curiosidade.
De repente, escutou uma voz masculina ao seu lado. Era Ivan que viera ao seu encontro e, de uma maneira deselegante, a abordara.
	Ento, voc vai ter coragem de levar esta farsa adiante?
Respirando com fora e tentando manter o sorriso, Beth respondeu baixinho:
	Como pode ver com seus prprios olhos, no  uma farsa. Eu e Nathan estamos nos casando diante de Deus e dos homens.
	, eu quis ver isto de perto.  bom que eu no encontre nenhuma irregularidade, porque se achar, mando anular este casamento. Meu advogado j est alerta e tratar do assunto. No sou nenhum tolo. Beth. Por isto, se este casamento for s uma encenao eu ficarei sabendo. E ento voc se arrepender de ter subido ao altar.
Naquele instante, o rgo da igreja tocou os primeiros acordes da marcha nupcial que se espalharam no ambiente com sua melodia emocionante.
Beth, sem se importar mais com o ex-sogro, assumiu uma atitude altiva e comeou a caminhar vagarosamente sobre o tapete vermelho, em direo a Nathan. Como estava bonito naquele terno escuro! Parecia ainda mais alto e atltico. E como era msculo. Era o homem mais viril que j vira na vida.
Eles iam comear uma unio, e a gravidade daquele compromisso assustou-a. No queria tratar aquilo com leviandade.
Ser que iria amar aquele homem um dia? Que sentimentos eram aqueles que a perturbavam sempre que ele estava por perto? Sabia que no era indiferena. O que esperava dela? Ser que queria ter filhos?
De repente seus olhares encontraram-se, e os olhos verdes fixaram-se nos seus e os prenderam. Beth no fez mais perguntas. Somente o tempo daria as respostas.
Chegara ao altar. Nathan estendeu-lhe a mo, e ela segurou-a, postando-se do lado dele.
A cerimnia foi breve. O padre fez uma rpida pregao sobre a natureza do matrimnio, e os noivos fizeram-se promessas mtuas que, daquele momento em diante, dirigiriam suas vidas. Amar e cuidar. Respeitar. Para os bons e maus tempos. Fidelidade.
Como Nathan se sentiria em relao quelas promessas? O que significavam para ele?
Aps a bno nupcial, o padre disse, sorrindo:
	Agora, pode beijar a noiva.
Quando Beth ergueu o rosto para Nathan, o tremor recomeou. Aquele homem era o seu marido e tinha direitos sobre ela. Ele ia beij-la. No instante em que os lbios de Nathan tocaram os dela, Beth esqueceu o resto do mundo. Tudo o que viu e sentiu foi seu rosto e seu calor. Perdida num tumulto de emoes, ela sobressaltou-se quando Nathan afastou-se, e o padre anunciou aos convidados:
	Eis o sr. e a sra. Nathan Maxwell.
Nathan interrompera o beijo mas continuava com o brao em torno dela. Confiante, ele sorriu para todos e depois encarou Ivan e Clara com firmeza.
O prazer do beijo ficou um pouco embotado, quando Beth suspeitou de que ele a havia beijado com tanto ardor s para demonstrar aos seus sogros que aquele era um casamento verdadeiro. Afinal, era com aquela finalidade que se casavam: afastar Ivan e Clara de Dorie.
De mos dadas, ambos deixaram o altar e caminharam para a sada da igreja e para uma nova vida. Ao chegarem do lado de fora, Nathan tomou-a nos braos outra vez, dizendo:
	Abrace-me. Ivan e Clara esto nos espiando.  Ele beijou-a.
Todos os convidados acercaram-se aplaudindo e congratulan do-os. Beth estava to agitada que precisou forar um sorriso.
Depois de pousarem para inmeras fotos, Ivan aproximou-se sorrateiro.
No pensem que este caso est encerrado  disse num tom ameaador, mas com um sorriso falso no rosto, para que ningum notasse sua hostilidade.  No acredito neste casamento. No passa de uma farsa que vou desmascarar. Maxwell e voc no ficaro muito tempo juntos. Eu estarei observando.
Com esta cerimnia voc apenas conseguiu tempo. Beth. E s.
Nathan, que atendia outros convidados, ouviu a conversa e veio para o lado da esposa, enlaando-lhe a cintura.
	Beth e eu fizemos promessas um ao outro diante do altar. Saiba que pretendemos cumpri-las.
A boca de Ivan contorceu-se numa expresso de descaso.
	Veremos quanto tempo estas promessas duraro. Vocs fizeram uma bela encenao aqui hoje, mas eu ainda no perdi. Beth, espere e ver. Meu advogado vai procur-la  ele disse entre dentes e afastou-se seguido pela esposa.
A mo de Nathan apertou com mais fora o delgado corpo" de Beth.
	No se preocupe. Ele s quis estragar o nosso dia. Est apenas blefando.
	No sei. No devemos subestim-lo, Nathan. No posso evitar a preocupao. O que Ivan vai inventar agora?
Nathan franziu o cenho.
	At termos realmente motivo para preocupao, vamos esquecer que Ivan existe. Vamos relaxar. Um clima tranquilo entre ns  o melhor ambiente para Dorie.
Beth sabia que Nathan tinha razo. J teriam muito com que se ocupar.
Nathan contemplava sua esposa enquanto o motorista dirigia a limusine para o local da recepo. Beth colocara Dorie no colo, mesmo sob o risco de amassar-lhe o vestido. Ao sarem da igreja, ela perguntara se ele se importaria que Dorie fosse junto. A menina queria andar na limusine, pois encantou-se com um carro to grande, diferente dos outros.
Claro que ele no se importava!
Quanto tempo quisera uma criana sua? Quanto tempo pedira a Deus um filho? E h quanto tempo vivia frustrado?
Dorie apontou o dedinho gordo para Nathan e Beth e exclamou:
	Mame... festa!
	Sim, vamos a uma festa. E por isto que voc est com este vestido novo to bonito e tem o cabelo todo enfeitado com flores  Nathan explicou.
	Nathan  Beth disse , nem tive oportunidade de cumprimentar seus amigos. Aquele muito alto  Jeff, de quem falou-me tanto?
	Sim, ele me telefonou dizendo que no importava onde estivesse, largaria tudo para vir ao meu casamento. A mulher dele, Kate, veio tambm. Vamos encontr-los na recepo.
Ser que em breve, ele e Beth seriam realmente marido e mulher? Se ele aceitara um casamento de "fachada", no poderia faltar  sua palavra. Mas era um homem! Talvez numa prxima vez, no conseguisse controlar seu desejo que irrompia cada vez mais forte  menor provocao.
Durante a recepo, organizada pelo melhor bufe da cidade, todos os convidados brindaram  felicidade dos noivos. Beth jogou seu buque do alto da escada, causando o maior alvoroo entre as moas solteiras. A atmosfera era de alegria saudvel.
Durante toda a recepo, Nathan no tirou os olhos de Beth. Admirava sua beleza natural, realada por um leve toque de maquilagem, seu belo vestido cor de prola que a fazia parecer uma rainha. Admirava o modo como ela conversava e sorria para as pessoas sem nunca negligenciar a pequena Dorie.
Quando chegou a hora de cortar o bolo, eles se levantaram, e Beth, aps cortar um pequeno pedao, colocou-o na boca de Nathan, conforme mandava a tradio. Ele pde sentir o sabor dos dedos dela junto com o doce do merengue.
Os olhares de ambos cruzaram-se e, de repente, pareciam estar sozinhos no imenso salo e ningum mais importava. Mas aquela contemplao muda foi interrompida por gritos dos convidados que pediam:
	Agora  a sua vez, Nathan.
Obedecendo, ele tambm partiu um pequeno pedao do bolo e levou-o aos lbios de Beth. Ela corou, e o corao de Nathan disparou.
Depois, eles se sentaram  cabeceira da mesa e receberam mais brindes. Alguns amigos de Nathan fizeram breves saudaes ao novo casal.
De repente, um homem calvo de meia-idade surgiu  porta e olhou de um lado para o outro como se procurasse algum.
Falando bem baixinho para que somente Beth ouvisse, Nathan perguntou:
	Voc viu aquele homem?
	Sim. Por qu?
	Achei que ele tem um jeito suspeito. No o conheo. No  nenhum de nossos convidados. Queria saber quem .
	Talvez seja algum funcionrio do hotel.
	, talvez...
Nathan teve um mau pressentimento, porm no quis afligir Beth com suas suspeitas.
Naquele momento, a orquestra comeou a tocar uma bela melodia muito popular.
Beth e Nathan vir aram-se surpresos, pois no haviam contratado a orquestra do bufe. Porm, Jessie e Gavin comearam a rir e disseram que aquela era uma surpresa que eles tinham programado para os noivos.
Nathan convidou Beth para danar e, quando eles se levantaram, todos aplaudiram. Beth apoiou-se nos braos confortadores de Nathan e deixou-se levar no ritmo da cano que falava de amor. Era to fcil segui-lo... to fcil perder-se nas profundezas daqueles olhos verdes.
Dorie comeou a choramingar. Devia estar cansada. Os dois, ento, preferiram interromper a dana.
Nathan sorriu.
	Pobrezinha. Foi um dia e tanto para ela. Dama de honra no casamento da prpria me. Se voc quiser ir agora, tudo bem para mim, Beth  ele disse.
	Acho que  melhor irmos, sim  ela concordou.
Logo em seguida, todos reuniram-se para se despedirem e mais uma vez desejarem felicidades aos amigos que comeavam uma nova vida.
	Aonde vo passar a lua-de-mel?  Jeff perguntou, curioso.
	No vamos viajar por enquanto  Nathan respondeu, mal disfarando um certo embarao.
Beth interferiu, em socorro da situao.
	Achamos que seria melhor para minha filha se ns... esperssemos um pouco.
Na verdade, ela e Nathan no haviam tocado no assunto de lua-de-mel. Nem lembraram que noivos tradicionais tm lua-de-mel.
Nathan permaneceu em silncio.
	Bem, quando se decidirem podem usar o meu stio perto de Washington para o idlio  Jeff ofereceu.  Ser um prazer.
	Obrigado, Jeff. Voc  um grande amigo, e seu stio  lindo. Pensaremos no assunto.
Ainda na limusine, de volta a casa, Dorie adormeceu no colo da me, mas quando chegaram, ela acordou.
	Qual  a rotina dela?  Nathan quis saber.  Gostaria de ajudar.
Beth sorriu, encantada com o interesse dele. Nem Mark mostrara tantos cuidados.
	Hoje praticamente no haver rotina. Dorie deve estar exausta por isto no vai ser preciso ler uma histria. Vou apenas trocar o vestido de festa por um pijama e nin-la um pouco at ela adormecer outra vez.
	Posso fazer isto por voc?  Nathan pediu.
Beth compreendeu o pedido. Nathan mal podia esperar para assumir seu papel de pai.
	Dorie, quer que Nathan coloque voc na cama hoje?  ela perguntou  filha. Ele vai morar aqui agora e quer tomar conta de voc tambm junto com a mame.
	Mame fica aqui?  a criana perguntou.
	Se voc quiser, eu fico sim.
Nathan sentou-se na cadeira de balano e comeou a embalar a menina. Em poucos minutos, ela estava profundamente adormecida. Nathan levantou-se e levou-a para a cama.
Os dois voltaram  sala, um pouco desconcertados, sem saber ao certo o que dizer, ou que fazer.
Beth aproximou-se um pouco.
	Queria agradecer-lhe muito. O casamento, a recepo, a limusine, tudo.  Ela tocou o colar de gua-marinha no pescoo.
 E por esta linda jia.
No precisa me agradecer, Beth. Foi o meu casamento tambm, lembra? E agora  a nossa primeira noite. A noite de npcias. Onde quer que eu durma?

CAPITULO VI

Ocorao de Beth quase parou diante daquela 'pergunta. Os pensamentos mais loucos cruzaram sua mente. O que responder? Venha para o meu quarto? L  o seu lugar. "No podia. Ainda era muito cedo. Sabia que havia apenas uma resposta possvel para dar a Nathan naquela noite.
	Espero que fique bem instalado aqui na sala. Este sof  grande e se transforma em cama.
	Muito conveniente  ele disse, num tom estranho.
	Nathan...  ela comeou, esfregando as mos uma na outra, mas como no sabia bem o que dizer, calou-se hesitante.
Ele afrouxou o n da gravata.
	No fique constrangida, Beth. Eu disse que no iria cobrar nada ou pression-la e no irei. Agora, apenas gostaria de me pr  vontade. Foi um dia e tanto para mim tambm. Quero apanhar minhas coisas no seu quarto e mudar de roupa aqui.
Beth sentia-se tmida, confusa e totalmente abalada com a presena de Nathan em seu apartamento. Ele no era mais uma simples visita. Morava ali. Era a casa dele tambm. Ela seguiu-o at o quarto.
	Fique  vontade  disse.
Enquanto ele retirava um pijama de seda da gaveta, Beth abriu uma outra gaveta e pegou um pequeno pacote.
Nathan passou por ela de volta  sala, e Beth deteve-o, pegando no brao dele de leve.
	Tenho uma coisa para voc, Nathan. Tambm  um presente de casamento  ela disse com a voz um pouco trmula. Oh! Beth, voc me deixa sem palavras com esta lembrana to delicada, mas realmente no devia...  ele comentou, mas foi interrompido por um gesto de Beth que estendeu-lhe o pacote.
	Gostaria que voc aceitasse. Era de meu pai  ela falou baixinho.
Depois de desembrulhar o presente, Nathan tirou um prendedor de gravata de ouro de dentro de uma caixa.
	 uma jia antiga muito bonita. Voc tem certeza de que quer me dar uma coisa que pertencia a seu pai?
	Tenho. Voc  a pessoa certa para ficar com ele.
Segurando o queixo de Beth, Nathan ergueu-lhe o rosto, e ela percebeu que ambos beiravam uma rea perigosa. A rea dos sentidos, das vibraes, e das sensaes to difceis de controlar.
Ao inclinar-se para dar-lhe um beijo de agradecimento, Nathan sentiu uma chama acender-se dentro dele e o inflamou. Quando seus lbios tocaram os dela, eles no pediam, exigiam uma resposta. Com a lngua invasora descerrou-lhe os lbios, e Beth nem pensou em resistir.
A medida que ele apertava-a com mais fora e beijava-a mais profundamente, Beth cedia deixando-se mergulhar num universo de prazer at ento desconhecido para ela.
Com um esforo sobre-humano, Nathan interrompeu o beijo. Com a respirao curta e voz alterada, disse afastando-se:  Desculpe,  melhor eu voltar para a sala e abrir o sof. Depois, deixou o quarto e fechou a porta sem fazer rudo. Trmula, Beth apoiou-se na cmoda pois pareceu-lhe que suas pernas no a sustentariam mais. S ento notou que Nathan esquecera o pijama sobre a cama. Deveria ir  sala, entregar-lhe? No. Melhor no arriscar outro beijo, pois ela mesma poderia cham-lo para o seu quarto. Nem por Mark sentira-se atrada daquela forma. Que estaria ocorrendo com ela? Deixaria primeiro passar o tumulto de seu corpo e de sua alma para depois aparecer na frente de Nathan outra vez.
Aps retirar a sofisticada maquilagem do rosto, Beth despiu o vestido de noiva e vestiu uma simples camisola de algodo, sem adornos e nada sexy. Por cima, colocou um robe e amarrou-o com cuidado na cintura. Ento, bateu  porta da sala e entrou. Nathan estava de p, espiando pela janela, nu da cintura para cima. A pele bronzeada, os msculos dos braos e os ombros largos davam uma tal impresso de fora que Beth ficou parada, olhando-o, sem dizer nada. Finalmente, ela recuperou a voz e conseguiu perguntar num tom casual:
	Nathan, o que est acontecendo l fora? Alguma coisa errada?
Ele virou-se e fixou o olhar no decote da camisola de Beth que aparecia sob o robe.
	No h nada errado. Pareceu-me ouvir um carro aqui em frente, mas me enganei. Uma penugem castanha cobria o peito dele. Aquela era sua noite de npcias, pensou Beth. Aquele homem fabuloso era seu marido. Uma onda de ardor enrubesceu seu rosto diante das imagens que invadiram sua mente. Disfarando, colocou o pijama dele em uma cadeira e disse:
	Vou buscar lenis e fazer a cama para voc. Devia ter me lembrado disto h mais tempo. Desculpe.
Enquanto mexia no armrio, Beth dizia a si mesma para respirar fundo e acalmar-se. Ao voltar  sala, Nathan ajudou-a a fazer a cama. Eles trabalharam em silncio at os lenis ficarem perfeitamente esticados.
	Se quiser usar o banheiro primeiro, pode ir, Nathan.
	No, no. Pode ir voc. Deve estar muito cansada. Ah! Deixe-me perguntar uma coisa. Se eu ligar a televiso, vou incomod-la?
Ela sacudiu a cabea.
	Tem problema de insnia?  ela perguntou, preocupada.
	No com muita frequncia. Mas hoje poder ser uma destas noites.
Beth entendeu perfeitamente o que ele queria dizer. Tudo parecia to estranho, to perturbador. S de v-lo semidespido no meio do seu apartamento...
Saindo da sala, ela avisou:
	Chamo voc quando desocupar o banheiro. Prometo no demorar.
Enquanto completava a toalete, Beth dizia a si mesma que tudo ficaria mais fcil com o tempo. Precisava apenas acostumar-se com aquela nova rotina em sua vida.
A campainha da porta soou, e Nathan sentou-se rapidamente no sof. Passara a maior parte da noite insone e inquieto, remexendo-se de um lado para o outro e s ao amanhecer conseguira conciliar um sono leve.
Beth veio correndo do quarto, os cabelos loiros revoltos com mechas caindo sobre o rosto e o robe de cetim escorregando sobre um ombro. Nathan segurou-a pelo brao.
	Bom dia, Beth. Espere um pouco  ele pediu.
Surpresa, ela indagou:
Por qu? Voc no ouviu a campainha?
Soltando-lhe o brao, ele entregou-lhe o travesseiro e os len
is com os quais dormira.
	Leve isto para o seu quarto. Acho que sei quem est a fora.
Mais uma vez insistiram na campainha.
	Faa como eu disse.  melhor ficarmos prevenidos.
Com gestos rpidos e decididos, Nathan fechou o sof-cama, deu uma olhada em torno e s ento foi abrir a porta.
O homem com quem ele se deparou tinha cabelos grisalhos, era um pouco calvo e usava um uniforme azul. Nathan reconheceu-o. Era o mesmo homem que ele vira espiando os convidados durante a recepo do casamento.
O estranho sorriu de maneira agradvel e pediu licena para mostrar seu documento de identidade.
	Sou do Departamento de Agua e Esgoto. Recebemos uma queixa do sndico deste condomnio, dizendo que a gua est chegando s torneiras com muita ferrugem em alguns apartamentos. Vocs tm este problema aqui tambm?
O pretexto pareceu a Nathan muito mal elaborado. Alm disto, ele reparou que no havia nenhum veculo oficial estacionado em frente ao prdio. O documento de identidade poderia ser falso. No entanto, para ganhar tempo e certificar-se de que era mesmo o que suspeitava, ele pretendeu interessar-se pelo assunto. Virando-se, perguntou:
	Beth, querida, venha aqui um minuto. Este senhor do Departamento de gua e Esgoto quer saber se nossa gua est vindo com ferrugem ou se tem qualquer outro problema.
Quando Beth chegou ao lado dele, Nathan enlaou-o com intimidade pela cintura e apesar de senti-la enrijecer, continuou falando.
	O senhor sabe, ns nos casamos ontem e nem notamos nada de diferente com a gua. Voc notou alguma coisa, meu bem?
	No, nada  ela negou, apoiando-o.
O estranho pareceu hesitar, como se quisesse dizer mais alguma coisa. Mas, desistiu e despediu-se.
Ento, desculpem-me pela inconvenincia. Vou checar com os outros condminos. Passem bem e bom dia.
E com aquelas palavras, ele retirou-se. Com relutncia, Nathan afastou-se de Beth, soltando-lhe a cintura delicada.
Jogando os cabelos para trs, ela perguntou:
	Mas o que est acontecendo exatamente? O que significa isto? No entendi nada.
	Tenho quase certeza de que este homem  um detetive particular contratado por Ivan Warren, para nos espionar. Ele no disse que estaria sempre nos observando?
	Voc acha mesmo que pode ser um detetive?  Beth indagou, espantada.
	Acho. Mas no se preocupe. Fique calma. Descobriremos. Que tal fazer uma visita  minha loja? Tenho muito orgulho dela e quero mostr-la a voc. Assim, teremos tambm a oportunidade de ver se estamos sendo seguidos.
	E se estivermos? O que devemos fazer? Isto  totalmente inesperado.
	Se aquele homem vier atrs de ns, ento saberemos que est nos espionando. De agora em diante, devemos estar sempre de sobreaviso. Quando estivermos fora de casa temos de nos comportar como verdadeiros recm-casados. E quando estivermos dentro do apartamento, seria bom deixar as persianas fechadas. No andar trreo, ele pode espreitar com lentes zoom.
	Que droga! Como se j no sofrssemos presso suficiente  Beth reclamou, alisando os cabelos com os dedos, num gesto que Nathan j reconhecia como sinal de nervosismo.
	J est arrependida de ter se casado?
Beth olhou-o fixamente e baixou os olhos.
	No, no  isto. Apenas tenho arrepios de revolta.  difcil suportar a vida como se estivssemos expostos num aqurio.
Ele sorriu, com a comparao.
	Posso fazer alguma coisa pelos seus arrepios?
	Sim. Vista-se  ela pediu e deu uma sbita risada nervosa. O que foi como um remdio para aliviar a tenso entre eles.
	Visto-me se voc fizer um caf para mim.
Com um sorriso tmido, Beth perguntou:
	Prefere forte ou fraco?
	O mais forte possvel  ele respondeu, trancando-se no banheiro.
	Ento, sra. Beth Maxwell, ficar perto de mim seminu deixa-a nervosa? Descobrir isto, valeu o dia  Nathan falou baixinho, sorrindo para a prpria imagem, refletida no espelho.
Dirigindo o carro para Roanoke, Nathan olhava a todo instante pelo espelho retrovisor.
	Aquele homem vem atrs de ns. Eu estava certo,  um detetive mesmo. Vamos ver se conseguimos despist-lo e escapar  Nathan afirmou, ao verificar que estavam sendo seguidos.
Beth parecia preocupada.
	Fique calma, Beth. Voc sabe que eu no faria nada que pudesse arriscar a sua segurana e a de Dorie.
	 que eu tenho pavor, trauma mesmo, de corrida, do barulho dos freios nas curvas. Fico descontrolada. E voc sabe que tenho meus motivos para isto.
	Deixe-me cuidar do nosso amigo a atrs. Vou entrar por algumas vielas que conheo bem. Se ele no as conhecer tambm, vai se perder.
Aps algumas voltas e correrias e sem grande esforo, viram-se livres do detetive. Com aquele problema resolvido no momento, Nathan dirigiu-se para a sua loja. L chegando, ele tirou Dore de seu assento e conduziu Beth por uma espcie de depsito que continha todo tipo de equipamentos esportivos.
Nathan tinha muito orgulho da loja e do negcio que ele prprio montara. Elaine fora muito ctica, quando Nathan deixara um excelente emprego como vice-presidente de uma grande editora e comprara aquela loja que dava prejuzo aos proprietrios. Porm, em seis meses, com um bom aconselhamento de relaes pblicas e com a modernizao de alguns setores, a loja floresceu novamente. Assim, ele provara a Elaine e a si mesmo que era um bom administrador.
Beth encantou-se ao ver tantos aparelhos. Muitos ela conhecia s por intermdio da televiso. Nathan observou que ela se divertia de verdade experimentando patins e jogando bola com Dorie. As duas riram s gargalhadas, como Nathan nunca vira. No havia dvida de que ambas estavam adorando a novidade.
	Quer levar esta bola para brincar em casa, Dorie?  ele perguntou.
A criana disse que sim com a cabea, e ele abraou-a. Depois, chamou Beth.
	Venha ver os assentos de bicicleta para crianas.
Em meio a vrios feitios e cores, Beth escolheu o que mais lhe agradou e alm disto, sugeriu um capacete tambm.
	Sim, claro  concordou Nathan.  So todos excelentes, deixe que Dorie escolha agora. Ah! Beth, se voc quiser, eu  posso trazer a bicicleta de Mark para c e vend-la. Muitas vezes, meus clientes me pedem artigos de segunda mo.
Mal acabou de pronunciar aquelas palavras, viu que cometera um erro. Beth mordeu o lbio e seus olhos azuis tornaram-se mais escuros.
	Quando eu achar que est na hora de me desfazer da bicicleta de Mark, eu aviso voc.  E virando-se para Dorie, colocou-lhe um capacete na cabecinha loira.
No querendo ficar mais tempo na loja, ele recolheu o capacete, o assento e a bola e props voltarem para casa. Durante todo o trajeto, Beth ficou silenciosa e por mais que Nathan tentasse, no conseguiu levar nenhum assunto adiante.
Ao chegarem em frente ao prdio, uma surpresa: o carro do detetive estava l, estacionado.
	Que coisa!  Beth exclamou, irritada.  Acho que por enquanto no adianta tentarmos nos esconder dele. ,
	. Tambm penso assim. Mas precisamos nos comportar como recm-casados. Pelo menos enquanto ele estiver nos observando.
Beth no fez nenhum comentrio. E ela tambm no seguiu o conselho de Nathan. Pegando Dorie no colo, entrou no prdio sem esperar por ele, deixando-o para trs sozinho. Nada tpico de uma feliz recm-casada.
Durante o almoo, uma desagradvel atmosfera pairava no ar. Quando terminaram a rpida refeio, Beth comeou a arrumar a cozinha.
Ao longo de seu casamento com Elaine, Nathan muitas vezes vivera aquele clima de silncio e ressentimento que crescia entre eles e que aos poucos minou a relao. Falta de comunicao era um dos mais graves pecados em um casamento. Ele no queria repetir o mesmo erro. No queria que Beth escondesse seus pensamentos e se isolasse no silncio.
	Dorie j est dormindo?  ele perguntou.
Sem interromper o que fazia, ela respondeu:
	Est.
Aps uma breve hesitao, Nathan aproximou-se mais e disse:
	Sinto muito ter melindrado voc com minha sugesto sobre a bicicleta de Mark.
Sem encar-lo, Beth falou:
	Voc no pode me pedir para apagar todos os traos de Mark da minha vida, como se nunca o tivesse amado. No posso. Ele  o pai de Dorie  ela retrucou com voz trmula.
A consternao de Nathan transpareceu no seu rosto msculo juntamente com o desejo de fazer aquela unio dar certo e de tornar Beth sua esposa em todos os sentidos.
	Mas Mark est morto, e eu estou aqui. Quero ser o pai de Dorie e ser seu marido de verdade. Quero que voc se sinta to ligada a mim como eu estou a voc.
	Eu o entendo, Nathan. Mas isto no pode acontecer da noite para o dia.
A mo forte e bronzeada de Nathan deslizou sobre os cabelos loiros de Beth.
	No pode?  ele indagou, baixando a voz.  Algumas coisas acontecem da noite para o dia, sim. Desde o primeiro momento em que a vi, eu a desejei. No precisei de tempo.
	Mas eu preciso. Um pouco mais de tempo e de... espao. 
Inclinando a cabea para ela, ele baixou a voz ainda mais.
	Acho que preciso lembr-la de que recm-casados no preenchem suas horas vagas arrumando cozinhas. O homem contratado por Ivan pode estar nos observando.
Beth sabia, no ntimo, que lutava contra a enorme atrao que Nathan exercia sobre ela e contra seu crescente envolvimento. Ele era sexy demais.
Beth fitou o queixo firme, os lbios bem marcados e os olhos verdes sempre com aquele brilho perigoso. Desviou o olhar dos plos que se insinuavam sob a gola da camisa dele. Era difcil raciocinar direito com aquela presena viril  sua frente.
Quando deu por si, j estava com os seios apertados contra o peito forte de Nathan, sentindo seu calor penetrar-lhe a pele. Como j acontecera antes, todo seu corpo se arrepiou sob o toque dele. Aproveitando-se de sua hesitao, ele pressionou mais o corpo contra o dela, apossando-se dos lbios rseos e carnudos, com determinao.
Mesmo tento sido correspondido, aos poucos Nathan diminuiu as caricias e a intensidade de seus beijos e, por fim, deixou-a livre de seus braos. Parado, com a respirao ofegante, ele apenas olhava-a  espera de sua reao. Mas Beth no sabia como reagir. Estava por demais dividida entre o conflito de entregar-se sem restries e uma natural precauo.
Para permitir-se um tempo, ela abaixou-se para recolher um pano de prato que cara e falou numa voz controlada:
	Talvez pudssemos dar uma volta de bicicleta no parque depois do jantar. Assim, Dorie poder experimentar o novo assento.
Nathan acariciou-lhe o queixo suavemente.
	Devamos ter aberto a janela para o detetive ver nosso beijo.
Beth corou.
	Pois eu acho que voc devia ter quebrado a mquina fotogrfica dele.
Nathan riu baixinho, diante da revolta de Beth.
	Enquanto voc acaba de arrumar a cozinha, eu vou ler os jornais. Se quiser abrir as persianas e juntar-se a mim, no sof...
O sorriso desapareceu dos lbios dele, ao ver que Beth no fazia nenhum comentrio.
	Sei que suas recordaes do casamento com Mark so muito especiais, Beth, e que isto tudo  muito difcil para voc. Ainda quer passear no parque?
	Quero  ela respondeu sem grande euforia.
Quando Nathan foi para a sala, Beth ficou pensativa. Sem dvida, andar de bicicleta no era to atraente quanto sentar-se no sof ao lado dele, mas... era mais seguro.
Dez dias depois, Beth pedalava sua bicicleta na rea do complexo de edifcios onde morava, olhando de vez em quando por sobre o ombro para ver se Dorie e Nathan seguiam atrs. A medida que o tempo passava, sua atrao por Nathan aumentava. Eles haviam estabelecido uma agradvel rotina. Pelo menos, era confortvel para Beth, pois Nathan estava fora de casa durante todo o dia, mantendo-se ocupado no trabalho. T-lo por perto deixava-a cheia de ansiedade.
De manh, quando ambos cruzavam-se pelos cmodos da casa, ela sempre se perturbava ao v-lo na intimidade. Exceto pelo olhar desejoso que s vezes ele lhe lanava, jamais a tocara outra vez. Nathan estava dando o tempo e o espao que ela pedira, e Beth disse a si mesma que devia sentir-se grata pela pacincia dele.
No entanto, com uma frequncia irritante, uma vozinha dentro dela sussurrava: "No quer que ele a beije outra vez"?
Sim, queria. Mas, por mais contraditrio que fosse, queria e temia outro beijo. s vezes, ainda sentia saudade da vida que levara com Mark, mas a imagem do marido se distanciava e cada vez mais Nathan ocupava seus pensamentos. O corao de Beth se rejubilava ao ver a atitude de Nathan com Dorie. Sempre brincalho, carinhoso e paciente. Desempenhava o papel de pai com perfeio.
Nathan veio pedalando para o lado de Beth.
	Hoje ainda no vi o carro do nosso amigo detetive. Talvez Ivan tenha se cansado e desistido de nos espionar  ele disse.
Eles vinham se comportando como Nathan sugerira. Quando saiam de casa, ambos davam a impresso de um casal feliz. Segundo suas previses, Ivan ia acabar se aborrecendo com um investigador que no descobria nada til para desacreditar o casamento.
Aps mais algumas voltas, eles guardaram as bicicletas no subsolo do prdio, e Nathan levou Dorie para dentro.
Como estivessem sedentos aps o exerccio, Beth preparou suco de laranja para os trs. Entrando na sala, notou que a luz da secretria eletrnica piscava, anunciando uma chamada. Ela acionou a mquina e ouviu uma voz feminina.
	Nathan, aqui  Elaine. Gostaria muito de falar com voc. Devo viajar, mas volto domingo  noite. Chamarei de novo na segunda. Voc pode me chamar, se quiser. Meu telefone ainda  o mesmo. Tchau.
	Elaine  sua ex-esposa, no ?  Beth perguntou, comeando a ocupar-se de Dorie com agitao.
	Sim. Ficamos to pouco tempo l fora que talvez ainda a encontre em casa  Nathan falou, dirigiu-se ao telefone e discou.
"Ah! Ento, ele ainda lembra o nmero do telefone dela", Beth pensou.
Aps alguns segundos sem resposta, Nathan desligou o aparelho.
	Em que Elaine trabalha?  Beth quis saber, incapaz de conter a curiosidade. Afinal, ele jamais lhe falara sobre seu primeiro casamento, e ela tambm tinha alguns direitos.
	Elaine  responsvel pela contabilidade de uma editora muito grande e importante.
	Vocs dois ainda mantm contato com frequncia? Costumam se telefonar?
	No, desde o divrcio que no nos falamos. Estou at bastante intrigado com este telefonema.
	Voc tem alguma ideia do que ela possa querer falar com voc?
	Nenhuma.  Ele examinou o rosto expressivo de Beth.  Voc se incomoda com o fato de ela querer falar comigo e ligar para c? Para falar a verdade, no sei como Elaine me descobriu aqui. Eu no lhe comuniquei nada.
Beth sentia-se faminta e abriu um pacote de biscoito.
	Imagine! Claro que no me incomodo. Voc mora aqui, e as pessoas devem procur-lo aqui.
Naquele momento o telefone tocou outra vez, e o assunto morreu para alvio de Beth. Nathan atendeu ao chamado e depois passou-lhe o fone.
	Hum... Acho que  sua sogra.
	Minha sogra? Meu Deus! O que ser agora?
Enquanto Beth falava com Clara Warren, Nathan atendia Dorie.
"Como Dorie se parece com a me", ele pensou, "os mesmos olhos azuis imensos, os mesmos cabelos sedosos e dourados".
De tempos em tempos, ele volvia o olhar para Beth.
"Minha mulher", disse para si mesmo.
Nathan fazia um esforo sobre-humano para dar a Beth o tempo e o espao que ela pedira. Mas como era difcil! O que realmente queria era peg-la nos braos e carreg-la para a cama. Beij-la, acarici-la. Mas no era s sexo que queria. Queria mais. Queria viver toda sua vida ao lado dela.
O pensamento de Nathan voltou-se para o telefonema de Elaine. O que ser que ela queria? Deveria ter aproveitado aquela oportunidade para falar com Beth sobre seu casamento e por que ele fracassara. Ela tinha o direito de saber que, caso vivessem maritalmente, no poderiam gerar filhos. Existiam tantas perguntas e dvidas na cabea de Nathan sobre sua relao com Beth, que no sabia express-las com palavras.
E se, ao saber da possibilidade de no ter filhos, ela quisesse se divorciar, como fizera Elaine?
Sua ex-mulher dissera adeus com tanta facilidade! Como se nunca o tivesse amado.
Beth continuava ao telefone, ouvindo Clara.
	Terei de perguntar a Nathan  ela disse.  Depois que discutirmos este assunto, eu lhe telefono e dou a resposta.
Em seguida, despediu-se e desligou.
	O que Clara queria com voc? O que Ivan est nos preparando agora?  Nathan perguntou, bastante curioso.
Beth sentou-se na frente dele.
	Hum...! Estou muito surpresa. Nem sei se devo dar crdito, mas parece que eles decidiram que, se continuarmos inimigos, no ser bom para Dorie. E... voc no vai acreditar. Convidaram-nos para passar o final de semana no chal delesnas montanhas.
	 difcil acreditar, sim. No sou muito crdulo. O que acho  que, como o detetive contratado no conseguiu descobrir nada sobre ns, Ivan quer descobrir ele mesmo  Nathan disse, irritado.

CAPITULO VII

O rosto de Beth era um espelho de seu ntimo. 'Dizia tudo. Seus grande olhos azuis no ocultavam nada de Nathan. Ele admirava a incapacidade de dissimulao e a honestidade dela.
"Se ela no esconde nada, ento por que no lhe conta o motivo de seu divrcio"? Aquela voz interior interferiu dentro de sua cabea.
Mas, aquele no era um bom momento. Assim que tivesse uma oportunidade, abordaria aquele assunto detestvel. Talvez durante o final de semana, no chal de Ivan e Clara.
	No podemos pedir a Clara um quarto separado, voc concorda, no  mesmo?  Nathan insistiu, achando que talvez conseguisse uma reviravolta na situao.
O rubor nas faces de Beth mostrava que ela tambm estava ponderando as consequncias de aceitar o convite.
	Ento, voc acha que  melhor no irmos?  ela indagou.
	No, no foi o que quis dizer. Se aceitarmos este convite, talvez eles tambm aceitem nosso casamento e retirem o pedido de custdia de Dorie.
	Mas teremos de dormir no mesmo quarto, na mesma cama  ela interps baixinho.
Nathan levantou-se impaciente. Apesar de tudo, compreendia que se Beth no estivesse pronta para a sonhada e desejada reviravolta, ele no deveria pression-la.
	E um preo que teremos que pagar. Voc no precisa despir-se. Durma vestida, para maior segurana.  Ele no pde evitar a ironia.  Quanto a mim, dormirei no cho. Acha que no saberei me controlar e que vou atacar voc?
A frustrao masculina transformou-se numa irritao que, no ntimo, Nathan sabia que Beth no merecia.
Ela percebeu a revolta dele e, embora um pouco magoada, ergueu a cabea e numa postura altiva, encarou-o.
	Eu acredito que voc possa fazer qualquer coisa a que se proponha. Tem muita fora de vontade. Tambm sei que no se casou comigo para viver sob subterfgios e fingimentos. Tambm odeio esta situao, Nathan. Nenhum de ns dois contou com esta perseguio de Ivan. Pensvamos que o casamento resolveria o meu problema e o de Dorie. Mas, se agindo assim, ele nos deixar em paz...
	Sim.  por isto que acho que vale a pena irmos para o chal. Faremos tudo que for preciso para sobrevivermos ao final-de-semana.  Nathan procurou dar um tom calmo  conversa, mantendo, sob controle, a emoo e a tenso sexual que Beth sempre lhe provocava.  Telefone para sua sogra e diga que conversamos e aceitamos o convite. Se  que voc confia em mim o suficiente para dormir junto comigo no mesmo quarto. O que diz?
	Casei com voc porque senti que era um homem no qual eu podia confiar. Vou telefonar para Clara, sim. E agora mesmo.
Nathan caminhou at a geladeira e retirou alguns cubos de gelo para pr no seu suco. Iria precisar de muito mais que uns cubos de gelo para baixar sua temperatura quando dormisse to perto de Beth. 
Sentada no carro ao lado de Nathan, Beth avistou o telhado pontiagudo do chal dos Warren entre os altos pinheiros, tpicos daquela regio montanhosa. Estivera ali apenas uma vez, anos atrs, quando ela e Mark tinham ficado noivos.
Enquanto Nathan dirigia pela estrada sinuosa, Beth examinava-o em silncio. Como era insinuante! Que ombros fortes!
Nathan trabalhara muito na vspera e chegara em casa tarde. Beth sentira sua falta. Seu apartamento pareceu-lhe vazio e triste. No ouvira a risada dele ao brincar com Dorie. Gostava de saber que ele estava por perto.
Nathan estacionou o carro diante do chal e pegou a valise. Carregando Dorie no colo, ele subiu ao lado de Beth os degraus de tijolos vermelhos que levavam  porta da frente.
Antes mesmo que Beth tocasse a campainha, Clara abriu a porta como se j os tivesse visto e com um largo e simptico sorriso, deu-lhes as boas-vindas.
	Oh! Beth, como estou contente que vocs tenham decidido vir at aqui  ela disse e estendeu os braos para Dorie.  Que bonequinha loira! Sabe quem eu sou? Sou sua vov. Quer vir comigo, querida?
Dorie escondeu a cabea no ombro de Nathan, mas Clara no desanimou.
	Voc no me v h muito tempo, mas vai se acostumar  comigo, viu? E tenho uma surpresa para voc. Seu vov Ivan comprou um carrossel que roda de verdade e cavalinhos que vo para baixo e para cima, como em um parque de diverso.
Ao ouvir falar em cavalos, Dorie levantou a cabea.
	Cava...o?  ela perguntou, com o olhar atento.
	So cavalos de mentirinha, querida  Beth explicou.  Ns costumamos lev-la para cavalgar conosco num haras co
nhecido de Nathan. Ela adora cavalos.
	Ah!  bom saber. Talvez possamos dar um pnei de presente para ela  Clara sugeriu.
Nathan interrompeu a exagerada animao de Clara.
	Vamos primeiro ver como ser esta nossa visita. Depois, ento, podemos fazer planos a longo prazo.
Beth e Nathan tinham concordado em no tocar no assunto do detetive para no criar um clima desagradvel.
O olhar de Clara ia de um para o outro, sem perder nada.
	Espero que vocs possam aproveitar as montanhas.  um lugar muito bonito, e o ar  puro. Seria timo se ficassem mais do que um fim-de-semana. Bem, o almoo est quase pronto. Vou chamar Ivan. Ele est trabalhando no estdio de fotografia, que  o seu hobby. No se preocupem com a bagagem. Vou mandar um dos empregados lev-la para os quartos.
	Quartos?  Beth perguntou, surpresa.
	Ah! Sim. Eu preparei dois quartos. Um seria para vocs e outro para a minha neta. Mas h uma porta ligando os dois.
Lanando um olhar significativo para Nathan, Beth ficou imaginando o que ele acharia daquele arranjo. Acharia frustrante? Mas a expresso dele era uma incgnita. No se podia adivinhar nada do que pensava.
Beth estava bem consciente da crescente tenso entre eles, desde que haviam aceitado o convite. Quanto a ela prpria, achava desconcertante o fato de no conseguir esquecer o telefonema da ex-esposa de Nathan. Sbito, um pensamento cruzou sua mente. E se Elaine quisesse uma reconciliao? Ele gostaria de recuperar seu casamento?
Ela nunca encontrara um homem que soubesse tanto o que queria. E que fosse to carinhoso. Amara Mark, mas sabia que ele era muito egosta. Era rebelde, adorava a velocidade. Muitas vezes preferira a companhia de outros amigos motociclistas a dela, deixando-a sozinha. Mark dava pouca importncia  vida familiar. Aquele pensamento de certa forma tambm lhe pareceu uma traio. Seria possvel que aps a morte do marido, estivesse idealizando-o ou ao seu casamento?
Nathan, por outro lado, queria pertencer a uma famlia e sempre a consultava antes de planejar qualquer coisa. Com Mark, muitas vezes sentira-se solitria. Com Nathan, sentia estranhas e diferentes vibraes e... ternura. Estaria apaixonando-se pelo novo marido aos poucos?
Durante o almoo, aquela sensao de estar se apaixonando no deixou Beth. Mesmo os olhares glaciais de Ivan, a conversa ininterrupta de Clara e as demandas de Dorie, nada afastava seu pensamento da noite que se aproximava.
A tarde passou rpida.
No apartamento deles havia uma sala separando-os, mas agora estariam a ss no mesmo quarto com uma s cama.
A pequena Dorie ficou encantada com as cores e os rodopios do carrossel e queria passear sem parar. Ivan filmou todos aqueles momentos da neta e parecia contente, chegando at a sorrir. Beth quase sentiu pena dele, por seu temperamento autoritrio, sua atitude rgida, sua necessidade de controlar tudo e todos  sua volta e que acabara afastando o nico filho.
Aps inmeras tentativas da parte de Clara, Dorie por fim aceitara suas brincadeiras, e as duas corriam uma atrs da outra, em meio a risadas.
Durante o soberbo jantar que Clara providenciara, eles permaneceram sentados em torno da mesa por um tempo, falando sobre amenidades. Nada que lembrasse a discrdia que existia.
Por fim, Nathan e Beth pediram licena para dar uma volta pelo jardim antes de Dorie dormir. Beth estranhou o silncio dele muito desconfortvel e perguntou:
	Voc acha que Clara sabe alguma coisa sobre o detetive que Ivan contratou?
	Quem pode saber? Talvez sim, talvez no. Voc os conhece melhor que eu. Mas penso que Ivan  o tipo de homem que gosta de guardar seus segredos.
	Mark uma vez me contou que Clara desconhece por completo a situao financeira deles. Ivan espera que ela acate todas as suas decises sem questionar nada. Ele odiava a passividade da me. No posso imaginar um casamento como este, sem nenhuma comunicao, cheio de segredos.
	Imagino, ento, que voc e Mark no tinham segredos um para o outro  Nathan comentou.
A verdade  que Mark tivera uma tendncia a seguir o comportamento do pai, mesmo sem perceber. No entanto, Beth no era uma segunda Clara e sempre cobrara conversas abertas com o marido e tambm nada lhe escondia.
	Ns tentamos.  tudo que um casal pode fazer: tentar  ela respondeu.
Beth queria deixar uma brecha para que Nathan falasse do seu prprio passado e de seu casamento. Porm, dentro em pouco, Clara foi ao encontro deles, e a conversa cessou.
	Posso ajudar a pr Dorie na cama?  ela pediu, com humildade.
Beth sorriu, pois sua sensibilidade aguada dizia-lhe que Clara queria realmente estar prxima  neta.
	Bem, vou primeiro dar banho nela e depois lev-la para a cama. Se no se importa de receber uns bons respingos...
	Oh! No, claro que no me importo. Sinto saudade do tempo em que tinha um beb para dar banho.
Ivan aproximou-se.
	Vocs j vo dormir tambm? Querem tomar alguma coisa?
Nathan inclinou-se para Beth e passou o brao sobre seus ombros.
	Acho que no vamos beber nada, no  Beth? Obrigado, sr. Warren.
Durante o dia inteiro, Nathan evitara tocar em Beth. Agora o peso do brao dele e o calor de sua pele enviaram uma corrente eltrica que a percorreu dos ps  cabea. A intimidade com que ele a abraava dizia a Ivan que eram recm-casados, apaixonados um pelo outro.
Beth compreendeu, ento, que gostaria muito que fossem recm-casados realmente.
Dentro do espaoso e bem decorado quarto de hspede, Nathan caminhava de um lado para outro. Clara e Beth estavam trancadas no banheiro, dando banho em Dorie. Ele decidira deix-las  vontade. O que devia fazer era tambm tomar um banho, mas um banho gelado para aplacar a febre que o consumia.
Parando sua caminhada, passou as mos pelos cabelos escuros, cheio de frustrao.
Como seria possvel dormir ao lado de Beth? Dormir? No conseguiria. Quando insistira com ela para que aceitasse o convite dos sogros, no imaginara que seria to frustrante. Contudo, havia feito uma promessa e tencionava cumpri-la. Beth e Dorie significavam muito para ele. Logo, seria um cavalheiro. Manteria as mos longe de Beth, nem que tivesse que dormir na grande banheira de mrmore.
Percebendo que o banho da menina j acabara. Nathan bateu  porta do quarto para dizer boa noite a Dorie.
Clara sorriu-lhe. Parecia muito contente.
	Ela j est quase dormindo. Se vocs precisarem de alguma coisa,  s nos chamar. Boa noite.
Quando Clara saiu, Nathan suspirou de alvio. Mas, logo em seguida, deparou-se com Beth. Sua blusa estava toda molhada. Podia entrever a renda branca de seu suti atravs da transparncia do tecido. Seu corpo reagiu imediatamente, e ele mal conseguiu reprimir um gemido.
	Se voc quiser tomar uma ducha, pode ir. Vou esperar  ele disse.
	Acho que vou preferir um banho de imerso. Talvez me ajude a relaxar. Banhos de imerso sempre me fazem adormecer mais rpido.
Nathan trouxera um romance de espionagem e esperava que a leitura o ajudasse a relaxar tambm, mas no estava muito otimista. Sentado em uma cadeira de balano, dizia a si mesmo que dormiria ali.
O som da gua correndo no banheiro chamou-lhe a ateno. Estaria Beth tirando a roupa? Claro! No ia tomar banho?
Aquele pensamento trouxe inevitveis imagens erticas que ele lutou por afastar. No era um masoquista, no queria sofrer.
Obrigou-se a ler a mesma pgina trs vezes. Finalmente Beth . abriu a porta, e uma nuvem de vapor perfumado atingiu-lhe as narinas. Quando Nathan ergueu os olhos para ela, foi como se recebesse um choque. J a vira de robe antes, mas nunca sentira o mesmo impacto.
As faces de Beth estavam coradas pelo calor do banho, e o robe de cetim acentuava-lhe as formas delicadas e muito femininas. Prendera os longos cabelos loiros, no alto da cabea num coque frouxo e umas poucas mechas caiam-lhe sobre o rosto.
Um desejo de posse avassalou o peito de Nathan, exigindo alvio.
Algum bateu  porta, e Beth abriu-a. Clara espiou dentro do quarto e sorriu para Nathan.
	Desculpe perturbar agora, mas preciso saber o que que rem para o desjejum. Ovos, panquecas, sucos, caf?
Tentando disfarar a raiva diante de um pretexto to pueril para espion-los, Nathan respondeu:
	Qualquer coisa que queira nos servir estar muito bom. No momento, o que mais queremos  apenas um pouco de privacidade.
	Nathan...  Beth censurou.
Clara deu um tapinha amigvel no ombro de Beth.
	Est tudo bem, minha querida. Acho que ele tem razo. Recm-casados merecem ter privacidade. Vou dizer ao cozinheiro para preparar um pouco de cada coisa. Boa noite, outra vez.
Assim que a porta se fechou, Beth falou em voz baixa:
	Somos hspedes aqui. Voc foi indelicado com Clara, Nathan.
	Indelicado?  A frustrao dele explodiu.  Vou dizer o que  indelicadeza. A intromisso de sua ex-sogra, querendo apenas nos checar  indelicada, bem como colocar um detetive particular atrs de ns. E tambm nos convidar com segundas intenes.
	Sei que  difcil  Beth suspirou.
	Difcil no  a palavra certa para descrever isto.
De repente, seu desejo por ela, sua vontade de transformar aquele casamento em uma verdadeira unio tornou-se forte demais. Precisava sair daquela armadilha perfumada, fugir da viso to feminina e tentadora diante dele. Dirigiu-se  porta.
	Vou tomar um pouco de ar fresco e caminhar. No espere por mim.
	Mas... e se Ivan ou Clara virem voc sozinho?
	Talvez pensem que tivemos uma discusso, como qualquer casal normal.
E com aquelas palavras, ele saiu.
A sada inesperada de Nathan entristeceu Beth. Tinha desejado conversar com ele, beij-lo, entregar-se aos sentimentos que sentia desde que o vira. Mas... talvez ele j estivesse arrependido do passo que dera e achasse que estava pagando um preo muito alto por uma famlia. Pelo menos, por aquela famlia.
Afundando na cama, ela pensou nas suas palavras:
"No espere por mim".
Pois bem, ela iria esperar, sim.
Uma hora mais tarde, ela foi ver Dorie, que dormia tranquila e profundamente. Voltou ao quarto. Logo depois, Nathan abriu a porta e entrou.
	Vou tomar uma ducha  ele disse.
	Otimo. Quando acabar, gostaria de ter uma conversa com voc.
	Agora? Beth, hoje foi um dia tenso, no estou preparado para uma conversa.
	Mas, preciso perguntar-lhe uma coisa.
Pelo tom, Nathan percebeu que ela no iria deitar-se antes de falar o que tinha vontade.
	Est bem, preciso de cinco minutos  ele pediu, tirando um pijama da valise.
Aqueles foram os cinco minutos mais longos da vida de Beth. Quando Nathan saiu do banheiro, os olhos dela seguiram todos os seus movimentos, observando seu corpo atltico, enquanto procurava apaziguar o ritmo de seu corao. Tudo dependia da resposta dele ao que iria perguntar.
	Voc est pensando em se reconciliar com sua ex-esposa?  conseguiu falar, por fim.
Nathan virou-se rpido para ela, com ar de surpresa.
	Voltar para Elaine? De onde tirou esta ideia?
	Porque voc saiu aborrecido. Est muito irritado com a situao atual. Entendo que esteja com raiva...
Aproximando-se dela, olhou-a dentro dos olhos.
	Voc esquece que eu quis estar nesta situao. Estive fora este tempo todo porque ficar perto de voc est me deixando maluco.
Diante do olhar dele, cheio de desejo, Beth perdeu o flego por um instante.
	Preciso saber, Nathan. Quer desistir? Acha que cometeu um erro casando-se comigo? Posso deix-lo livre no momento que quiser.
	No  nada disto. Eu no quero desistir. Quero seguir em frente com este casamento. Por que imagina que quero me reconciliar com Elaine?
	Por que... por que nossa situao  to estranha. Porque voc no a via h tanto tempo e agora vai encontrar-se com ela. No sei... Se ela quiser, voc volta para Elaine?
Beth procurou disfarar o cime, mas sem muito xito. Ele transparecia na sua voz, na sua expresso. Um msculo vibrou na tmpora de Nathan.
	E voc se importa se ela me quiser ainda e pedir para voltar?
	Sim, claro que me importo. Voc  meu marido.
	Sou mesmo?
Beth ignorou a pergunta irnica e continuou, atrapalhando-se com as palavras.
	Estou... estou aborrecida, ou melhor... preocupada. Se eu e Dorie dependemos de voc, o que acontecer se Elaine e voc...
	Est tudo acabado entre eu e Elaine, Beth, e isto  de finitivo. O.que quer que Elaine deseje, tenho certeza de que no  uma reconciliao. No sou eu quem se apega ao passado.
 voc.
Beth sabia que precisava correr um risco. Sabia que ela  quem devia dar o primeiro passo para que Mark no ficasse mais entre eles.
	E se eu quiser deixar o passado para trs? E se eu tambm quiser seguir em frente com a minha vida e com o nosso casamento?
Nathan inclinou a cabea, cruzou os braos sobre o peito e ficou a contempl-la por um tempo. Por fim, disse:
	Beth, voc tem que estar muito certa disto, de voc mesma.
Ela se aproximou dele at quase toc-lo.
	Tenho certeza. Quero ser sua esposa, Nathan, em todos os sentidos.
A expresso de cautela abandonou o rosto msculo, e Nathan deixou cair os braos ao longo do corpo. Olharam-se e perderam-se um no outro. Sem mais dvidas, ele tomou-a nos braos, levantando-a no ar. Depois, deitou-a na cama com cuidado, retirando o robe e a camisola que separavam seus corpos.
Seus lbios buscaram os dela num beijo profundo que era uma promessa, o preldio de um prazer maior. Ele explorava-lhe a boca com a lngua, mais e mais e logo o fogo, por tanto tempo reprimido, explodiu entre eles.
Beth fechou os olhos e entregou-se sem reservas. Agora sabia que amava Nathan e o queria ardentemente. Abrindo a blusa do pijama dele, acariciou a pele nua e quente e ouviu-o gemer baixinho. Murmurando seu nome, correspondeu a um novo beijo.
Um pouco depois, Nathan afastou os lbios dos dela e, embevecido, contemplou aquele corpo fremente de desejo, to feminino e infinitamente delicado. Beijou-lhe os seios, fazendo-a estremecer.
	Como voc  linda!  ele exclamou, beijando-lhe a nuca e falando com a voz rouca de paixo.
	Voc tambm . Fiquei impressionada desde a primeira vez que te vi  ela confessou.
	No posso nem dizer quantas noites e quantas manhs sonhei com isto. Como foi difcil manter as minhas mos longe de voc.
	Bem, agora no precisa mais ficar longe de mim. Seremos verdadeiramente marido e mulher.
	Quero amar voc e tornar este momento nico.  a nossa primeira noite de amor. Quero que lembre sempre dela e que nunca se arrependa de ter vindo para mim.
O corao de Beth parecia explodir de tanto amor por ele.
	Nunca lamentarei este momento, Nathan. Acontea o que acontecer. Beije-me.
Quando seus corpos se entrelaaram em perfeita unio, a carncia afetiva que Nathan carregara a vida toda terminou.
Horas mais tarde, o sol atravessava as frestas das persianas, irrompendo a escurido do quarto e refletia-se sobre o peito e os ombros fortes de Nathan tornando seus plos escuros dourados.
Beth acordou e viu Nathan ao seu lado. Uma onda de alegria a percorreu. Ela experimentou uma sensao de conforto que h muito no sentia. Era como se todo o seu corpo flutuasse entre nuvens.
Embora de olhos fechados, Nathan no estava dormindo. Acordara pensando no que acontecera na vspera. Beth surpreendera-o. Sara para uma volta e para recuperar seu autocontrole, esperando retornar a um quarto escuro, onde provavelmente dormiria no cho. E, ao contrrio, dormira nos braos dela. Seu desejo de transformar um casamento de aparncia em realidade fora um sonho concretizado.
No silncio da noite, buscara-a repetidas vezes para aplacar sua fome de amor.
Contudo, ainda havia uma coisa que no podia esquecer. Teria que contar a Beth suas dvidas quanto  sua fertilidade e que esta fora a razo de sua separao de Elaine. Talvez devesse ter contado antes de se casar, ou antes de fazer amor com ela. Teria que rezar para que Beth aceitasse a possibilidade de no poder gerar mais filhos.
Uma sbita batida na porta quebrou o silncio da manh. Antes mesmo que um deles conseguisse sair da cama, a porta se abriu. Clara estava l, com expresso de dvida e apreenso.
	Oh! Desculpem. No estava chaveada, ento pensei que j tivessem levantado. J so nove e meia. Gostariam de tomar caf agora?
Nathan suspeitou que Ivan tinha mandado a esposa para espion-los outra vez. Antes que ele declarasse o que pensava daquela nova intruso, Beth ergueu-se na cama e disse:
	Geralmente,  Dorie quem nos acorda. Mas, ontem o dia foi to cheio que ela nem acordou ainda. D-nos meia hora mais ou menos, Clara, e j desceremos.
Clara no pode deixar de notar as pernas de Nathan e Beth entrelaadas sob o lenol. Ela sorriu de modo meio cmplice, piscou um olho e falou, antes de sair:
	Mais uma vez, perdo por incomod-los. Vou dizer a Ivan que despertar recm-casados to cedo  uma pssima ideia e nem um pouco hospitaleira. At daqui a pouco.
Ela saiu, fechando a porta silenciosamente. Beth acariciou a cabea de Nathan e brincou:
	Ah! Estamos to contentes. No vamos deixar Ivan ou Clara estragar nossa alegria. Desmanche esta cara feia. E muito cedo para ficar bravo.
	Bem, Ivan pode ter mandado a mulher nos espionar, mas no vai gostar nem um pouco do relatrio que ela vai prestar.
	Olha, meu bem, este desrespeito  nossa privacidade pode ter sido bom. J sabem o que queriam saber e vo nos deixar em paz.
Os pensamentos de Nathan voltaram-se mais uma vez para a conversa que precisava ter com Beth. Aquela preocupao tornava o contratempo de Ivan uma mera tolice.
Mas no contaria nada naquele instante mgico, em que a desejava tanto, em que sua felicidade ainda era to nova. No podia suportar a ideia de ser rejeitado outra vez e muito menos por Beth.
Quando voltassem para casa, ele lhe diria, Nathan decidiu.
Retirando o brao dos ombros de Beth, ele afastou os lenis, levantou-se e, caminhando para a porta, trancou-a.
	Agora, sim, posso ter certeza de que no seremos incomodados de novo. Pelo menos por alguns minutos.
Beth sorriu, corando.
	E o que faremos com uns poucos minutos?
	Vamos aproveit-los da melhor maneira que conheo. E vamos ver quanto podemos fazer neste tempo.

CAPITULO VIII

A bicicleta de Mark ainda estava encostada em k.um canto do subsolo.
Beth pegou-a e levou-a at o centro da rea, retirando o p com uma flanela. Fez o mesmo com a caixa de apetrechos de pescaria e colocou-a ao lado da bicicleta. Por um tempo ficou olhando para aqueles dois objetos que haviam pertencido ao seu marido, agora morto, e refletiu.
Naquele momento, Nathan entrou. O corao de Beth deu um salto. Como uma verdadeira recm-casada, estremecia cada vez que o via e sempre aguardava um toque de suas mos.
Desde a primeira noite em que fizeram amor, dormiam nos braos um do outro. Nathan revelara-se um homem fogoso, um amante maravilhoso que sempre se deixava levar pela paixo. Beth surpreendera-se com sua prpria sensualidade. No era a mesma mulher que amara Mark. Era outra, muito mais ardente e sexy.
No havia tabus entre eles. Experimentavam tudo que a fantasia lhes inspirava. Ele ainda no dissera que a amava, mas Beth acreditava que ele se apaixonara de verdade.
Contudo, s vezes, percebia que havia qualquer coisa em Nathan... No saberia dizer o que era. s vezes, ele se retraia e ficava muito pensativo. Quem sabe escondesse alguma coisa? Talvez fosse apenas um segredo de famlia ou coisas da adolescncia que ele gostaria de contar. Pois muitas vezes sentira que ele queria lhe falar, mas depois desistia. Ou... seria algo referente  ex-esposa? Depois que os dois se encontrassem, e Elaine dissesse o que queria  que ela ficaria sabendo.
Nathan caminhou em direo a Beth com um sorriso insi-
nuante nos lbios. Era um sorriso significativo que mostrava que ele recordava a noite anterior e que ansiava pela prxima. Com uma rpida olhada para o lado, ele viu a bicicleta de Mark.
	Oh! Voc chegou mais cedo, meu bem  Beth saudou-o.  O jantar j est quase pronto. Pedi a Rosa para cuidar de Dorie por uns minutos para eu poder vir aqui em baixo. Isto tudo est precisando de uma arrumao.
Nathan parara a certa distncia e no fez meno de tom-la nos braos como sempre fazia e como ela esperava.
	Eu li o recado que deixou para mim sobre a mesa  ele disse.  Precisa de ajuda ou prefere que eu pegue Dorie?
	Hum... Espere um pouco, Nathan. Estive pensando... acho que est na hora de me desfazer da bicicleta de Mark. Talvez possa d-la para alguma criana pobre.
Ele se aproximou.
	Est certa disso?
	J me questionei bastante. Sim, estou.
	Ainda tem a caixa de pescaria. O que vai fazer com ela?
	Voc gosta de pescar?
Ele negou com a cabea e depois disse:
	No  dos meus esportes favoritos. Fica-se muito tempo parado.
	Bem, eu tambm no gosto. Pense se voc conhece algum que goste e que possa aproveitar. No entendo nada disto, mas sei que  um bom equipamento e est bem conservado. Ningum usou, depois de Mark.
	O que est acontecendo, Beth? Est fazendo um balano no seu depsito?  ele perguntou.
	Sim. Estava na hora, no  mesmo? No  apenas um balano no meu depsito,  um balano na minha vida tambm  ela afirmou, com doura e segurana, esperando que ele entendesse a mensagem. Ela amava Nathan. Nunca esqueceria Mark, o pai de sua filha. Sentia carinho por ele, mas agora ele pertencia somente ao passado.
E ele certamente entendera a mensagem, porque abraou-a e beijou-a longamente.
	Tive uma ideia, Beth. Poderamos ir at Washington para a festa de aniversrio de Jeff e Kate. Eles me convidaram quando vieram ao nosso casamento  Nathan sugeriu, olhando-a com um sorriso sedutor.
	Oh! Que bom! Outra dia Jessie disse que vai a esta festa e perguntou-me se gostaramos de ir de com eles.  Beth comentou, animada.  Mas, eu disse que precisava consult-lo.
	Gavin tambm me props a mesma coisa. Ele disse que Liza no quer ir. Vai dormir na casa de uma amiguinha. Tambm fiquei pensando se no seria melhor deixar Dorie com Rosa. Voc deixaria?
	Com Rosa, sim. Voc prefere?
O desejo brilhou no fundo dos olhos verdes de Nathan.
	Imagine, Beth. Voc e eu numa sute de hotel. Corremos o risco de perder a hora da festa.
	Voc concorda, ento?
	Claro que sim. Acho que ser inesquecvel. Nossa primeira viagem juntos.
Beth aproveitou o momento para fazer uma pergunta que a incomodava.
	Voc j conseguiu conversar com Elaine pessoalmente?
	Pessoalmente, no. Mas telefonei para ela e combinamos nos encontrar para o almoo amanh.
	Ela adiantou alguma coisa sobre o assunto que quer tratar com voc?
	No, apenas que preferia no falar nada pelo telefone.
Uma avalanche de imagens pouco tranquilizadoras passaram pela mente de Beth, como um filme de terror.
	Ela sabe que voc casou outra vez?  perguntou timidamente.
	No sei. Assim como pouco sei dela, ela tambm no deve saber muito da minha vida. E acho bom que assim seja. Em todo caso, se no souber, ficar sabendo amanh.  Nathan passou os dedos de leve sobre os lbios de Beth.  Escute, temos coisas mais interessantes para falar do que Elaine.
Quando ele a beijou de novo, ela aconselhou a si prpria a no se preocupar. Cime no era um sentimento construtivo. Denotava pouca segurana. E alm disto, Nathan estava ali com ela. Apesar do seu conselho e mesmo com os beijos dele, sabia que no descansaria enquanto aquele encontro com a ex-esposa no acontecesse. At que tivesse certeza de que Elaine no buscava uma reconciliao.
Mal Nathan entrou no restaurante onde havia marcado o encontro com Elaine, ele a viu sentada a uma mesa posicionada sob duas palmeiras que davam um ar tropical ao ambiente. Era estranho! Ela que gostava tanto de se exibir escolhera o local mais discreto do salo. Pelo jeito, queria privacidade e no queria que a perturbassem.
Nathan encaminhou-se para ela, curioso sobre o ela diria, mas ao mesmo tempo louco para se ver livre daquele compromisso. No lhe passara despercebido que Beth temia Elaine e a via como um possvel impedimento ao futuro e  felicidade deles. Claro que ela se enganava, e ele desejava restabelecer sua confiana o mais rpido possvel.
Desde aquele sbado  noite, no chal da montanha, em que haviam se amado pela primeira vez, Nathan mal conseguia respirar direito. Tinha medo de fazer ou de dizer qualquer coisa que pudesse arruinar sua felicidade.
No momento, tinha tudo que desejava da vida.
Contar a Beth por que ele e Elaine haviam se separado parecia-lhe inconcebvel no meio da paixo to nova que estavam vivendo. Todos os anos de solido, de sentir-se um pria no meio de famlias alheias, de sentir-se sem razes impediam-no de falar. O medo de perder tudo da noite para o dia simplesmente paralisava-o.
Ele notou que Elaine ainda estava muito bonita. Ela conhecia todos os truques para destacar sua beleza extica. Os cabelos negros e lisos valorizavam a pele de marfim onde a ma-quilagem fora aplicada com perfeio. E seu porte elegante era realado pela roupa impecvel que lhe dava um ar fino e sofisticado.
Nathan no pde deixar de compar-la a Beth. Sem dvida, para ele, Beth era muito mais adorvel, com sua naturalidade e sua beleza sem artifcios.
 Bom dia, Elaine. Voc est muito bem. Posso sentar?  ele indagou, puxando uma cadeira.
: Claro que sim  ela respondeu, olhando-o de alto a baixo.   bom ver voc outra vez. Tambm est com tima aparncia.
Ele reparou em um enorme anel de brilhante na sua mo direita, mas no fez comentrios.
Mal Nathan entrou no restaurante onde havia marcado o encontro com Elaine, ele a viu sentada a uma mesa posicionada sob duas palmeiras que davam um ar tropical ao ambiente. Era estranho! Ela que gostava tanto de se exibir escolhera o local mais discreto do salo. Pelo jeito, queria privacidade e no queria que a perturbassem.
Nathan encaminhou-se para ela, curioso sobre o ela diria, mas ao mesmo tempo louco para se ver livre daquele compromisso. No lhe passara despercebido que Beth temia Elaine e a via como um possvel impedimento ao futuro e  felicidade deles. Claro que ela se enganava, e ele desejava restabelecer sua confiana o mais rpido possvel.
Desde aquele sbado  noite, no chal da montanha, em que haviam se amado pela primeira vez, Nathan mal conseguia respirar direito. Tinha medo de fazer ou de dizer qualquer coisa que pudesse arruinar sua felicidade.
No momento, tinha tudo que desejava da vida.
Contar a Beth por que ele e Elaine haviam se separado parecia-lhe inconcebvel no meio da paixo to nova que estavam vivendo. Todos os anos de solido, de sentir-se um pria no meio de famlias alheias, de sentir-se sem razes impediam-no de falar. O medo de perder tudo da noite para o dia simplesmente paralisava-o.
Ele notou que Elaine ainda estava muito bonita. Ela conhecia todos os truques para destacar sua beleza extica. Os cabelos negros e lisos valorizavam a pele de marfim onde a ma-quilagem fora aplicada com perfeio. E seu porte elegante era realado pela roupa impecvel que lhe dava um ar fino e sofisticado.
Nathan no pde deixar de compar-la a Beth. Sem dvida, para ele, Beth era muito mais adorvel, com sua naturalidade e sua beleza sem artifcios.
 Bom dia, Elaine. Voc est muito bem. Posso sentar?  ele indagou, puxando uma cadeira.
: Claro que sim  ela respondeu, olhando-o de alto a baixo.   bom ver voc outra vez. Tambm est com tima aparncia.
Ele reparou em um enorme anel de brilhante na sua mo direita, mas no fez comentrios.
Devo dizer que fiquei muito surpreso com seu telefonema, depois de tanto tempo.
	Queria muito falar com voc. Liguei para o seu antigo nmero, mas informaram-me de que no vivia mais l. Ento procurei seu ex-gerente, e ele me disse que voc se casara e se mudara, e me deu seu novo nmero. Fiquei muito surpresa ao saber de seu novo casamento. Meus parabns, Nathan.
	Obrigado  ele falou pouco efusivo.  Agora, diga-me, por favor por que no podamos ter falado pelo telefone?
Com gestos lentos e afetados, Elaine levou o copo de gua aos lbios e tomou um pequeno gole.
	Porque o assunto  muito pessoal. Diz respeito somente a ns dois.
Nathan aguardou, cada vez mais intrigado.
	Estou noiva.  Ela sorriu.  Brian  um homem ma ravilhoso. Estamos noivos h um ano.
Nathan apoiou o cotovelo sobre a mesa.
	Fico contente de saber disto. Mas o que tem a ver comigo? Certamente, no me chamou aqui para me comunicar seu noivado, no  mesmo?
	Espere. Desde o incio de nosso relacionamento, avisei Brian de que no me casaria com ele se no ficasse grvida. Pois bem, na semana passada meu mdico fez o teste e soube que estou grvida. Estou esperando um filho, Nathan. E no precisei de nenhum tratamento, nada artificial. Aconteceu naturalmente.
Por um tempo houve apenas silncio.
Nathan e Elaine nunca haviam se acusado de infertilidade, porque realmente no sabiam quem tinha o problema, se  que algum o tinha.
Sem esperar um comentrio da parte dele, Elaine continuou:
	Achei importante que voc soubesse. Por isto no queria lhe contar pelo telefone. Agora que est casado, acho que esta informao  muito importante para voc.
Pensando nos tempos em que Elaine fora sua esposa e na forma egosta como o havia abandonado, Nathan suspeitou de que ela quisera encontr-lo s para ter o prazer malvolo de dizer que, se ela no era estril, o problema estava com ele.
Com grande controle, Nathan procurou falar sem deixar transparecer seu orgulho masculino ferido.
	Est bem, Elaine. Mas, no creio que queira me dizer apenas que est grvida, no  mesmo? Acho que quer ter a ltima palavra e dizer-me que a culpa por no termos filhos foi minha.
Sentando-se mais ereta na cadeira, ela assentiu.
	Agora ficou bvio, est provado que no tenho problema. Concorda?
Nathan teve pena daquela mulher narcisista. Com certeza no daria uma boa me. Era muito egosta e sem nenhum esprito de sacrifcio. Eles poderiam ter adotado uma criana carente. Havia tantas no mundo! Mas Elaine no aceitaria, no amaria uma criana que no tivesse o seu sangue.
	Diga-me mais uma coisa, Elaine. Estou curioso. E se voc no houvesse engravidado? Como ficaria com o seu noivo?
A expresso do rosto dela endureceu.
	Jamais me casaria com ele.
Nathan sacudiu a cabea, lastimando.
	Coitado de seu noivo. Serviu como uma espcie de cobaia para voc. Que espcie de amor  este?
Aquelas palavras irritaram Elaine, e ela respondeu, defendendo-se.
Meu relgio biolgico est prximo a bater suas ltimas horas. Tenho pressa. Um homem no entende isto. Em poucos anos, no serei mais capaz de procriar. Terei passado a idade de ter filhos. Por isto, fiz tudo o que podia. Separar-me de voc foi uma delas. Graas a Deus, agora sei que o problema no era meu.
	Quando nos casamos, voc prometeu no altar que seria para toda a vida. Nossa unio no estava condicionada a termos filhos ou no.
	Acontece que ter filhos  a coisa mais importante para mim.
	Bem, Elaine, se era s isto o que queria me dizer, no vejo mais motivo para continuar aqui nem mesmo para almoarmos juntos. Mas lhe desejo boa sorte.
	Compreende por que eu precisava contar-lhe?
	Sim. Mas voc j contou.
Nathan retirou-se, sentindo o peso do olhar da ex-esposa. Continuou andando. Para Beth. E para a conversa que precisava ter com ela e que no podia adiar mais.
Com o rdio tocando uma msica bem baixinho, Beth ocupava-se da cozinha, preparando algumas conservas e procurando afastar o pensamento do encontro de Nathan com Elaine. Sem muito sucesso. Por isto ligara o rdio para se distrair.
Quando ouviu a porta da frente abrir, tirou o avental e largou o que estava fazendo. Logo em seguida, Nathan apareceu na cozinha com uma expresso to sria no rosto, que assustou Beth.
	No esperava que voltasse to cedo. Encontrou Elaine? 	ela perguntou.
Ele no se aproximou, como sempre fazia.
	Dorie est dormindo?
	Est  ela-murmurou, com o horrvel pressentimento de que ia ouvir alguma coisa que acabaria com sua felicidade.
	Precisamos conversar  ele disse.
	Eu j sei. Voc vai voltar para ela, no ? - Beth perguntou com um fio de voz.
Apesar de se sentir arrasado, Nathan no pode impedir um breve sorriso diante da preocupao sem fundamento de Beth.
	No, no  isto. No vou voltar para ela e jamais voltaria. 	Nathan pegou uma cadeira e apontou-a para Beth.  Sente, por favor. H uma coisa que quero lhe contar.
No ntimo, Beth agradeceu pela cadeira pois de repente suas pernas ficaram fracas e trmulas. Se ele no ia voltar para Elaine, o que poderia estar errado?
	Beth, nunca lhe falei sobre o motivo do meu divrcio, no  mesmo?
Nos ltimos dias, entre beijos e carcias, Beth tinha falado muito sobre sua vida. Coisas que estavam guardadas a sete chaves, no fundo do seu corao. Contara como perdera seus pais, como ficara com raiva de Mark quando ele morrera.
Nathan fizera-lhe muitas perguntas, com a curiosidade natural de uma pessoa apaixonada que sempre quer saber tudo sobre seu novo amor. Beth abrira-se com ele e esperara que ele fizesse o mesmo e lhe contasse tudo sobre a prpria vida.
No entanto, ele se limitara a falar de sua infncia infeliz e sem afeto em casa de estranhos, de seus tempos de universidade, da amizade com Gavin, Jeff e Cade. Mas foi s.
Com naturalidade, Beth quis saber sobre o seu primeiro casamento, mas a expresso dele avisou-a de que seria um erro insistir naquele assunto. Ento, no querendo forar nada, calara-se. 
Em fim, ele mesmo agora achava que era hora de ela saber.
	Por que se divorciou, Nathan?  ela perguntou.
Olhando-a no fundo dos olhos, ele respondeu:
	Quando nos casamos, eu e Elaine queramos muito ter filhos. Mas passados dois anos, ela no engravidara. Resolvemos ento, apelar para a medicina. Consultamos vrios mdicos, e todos nos diziam no haver nenhum impedimento, nada errado conosco e que devamos ser pacientes. Eu poderia ter esperado, mas vendo o desespero de Elaine, sugeri adotarmos uma criana, mas ela se recusou. S queria um filho biolgico. J no era to jovem, tinha medo de esperar mais e no poder engravidar.
Um mau pressgio inquietou Beth.
	Nosso relacionamento comeou a se deteriorar e, logo depois, ela pediu o divrcio.  Ele continuou.
E antes que Beth pudesse absorver todo o significado do que ele dizia, Nathan concluiu:
	Compreende, Beth? No sei se sou frtil, se posso ter filhos.
Por uns segundos, Beth parou de respirar, olhando-o atnita.
	Eu sei que devia ter lhe contado isto antes do nosso casamento. Mas resolver o seu problema e o de Dorie pare ceu-me a coisa mais importante naquele momento.
	E por que resolveu contar-me agora, assim de repente?
	Elaine queria falar comigo para me dizer que estava grvida. Entende?
O corao de Beth bateu em falso e a dor, muito devagar, comeou a apertar-lhe o peito. Em silncio, virou o rosto para o outro lado. Em menos de dez minutos sua vida mudara outra vez.
Somente uma hora atrs, sentia-se feliz e pensava estar casada com o melhor homem do mundo, em quem podia ter total confiana. Pois enganara-se. Ela sentiu que Nathan se aproximara e parara ao seu lado.
Segurando-lhe os ombros, ele falou baixinho.
	Beth, se eu no puder mesmo ter filhos, poderemos adotar uma criana. J temos Dorie...
A raiva de sentir-se enganada fez com que ela empurrasse a mo dele.
	Voc no tem a menor ideia de como estou me sentindo, no ? No me preocupa ter ou no ter mais filhos. O que me deixa indignada  que voc no foi honesto comigo. Confiei em voc e contei tudo sobre a minha vida. E voc no me contou uma coisa to importante, que no diz respeito somente a voc. Diz respeito a ns dois, como um casal. Pensei que o conhecesse. Mas, no. Voc preferiu omitir a verdade. Sem honestidade, Nathan, no temos um casamento.
Ele segurou seus braos, procurando seus olhos.
	Voc me conhece, sim.
	No, no conheo. Porque de agora em diante, vou ficar sempre pensando o que voc est escondendo de mim. Voc  capaz de guardar segredos de sua mulher. Como posso confiar em voc outra vez?
Com o impacto daquelas palavras duras, Nathan largou-a imediatamente.
No silncio que se seguiu, ouviu um chamado:
	Mame, mame...
	Preciso busc-la  Beth conseguiu dizer, afastando-se.
	Beth?
Ela parou.
	Vou voltar  loja. Acho que precisamos ficar um pouco a ss, com nossos pensamentos. Talvez precisemos outra vez de um pouco mais de espao.
	Vai voltar para o jantar?  ela perguntou.
	Vou ficar na loja at tarde hoje.
Ela preferiu no pedir para ele voltar. Sentia-se desapontada e muito confusa...
Dorie chamou outra vez.
	Vejo voc  noite, ento.  Beth foi ao encontro de Dorie rapidamente, antes que Nathan visse suas lgrimas.
Aps fechar a loja, Nathan telefonou para Beth.
Ela atendeu, e ele no sabia o que dizer ou fazer. Decidiu que talvez fosse melhor ele se afastar por um tempo. Precisava pensar, achar uma soluo para Beth perdoar-lhe. Se ela o amasse, certamente lhe perdoaria. Se ela pedisse para ele voltar para casa...
Por fim, ele falou:
	Sou eu, Nathan. Estive pensando e acho que talvez seja melhor dormir aqui na loja hoje.
	Entendo.
O tom de Beth era frio. Obviamente, estava ainda indignada. 
Ento, seria melhor dormir na loja. Se voltasse para casa, a tenso os deixaria acordados toda a noite.
	Pela manh, eu volto para tomar banho e trocar de roupa.
	Est bem, faa como achar melhor.
Embora ele percebesse a relutncia e a frieza de Beth, Nathan no conseguia encerrar a ligao.
	J colocou Dorie na cama?
	Sim. H mais de uma hora. Ela queria que voc lesse uma histria.
A leitura de uma histria para Dorie dormir tornara-se um ritual noturno que a criana sempre exigia e que era um deleite para Nathan.
Houve um silncio constrangedor.
Nathan esperou e como Beth no dissesse mais nada, ele.falou:
	Durma bem, Beth. Vejo voc amanh.
	Boa noite, Nathan.
A inflexo da voz dela no poderia ter sido mais impessoal. Talvez o considerasse um estranho de novo e no havia nada que ele pudesse fazer a respeito. A no ser manter certa distncia. E a esperana.
Durante mais de duas horas, Nathan trabalhou no computador para acalmar-se e distrair-se, mas a todo instante via o rosto de Beth na tela. O rosto com que ela o acusara de no ter sido honesto. Por fim, cansado, foi para a outra sala e reclinou-se no sof.
Toda sua vida sempre se sentira  parte. O fato de no ter famlia, diferentemente de todos os outros meninos, contribura muito para aqueles sentimentos. Ao casar-se com Elaine, pensara que teria enfim um lugar seu. Mas errara.
E quando encontrara Beth...
Doa demais pensar nela. Estaria agindo bem, ficando longe dela? O tempo e a distncia os ajudaria ou os separaria de vez?
Sabia que ferira Beth por no conversar com ela. Talvez at a tivesse forado a fazer amor mais cedo do que ela pretendia.
De repente, Nathan entendeu que ficar longe s pioraria tudo. Seu instinto dizia-lhe que no era a soluo.
Voltaria para casa, sim!
Na manh seguinte, Beth saiu do quarto e, ao entrar na sala, teve um sobressalto. Nathan estava deitado no sof. Nem se dera ao trabalho de abri-lo. Quando ele lhe telefonara na noite anterior, dizendo que ia dormir na loja, ela chorara at adormecer. Seus olhos ainda deviam estar inchados e vermelhos. Sentando-se na beira do sof, Nathan cumprimentou-a.
	Bom dia. Voc est bem?
	Estou bem, obrigada. Pensei que fosse dormir na loja. Foi o que entendi ontem.
	Depois de pensar um pouco, achei que no era uma boa ideia. Pareceu-me fuga. Precisamos resolver tambm o que fazer neste final de semana. Dissemos que iramos  festa de Jeff e Kate em Washington. O que vamos fazer?
	Eu disse que iria e vou, Nathan. Podemos ficar num quarto com duas camas.
	Gavin e Jessie vo saber que h alguma coisa errada.
	Jessie j sabe, mais ou menos, que nosso casamento foi um arranjo.
Ao dizer aquelas palavras, Beth viu que o ferira. Mas o que podia fazer. Ele tambm a ferira demais. Sentia-se trada e cheia de dvidas quanto ao futuro. Ele no a contradisse e num tom neutro afirmou:
	Vou tomar uma ducha.
Sbado  noite, no salo de recepo do melhor hotel da cidade, onde Kate e Jeff comemoravam seu aniversrio de casamento, Beth olhava a decorao elaborada do ambiente e tambm o casal aniversariante receber os outros convidados.
Era o lugar ideal para divertir-se e distrair-se, mas ela no conseguia. Todos os seus pensamentos voltavam-se para Nathan e para a horrvel situao entre eles.
A viagem para Washington com Gavin e Jessie tinha sido muito cansativa, pois precisara fingir o tempo todo. No entanto, nem ela nem Nathan souberam dissimular muito bem e duvidava de que tivessem convencido Jessie de que estavam felizes.
Uma banda comeou a tocar no salo e interrompeu seus pensamentos.
Jeff e Kate, os aniversariantes, foram os primeiros a ocupar a pista de dana. Cade e sua esposa, Randy, seguiram-nos logo depois. Os dois casais pareciam felizes e muito apaixonados.
Nathan estava de p, do outro lado do salo, prximo  mesa do bufe, conversando com Gavin.
Beth olhou para o marido, e seu corao doeu ainda mais. Jessie, sentada ao seu lado, tocou-lhe o brao.
	O que est acontecendo, Beth?  perguntou.
	Ora, e por que voc acha que est acontecendo alguma coisa?  Beth tentou desconversar, num tom de brincadeira.
	Eu conheo voc. Conheo Nathan. Talvez os dois no se conhecessem bem ao se casarem, mas nunca observei nenhuma barreira entre vocs. Mas hoje existe uma verdadeira muralha da China, com certeza.
	Bem... ns discutimos...
	Casais brigam. E normal.
	Mas no foi uma briga corriqueira. Foi sria.
	E  muito pessoal para discutir comigo, imagino.
Beth aquiesceu com a cabea.
	Escute, no sei o que h de errado entre vocs dois, mas se voc gosta dele, no desista sem lutar antes. Todos ns cometemos erros. Todos temos medos e inseguranas. s vezes, ficamos at cegos e no vemos nem o amor que o outro nos oferece.
	Nathan jamais falou em amor.
	Voc falou?
Beth negou com a cabea.
	s vezes  mais difcil para o homem do que para a mulher admitir seus sentimentos.
	E s vezes  s sexo que conta para eles  Beth concluiu.
Jessie suspirou.
	Nathan e voc precisam conversar de corao aberto. Talvez quando a festa acabar.
Beth pensou na sute reservada para eles, com duas camas.
O olhar dela mais uma vez deteve-se em Nathan e mais do que nunca quis saber porque ele no fora honesto, no se abrira com ela. O motivo dele poderia fazer toda a diferena para os seus destinos. Ser que Nathan prezava-a o suficiente para dar-lhe uma explicao?
Aos poucos, os convidados comearam a partir e, por fim, Jeff e Kate, os anfitries, despediram-se.
	Vamos subir para o nosso quarto  Jeff disse.   raro termos um tempo s para ns como hoje.
	Quer ir tambm, Beth?  Nathan perguntou.
	Sim, acho que devemos nos despedir.
Nathan e Beth despediram-se dos amigos e tomaram o elevador para a sute. Ele pensava como enfrentaria aquela situao. Sentia que a distncia entre eles estava se tornando quase intransponvel. Na vspera dormira no sof e, na manh seguinte, Beth nem dissera nada. Se aquela animosidade aumentasse, ele temia que jamais encontrassem um caminho de volta.
Se tivesse imaginado que ela ficaria to revoltada...
Nunca quisera feri-la. Nathan olhou-a de relance. O vestido preto, muito simples, deixava suas curvas insinuarem-se de um modo discreto e elegante, e tudo que ele queria era tir-lo e apert-la em seus braos. Contudo, ele viu as mos de Beth segurarem a bolsa com tanta fora que no teve dvidas do quo desconfortvel se sentia por estar a ss com ele.
Nathan pensara em enviar flores, perfume, alguma coisa, como um pedido de perdo e de paz. No entanto, sabia que com Beth todos os presentes do mundo no fariam diferena. Ela casara com ele porque ele lhe inspirava confiana. E agora? Que fazer para reconquist-la?
Ao chegarem ao quarto, Beth pegou a camisola e ia dirigir-se ao banheiro, quando Nathan falou:
	No podemos continuar assim, Beth.
Ela prendeu os cabelos atrs da orelha.
	Eu sei. Tambm acho.
Ele se aproximou, mas percebeu que ela se retraiu.
	Estamos nos comportando como dois estranhos. E no somos. Gonhecemo-nos... intimamente.
A sbita centelha nos olhos azuis revelou a Nathan que ela no era indiferente quelas lembranas, mas logo surgiu a frieza em seu olhar.
	Sei o que quer dizer... Mas, na verdade no o conheo, Nathan.
Incapaz de se manter afastado, ele aproximou-se e pousou as mos nos ombros delicados, recordando a maciez de sua pele.
	Foi um erro eu no ter lhe falado sobre a possibilidade de eu ser estril. Eu estava errado. Perdoe-me.
O corao de Beth batia descompassado.
	Mas por que voc no me disse?
Nathan sabia que precisava ser totalmente honesto.
	Procure ver sob o meu ponto de vista. Eu queria uma famlia. Queria voc. Tive medo .de que voc me abandonasse como Elaine.
Beth examinou-lhe o rosto em busca da verdade. Mas no saberia dizer se tinha encontrado o que buscava.
	Eu no o teria abandonado.
	Ento, no me abandone agora  ele murmurou, tomando-a nos braos.
Mas Beth permaneceu rgida, e Nathan deixou-a.
	S posso lhe dizer a verdade, Beth. S posso lhe dizer que cometi um erro que no repetirei. Mas no podemos manter o casamento se voc no pode me perdoar. Acho que precisamos decidir.
Ele viu a dvida nos olhos dela. A indeciso.
	Pode me perdoar?
Beth fitou-o no fundo dos olhos e viu que ele tinha razo. Se no pudesse perdoar-lhe, no poderiam continuar casados. Ela lembrou-se de Mark. Por um curto tempo haviam sido companheiros e amantes. Mas nunca estiveram unidos como um s corpo e uma s alma.
Com Nathan, sentira-se pela primeira vez em total unio com algum. Foi como se houvesse encontrado um novo sentido para a vida e para o casamento. At descobrir que ele lhe ocultara a razo de seu divrcio. At sentir-se trada.
Mas, ainda o amava. Ainda queria seu casamento. Ainda queria Nathan. Sentira tanto a falta de seus carinhos, de seus braos fortes segurando-a. Talvez aqueles dois dias de separao tivessem sido importantes para ela ver quanto o amava. E com amor era mais fcil perdoar.
Nathan aguardava uma resposta.
	Compreendo seus motivos. Posso lhe perdoar, sim, Nathan.
Com uma exclamao de alvio abafada, ele afundou o rosto nos cabelos claros de Beth, sentindo a maciez que o deslumbrava. No instante seguinte, seus lbios desceram, numa busca exigente at encontrar os dela.
Beth deixou cair a camisola e enlaou o pescoo dele com paixo, pensando que talvez o desejo fsico que ele sentia se transformasse em amor como acontecera com ela. S o amor poderia mant-los unidos.
Ento, por que no confessava seu amor? No queria sentir-se ainda mais vulnervel. Mas mesmo que no conseguisse dizer como o amava, poderia demonstrar seu amor.
Com dedos nervosos, comeou a desabotoar a camisa dele. Nathan ficou parado, apenas olhando-a.
 Eu quero voc  ela murmurou, com os lbios no peito dele.
Um beijo cheio de sensualidade prendeu Beth num universo ertico. A lngua de Nathan invadiu-lhe a boca, fazendo-a derreter-se como cera. As mos grandes e fortes insinuaram-se sob o tecido do vestido e tocaram-lhe os seios. Com avidez, entregaram-se  urgncia do puro desejo e num ltimo lampejo de lucidez, Beth desejou que ele a amasse tanto quanto ela desejava.

CAPITULO IX

Quando Beth acordou na manh seguinte, por um momento esqueceu onde se encontrava. Mas logo em segui3"o calor do corpo de Nathan, encostado ao seu, fez com que lembrasse que ela pertencia a ele outra vez.
Com cuidado, afastou a perna, sentindo seus plos macios. Ertico, excitante. Mas, haveria mais que aquela atrao? Para ela, sem dvida, havia. Mas, e para ele?
	Bom dia  Nathan murmurou, sonolento.
	Bom dia, querido.
	Acho que nenhum de ns se mexeu durante a noite.
	Gosto de sentir seus braos em torno de mim  ela confessou, acariciando a barba que despontava spera e dava a Nathan aquele ar to sexy.
	At nos meus sonhos eu fiz amor com voc  ele disse.

	Acho que foi o mesmo sonho que eu tive.
Ele sorriu.
	Quer comparar nossos sonhos?  perguntou.
Mas o que Beth queria era saber se ele a amava.
	Poderamos conversar um pouco tambm.
	Sobre o que quer conversar?
Sobre seu primeiro casamento.
Aps um breve silncio, ele concedeu:
	Est bem. O que voc quer saber?
	Fale-me sobre ele apenas. O que era bom, o que era ruim.
Nathan acomodou-se na cama e contemplou o teto.
	Quando conheci Elaine, imaginei que tinha encontrado a mulher certa, pois gostvamos das mesmas coisas. Eu ainda no sabia que seu desejo de ser me se sobrepunha ao marido, ao casamento, a tudo, enfim.
	O desejo de ter filhos geralmente mantm um casal unido,  Beth disse com doura.
	Deveria. Mas no foi o que aconteceu conosco. A infertilidade tambm pode separar um casal. Muitas vezes, Elaine e eu, por causa do nosso envolvimento com o trabalho, no seguamos  risca as determinaes mdicas.
	E vocs tinham conscincia de que no estavam se empenhando da maneira correta?
	Isto era o pior. Elaine trabalhava at altas horas. Quando comprei a loja, dediquei-me totalmente a recuper-la. Depois de cumprir um longo dia de trabalho, ao chegar em casa, eu tinha de fazer sexo como quem executa outra tarefa. Voc sabe, todas aquelas medidas como verificar temperatura, fazer sexo nas horas e dias certos, mesmo sem vontade.
	Ento, voc no tinha vontade de voltar para casa. Era isto?
Ele virou-se para olh-la.
	Eu queria voltar para uma casa que fosse um lugar de paz. No final, sugeri uma adoo. Isto nos confortaria e teramos o filho que queramos tanto.
Foi a que descobri que Elaine e eu no tnhamos os mesmos objetivos de vida.
	Voc e eu nos casamos com tanta rapidez. No est preocupado com os nossos objetivos?  Beth perguntou.
Apoiando-se sobre um cotovelo, ele respondeu:
	Agora, neste momento, tenho um objetivo. Compensar o tempo que perdemos nos nossos primeiros tempos de casados.
Enquanto ele a puxava para si, Beth se perguntava se teria entendido bem o que Nathan dissera: queria que sua casa fosse um porto seguro. Preferia o casamento a ter filhos. Casara-se com ela porque queria uma famlia. Teria se casado com Elaine por amor ou s porque queria uma famlia?
Qual seria a importncia do amor na vida dele?
Os olhos de Nathan brilhavam como esmeraldas com o ardor do desejo. Aquele fora o sentimento que primeiro brotara entre eles. Beth lutara contra ele, no incio. Fora muito rpido, ardente, forte e deu-lhe medo.
	Eu te quero, Beth  ele cochichou no ouvido dela, mordendo-lhe o lbulo da orelha.
Ento, ela apertou-se mais contra ele, implorando que a possusse.
Entre beijos e carcias apaixonadas, seus corpos se acomodaram numa unio plena e perfeita e consumaram o nico ato que conseguia expressar a paixo que sentiam.
Domingo  tarde, durante a viagem de volta, Gavin parou num restaurante na estrada, e Jessie e Beth foram ao toalete. Penteando os cabelos, Jessie comentou:
	Acho que voc e Nathan fizeram as pazes, no foi?
Beth corou.
	 assim to bvio?  perguntou.
Jessie sorriu.
	Acho que existe uma aura natural em torno de um homem e uma mulher que fizeram amor.
Beth passou um pouco de gua fria no rosto afogueado.
	Eu s gostaria de poder ler a mente de Nathan  ela disse.
	Provavelmente, ele tambm gostaria de ler a sua.
	Mas sempre comento com ele tudo que se passa na minha cabea. Pelo menos, a maioria das coisas.
	No pode esquecer que vocs dois ainda esto tateando no caminho para se conhecerem. A maioria das pessoas costuma fazer isto antes do casamento.
	Como soube que Gavin a amava?
	Bem, ns tnhamos nos apaixonado quando adolescentes, no colgio. Voc sabe, estes sentimentos nunca morrem. Quando Gavin e eu nos reencontramos j adultos, todo aquele amor reviveu. Mas no  s pelas palavras que sabemos que somos amadas. As atitudes tambm revelam.
A confiana de Beth no mundo tinha ficado abalada quando seus pais morreram. Um sentimento bsico de segurana se acabara. E depois Mark morrera.
Em que poderia confiar a no ser na prpria capacidade de cuidar de si, na sua inteligncia e fora interior? Mas, agora casada com Nathan, sabia que precisava aprender a confiar nele.
	Confie nos seus instintos mais do que em suas dvidas, Beth  Jessie aconselhou.
Beth e Nathan pedalavam suas bicicletas pelo parque, no domingo  noitinha. Ambos tinham sentido falta de Dorie e a trouxeram para um passeio. O ar de setembro j anunciava o outono que se aproximava. Os dias tornavam-se mais curtos e as folhas comeavam a amarelar, deixando a paisagem com um tom dourado.
Nathan colocou Dorie no balano junto a Beth e empurrou-as. A menina ria e gritava.
	Mais, mais...
Finalmente, Beth mandou parar s risadas.
	Um pouco mais e vou ficar enjoada. Pare...
Quando o balano parou, Nathan perguntou.
	O que vai ser agora?
	A gango...a, a gango... a.  Dorie pediu.
Me e filha sentaram-se numa extremidade da gangorra e Nathan na outra.
Beth no conseguia tirar os olhos dele. Como era irresistvel! Seu rosto devia ter adquirido uma expresso diferente porque Nathan falou:
	Hum... Est com um olhar, Beth! Em que est pensando?
	Espere at mais tarde.
	Vou esperar e no pense que vou esquecer.
Passados alguns minutos, Nathan perguntou:
	O que acha de mudarmos para um apartamento maior ou para uma casa?
A pergunta surpreendeu Beth.
	No sei. Gosto daqui. Gosto de ter Rosa por perto. E tenho tudo que preciso em volta.
	Poderamos ir para Four Oaks que  pertssimo. Estaria perto de Rosa. Seria bom ter um quintal para Dorie. E eu poderia ter um escritrio, para quando quisesse trabalhar em casa.
 Tambm no sei como Dorie se adaptaria a uma mudana.
	Junto a ns, ela se ajustar bem  Nathan concluiu em tom firme.
	Deixe-me pensar um pouco sobre este assunto  ela pediu.
	Est na hora de cerrar as portas do passado, Beth. O apartamento tem muitas lembranas de Mark.
	Este apartamento tem sido meu lar por muitos anos. No  assim fcil fechar uma porta e abrir outra.
	Mas deveria ser  ele falou baixinho.
	...cabou, papai?  Dorie perguntou.
Ao ouvi-la dizer papai, Nathan e Beth entreolharam-se assombrados.
	Ela me chamou de papai  Nathan falou com a voz embargada pela emoo.
	Era uma questo de tempo. Ela ouve as outras crianas falarem papai e mame. logo... foi uma concluso lgica. Dorie  uma menina inteligente, voc sabe.
	Sim. Mas qual foi a sua reao a ela ter me chamado assim?
	Se ns somos mesmo uma famlia, acho certo.
	Mas Mark  o pai dela  Nathan queria deixar aquela questo resolvida naquele momento.
	Sim, ele   concordou Beth.  E um dia eu contarei a ela tudo sobre Mark. Mas  voc quem l histrias para ela  noite, quem a empurra no balano, quem lhe d comida, carinho e ateno. Levando tudo isto em conta, voc tambm  pai dela, sim.
Nathan enlaou a cintura de Beth e ficou observando Dorie com olhar afetuoso. Foi ento que Beth pensou que talvez fosse melhor mudarem-se para um lugar maior.
Nathan no conseguia esconder sua satisfao e enquanto atendia um cliente na loja, assobiava uma melodia alegre e romntica.
Beth concordara em olhar apartamentos maiores. Mas, a maioria dos apartamentos no tinha rea de lazer para crianas. Ento, ele convencera-a a olhar casas tambm. Naquela noite iam dar umas voltas de carro e escolher um novo bairro. Talvez pudessem at construir uma casa. Levaria mais tempo, mas teriam exatamente o que precisavam.
Na noite anterior, quando Dorie chamara-o de pai, Nathan sentira-se feliz e realizado como nunca em sua vida. Se Beth conseguisse desfazer-se por completo do passado com Mark, confiar em seu novo casamento e no futuro...
A campainha soou, anunciando a entrada de outro cliente. Nathan franziu o cenho. Era Ivan Warren. O que ele queria?
Ivan aproximou-se com um sorriso. Nathan encarou-o com desconfiana.
	Boa tarde, Maxwell. Voc teria um lugar onde pudssemos conversar com privacidade?
Nathan no tinha vontade de falar com o homem e farejava confuso, mas achou mais apropriado atend-lo.
	Podemos conversar no meu escritrio.
Ao chegarem  sala, Nathan perguntou;
	O que posso fazer pelo senhor?
	No. Acho que  o contrrio. Acho que posso fazer um favor para voc que ser bom para ns dois.
O sogro de Beth abriu um envelope, tirou uma fotografia e colocou-a sobre a mesa.
Nathan olhou a foto por um instante. Era um instantneo com ele e Elaine no restaurante, onde haviam se encontrado.
	O que  que isto tem a ver conosco?  Nathan perguntou, surpreso.
	E sua ex-esposa, no ?
	Sim  Nathan assentiu com raiva se acumulando dentro dele.
	Parece-me que vocs dois so ainda muito ntimos. Escondidos atrs de palmeiras. Esta foto  para prepar-lo para a segunda foto.
E Ivan mostrou a outra fotografia.
Vendo a foto, ficou claro que Ivan no suspendera os servios de seu detetive particular.
Nathan e Beth estiveram to absorvidos um pelo outro que nem repararam se ainda estavam sendo observados ou no. Acreditaram que Ivan tinha desistido de suas intenes depois do fim de semana nas montanhas.
Examinando a foto que mostrava-o sentado na beira do sof, na noite anterior  festa de Jeff. Nathan teve vontade de esmurrar Ivan.
Tivera a coragem de fotograf-lo dentro de casa.
Que vontade de dar uma lio naquele homem arrogante.
Mas no pretendia responder a nenhum processo por agresso.
 O que deseja, sr. Warren?  perguntou.
	Como eu disse, estou aqui para falar a respeito do que voc quer. Eu no acho que esteja muito feliz com este casamento.
Principalmente se ainda almoa com sua ex-esposa e se passa as noites em um sof. Ento, tenho uma proposta a fazer.
Nathan esperou.
Ivan tirou algo do envelope e colocou sobre as fotos. Ao ver o que era, Nathan no pde acreditar nos prprios olhos. Era um cheque, assinado por Ivan. Quinhentos mil dlares!
	O que est pensando em comprar com este cheque?  Nathan perguntou.
	Um divrcio. Voc se divorcia de Beth, e ela perde a guarda de minha neta. Dorie no  sua filha, ento voc no tem nada a perder. Beth teria que voltar a trabalhar e assim ganharamos a questo.
	Voc acha que sou o tipo de homem que aceitaria um cheque como este?  Nathan procurou ocultar toda a emoo na sua voz.
	Eu acredito que nenhuma pessoa em seu juzo perfeito rejeitaria meio milho de dlares.
A ira cegou Nathan, quase fazendo-o cometer uma loucura. Como aquele homem podia fazer tal coisa a Beth e  neta? Mas, no iria deixar a raiva domin-lo. Nenhum dinheiro do mundo podia separ-lo daquelas duas criaturas que significavam tudo para ele.
Contudo, precisava ser esperto. Se entrasse no jogo de Ivan Warren, talvez conseguisse, de uma vez por todas, acabar com aquela pretenso.
Nathan pegou o cheque e olhou-o como que fascinado.
	Sua oferta  tentadora  ele disse.  Quinhentos mil dlares investidos apropriadamente poderiam dar-me segurana para toda a vida. Mas preciso de tempo para pensar.
	Tudo bem. Dou-lhe vinte e quatro horas. Deixo o cheque com voc. Meu banco tem ordem de no pag-lo sem minha autorizao. Pense no que pode fazer com este dinheiro. Passarei por aqui amanh  mesma hora.  Ivan dirigiu-se para a sada.  Pense nisto enquanto decide, Maxwell.
Nathan observou Ivan sair da loja e depois telefonou para o advogado de Beth.
Beth estava junto  pia da cozinha, preparando algo para o jantar. Queria adiantar tudo para que quando Nathan chegasse, tivessem tempo de procurar casas  venda. A medida que se acostumava  ideia de mudar-se, comeava a ficar excitada com a possibilidade de ter um espao maior, de fazer uma decorao diferente, de um quintal para Dorie.
A campainha da porta tocou e quando atendeu, deparou-se com Ivan Warren.
Ela havia discutido com Clara uma maneira de acertarem horas para os avs ficarem algum tempo com Dorie. Talvez Ivan viesse falar a respeito.
Beth abriu a porta.
	Ol, Ivan, Clara no est com voc?
	No. Para o assunto que vou tratar, ela no precisa estar presente.
Um arrepio percorreu Beth, mas ela disse a si mesma para no ser to medrosa e pessimista.
	Dorie est l dentro.
	Eu no vim ver Dorie. Terei esta oportunidade muito, breve e sem limites de horrios.
O medo apertou o corao de Beth, e ela desejou que Nathan estivesse ao seu lado.
	O que est acontecendo, Ivan? No acha que j prejudicou nossas vidas o suficiente?
	Voc sempre foi muito intransigente, Beth. Foi voc quem tirou Mark de ns. Encheu a cabea dele com histrias de independncia. Ele tinha responsabilidades para comigo, para com meus negcios, onde pus sangue e suor toda a minha vida.
Beth no sabia que Ivan a responsabilizava pelo afastamento de Mark. Aquilo era uma injustia.
	Mark fez suas prprias escolhas. Eu apenas dei suporte aos sonhos dele. Se voc tivesse feito o mesmo, em vez de lutar contra ele, no teria perdido seu filho. No me culpe pelo afastamento de Mark e pelo seu fracasso como pai.
Ivan ficou rubro.
	Escute, Mark era meu filho, e eu tinha direito de dizer-lhe o que fazer. Ele poderia ter sido riqussimo. Eu apenas subestimei sua influncia sobre ele. O amor deixou-o tolo.
	Mark j queria deixar seus negcios e ser professor, quan do o conheci.
	Eu poderia ter tirado esta tolice da cabea dele, se no fosse por voc.
Beth poderia argumentar com ele o resto do dia. No adiantaria nada.
	Desculpe-me, Ivan. Estou preparando o jantar. E Nathan e eu...
Ele a interrompeu:
	No h mais Nathan e voc.
As mos de Beth ficaram geladas.
	Por que est dizendo isto? Do que est falando? Estamos casados. Temos uma vida em comum.
	No mais. Nathan no  como o meu filho. Ele  um homem prtico. Pediu-me tempo para considerar uma oferta que lhe fiz. Se ele se divorciar, eu lhe darei quinhentos mil dlares. Ele gostou e aceitou a ideia.
	No!
	Parece que Maxwell no quer desistir dos seus sonhos de riqueza por voc.
	Nathan nunca...
	Nathan pegou o meu cheque. Talvez ele at mostre-o para voc. Ou talvez ele apenas pea o divrcio, sem lhe falar da minha proposta.  o que voc merece por ter aceitado este casamento ridculo. Meu detetive particular  bom. Voc casou com um estranho, Beth. Um estranho! Como pde pensar que daria certo?
O corao de Beth doa tanto que ela nem podia falar, para defender-se ou defender Nathan.
	Sinto muito por voc, Beth. Se voc se comportar e no lutar contra ns, ns lhe daremos o direito de visitar Dorie. Mas, se mover qualquer ao contra ns...
Ivan nem acabou a frase e dirigiu-se para a porta. As pernas de Beth tremeram, e ela sentou-se, mas logo em seguida correu para a cozinha e tomou Dorie no colo e apertou-a com fora.
Pensamentos terrveis cruzavam-lhe a mente. Nathan no poderia t-la trado daquela forma.
"Quinhentos mil dlares", uma voz falou dentro dela.
	No!  ela gritou.
"Ele nunca disse que a amava".
	No!
Casara com um estranho e agora teria de sofrer as consequncias.
Nathan geralmente chegava em casa s seis horas, mas j passavam das sete horas, e ele no havia chegado. Nem um telefonema. Ele costumava ligar quando ia se atrasar. Talvez estivesse em algum hotel. Talvez estivesse planejando a melhor maneira de pedir um divrcio.
Beth pedira a Rosa para olhar Dorie, sem explicar o motivo. Apenas disse que a buscaria mais tarde.
Suas emoes alternavam-se entre dor e raiva. Um sentimento de desespero quase a enlouquecia. Contudo, achava que independente do que acontecesse com seu casamento, ela conservaria Dorie.
No poderia competir com quinhentos mil dlares, mas se significasse alguma coisa para Nathan, talvez pudesse convenc-lo a conter Ivan at ela fugir para outro lugar com a filha.
Precisava permanecer calma, com os pensamentos claros. No podia deixar-se levar pelas emoes.
Quando a porta da frente finalmente se abriu, seu corao sobressaltou-se. Ela olhou para Nathan e soube que no conseguiria continuar calma.
Nathan parou ao v-la.
No conseguindo conter-se e sem esperar que ele falasse, ela disse quase chorando:
 Sei que quer o divrcio, Nathan. Quinhentos mil dlares  muito dinheiro. Mas voc poderia pelo menos esperar at que eu possa pensar numa forma segura de fugir com Dorie?

CAPITULO X

Eu devia ter imaginado  Nathan dis-se com voz dura.  Ivan trouxe seu veneno aqui, e voc bebeu tudo sem pensar. Ou melhor, sempre pronta para pensar o pior de mim. Beth tremia dos ps  cabea.
	Ivan disse que voc era um homem prtico, com sonhos de tornar-se rico e que no iria recusar o dinheiro.
	Sim, tenho sonhos. Mas eles no tem nada a ver com os quinhentos mil dlares do seu sogro.
	Mas voc aceitou o cheque dele  ela quase gritou.
	Que droga, Beth! Por que no reflete um pouco? Sempre acredita no pior. Que tipo de homem pensa que sou? Ainda no aprendeu nada sobre mim? Voc no entende que a famlia significa mais para mim do que qualquer quantia em dinheiro? Do que qualquer outra coisa?
O que Nathan estava dizendo? Beth no entendia. Ivan deixara claro que aceitara a oferta do cheque e que at ficara satisfeito.
Ivan era o mestre da manipulao.
	Voc no aceitou o cheque?  ela perguntou.
A expresso no rosto de Nathan era sombria.
	Oh, sim! Peguei o cheque. Para mostr-lo ao seu advogado. Estou vindo de l agora. Beth, queria ter certeza de que as ameaas de Ivan no lhe tirariam o sono. Voc sabe, juizes odeiam chantagistas. Ele pode no se sair bem desta vez.
Beth sentiu um arrepio, temia ter cometido um terrvel engano.
	Ivan disse que voc ia se divorciar de mim e que ele e Clara levariam Dorie. Eu pensei...
Os olhos verdes de Nathan brilhavam de indignao e olhavam para ela como se no a conhecessem. Havia fria em sua voz quando ele disse:
	Pensou mal. O que aconteceu com tudo que vivemos neste ltimo ms? O que aconteceu com as promessas? Voc acha que eu as quebraria por causa de um cheque de Ivan?
	Nathan, desculpe! Eu...
Ele ergueu a mo para faz-la calar.
	Como podemos manter este casamento se voc no confia em mim? Se acredita mais na palavra de Ivan do que na minha?
Beth precisava faz-lo entender porque duvidara dele.
	Voc no me contou sobre seu casamento com Elaine e isto abalou minha confiana. Se pde guardar segredo de uma coisa to importante...
Interrompendo-a, ele vociferou.
	Mas eu lhe contei. Talvez devesse ter falado antes, mas, j lhe disse, tive medo de perder vocs duas.
Nathan estava certo. Ele contara. E se ele no queria perd-la... queria dizer...
Sacudindo a cabea, ele prosseguiu:
	O problema  que voc nunca foi minha. Voc ainda pertence a Mark. Dorie aceitou-me como seu pai, mas no creio que voc me tenha aceitado como seu marido. Ns erramos em insistir neste casamento.  preciso muito mais para um casamento ser bem-sucedido.
Por um instante, ele visualizou, no rosto de Beth, a dor da desiluso, a tristeza, a perda. Virando-se, saiu da sala e fechou a porta atrs de si, deixando um silncio que trouxe lgrimas aos olhos de Beth e uma incrvel dor ao seu corao.
Afundando no sof, ela esperou que o choque daquelas ltimas horas passasse. Com o rosto escondido nas mos, chorou e chorou. Pensou ter cometido o maior erro de sua vida.
Nathan ficou surpreso quando estacionou em frente  casa de Gavin. Fora l automaticamente. O prprio Gavin atendeu  porta.
	Oh! Nathan, o que aconteceu?
Nathan explodiu.
	Cheguei ao limite, Gavin, foi isto que aconteceu.
	Quer um usque?  Gavin ofereceu.
	No.  Nathan andava agora de um lado para o outro na sala.  No consigo aceitar que Beth tenha acreditado que eu tivesse aceito o cheque de Ivan e aquele suborno asqueroso.
	Explique-se melhor, no entendi nada.
Ivan Warren ofereceu-me quinhentos mil dlares para divorciar-me de Beth. Ele lhe fez uma visitinha e contou que aceitei o suborno. E ela acreditou. Acreditou!
Gavin ergueu as sobrancelhas.
	Vocs tm vivido situaes difceis neste casamento.
Nathan nunca discutira com Gavin o que acontecera entre ele e Beth, mas aparentemente seu amigo percebera a tenso entre os dois.
	Eu pensei que superaramos. Pensei...
As mulheres nunca esquecem nada. Pelo menos, Jessie  assim. Diga-me uma coisa. Porque acha que Beth acreditou no sogro?
	Por que no confia em mim. No sei se ela quer mesmo estar casada comigo. Acho que ainda est muito ligada ao falecido marido.
	No conheo Beth to bem quanto Jessie a conhece, mas pelo que tenho observado e pelo que Jessie diz, Beth no  o tipo de pessoa que fica se lamentando pelo passado. Parece que ela quer uma vida nova. Diga-me uma coisa. Voc a ama?
Fazia anos que Nathan no dava nenhuma ateno quela palavra. Como criana tivera muito pouco. Pensou amar Elaine e ser amado. Mas o que aquele amor significava? Nada. Ela o abandonara na primeira dificuldade.
Nathan decidira que a camaradagem, a compreenso, o desejo fsico eram mais confiveis. Eram mais concretos.
Contudo, pensando sobre o desejo, o carinho, a necessidade de sentir-se parte dela, tudo aquilo revelava um sentimento maior.
	Sim, eu a amo  ele admitiu para Gavin e para si prprio.
	E Beth sabe disto? J lhe disse?
De repente, ele compreendeu por que Gavin perguntava aquilo. Podia existir uma boa razo para as dvidas de Beth. Nathan jamais pusera seus sentimentos em palavras. Sim, j dissera como a queria. Queria seus beijos, suas carcias, seu corpo, mas agora sabia que queria mais. Queria seus pensamentos, seu esprito, uma vida com ela que durasse para sempre. Queria seu amor. Amava-a.
Era to grande que doa pensar em viver sem ele.
Ser que Beth pensava que ele s queria sexo? Com certeza, pois como podia saber que a amava se nunca lhe dissera? Como podia confiar nele, se ele no se abria com ela.
Beth aceitara-o em sua vida, casando-se com ele, convidando-o para sua cama, confiando-lhe Dorie e... perdoando-lhe.
Mas ela tambm no dissera: "eu te amo". Contudo sentia seu amor, quando ela o recebia em casa com um abrao e um beijo. Quando acordava do lado dele com um sorriso e um olhar terno. Quando o recebia dentro de seu corpo e o enlaava.
Com um sobressalto, Nathan compreendeu que as dvidas de Beth originavam-se da inabilidade dele de falar de seu amor.
	Ela no sabe que eu a amo. Eu no percebi...
	Bem, voc precisa dizer estas palavras.
	Sim.
Quando comeou a anoitecer, Beth enxugou as lgrimas. Aps a morte de Mark descobrira que chorar no o traria de volta. Ento concentrara-se em Dorie e em construir uma rotina afe-tuosa para as duas. Nunca esperara que algum como Nathan entrasse em sua vida, nunca imaginara apaixonar-se outra vez.
Mas, apaixonara-se. E criara uma grande confuso. No confiara em Nathan nem ao menos lhe dissera quanto o amava. Suas desconfianas haviam arruinado o relacionamento deles irrevogavelmente.
Nathan devia am-la, pensou. O episdio com Ivan provara isto. Talvez no houvesse se expressado com palavras, mas se no aceitara o suborno e ainda consultava um advogado para prevenir-se contra Ivan...  porque a amava.
A fotografia em que ela aparecia ao lado de Mark estava  sua frente. Pegando-a, olhou dentro dos olhos de seu primeiro marido.
	Talvez, Nathan esteja certo  ela falou.  Talvez ainda estivesse muito presa a voc. Mas agora acabou mesmo. Nathan me ama, e eu vou dar-lhe todo o meu amor. No esquecerei voc, mas amo Nathan agora. Espero que compreenda, Mark.
Beth costumava falar com o marido morto, desabafando sua dor e solido. Mas como poderia saber que ele a escutava? Foi ento que de repente todo seu desespero se converteu numa paz deliciosa que a invadiu, deixando-a com a sensao de flutuar. Esperou at a sensao desaparecer.
Iria convencer Nathan de seu amor.
Quando Beth entrou no carro, lembrou-se de que no sabia onde Nathan fora. Podia procur-lo em alguns lugares que conhecia. Mas, e se no o encontrasse?
No desistiria de ach-lo at poder enlaar-lhe o pescoo e dizer-lhe que confiava nele e o amava.
Primeiro Beth foi  loja de Nathan e soube que ele no estava l. Seu destino seguinte foi a casa de Gavin e Jessie. Ao ver o carro de Nathan, suspirou de alvio.
Antes mesmo de Beth bater  porta, Gavin abriu-a com um ar muito srio.
	Estou procurando Nathan  ela disse sem prembulos.
	Est l  Gavin apontou em direo  cozinha. Vou ficar no quintal e avisar Jessie para ningum incomod-los at que tenham discutido todas as suas diferenas.
	Obrigado, Gavin.
As mos de Beth estavam geladas, e seu corao batia des-compassadamente ao dirigir-se  cozinha. Quando Nathan a viu, ergueu-se e franziu o cenho. Temendo que ele no quisesse ouvi-la, Beth comeou a falar s pressas.
	Nathan, desculpe, sei que isto no quer dizer muito, mas espero que signifique mais se eu disser que te amo e quero passar o resto da minha vida ao seu lado. No sei se pode perdoar minha falta de confiana, mas...
Nathan segurou-lhe os ombros.
	Fale devagar. No estou indo a lugar algum.
As palavras dele a tranquilizaram um pouco, mas ainda no sabia se ele queria dizer naquele momento ou para sempre.
	Pensei que voc quisesse ir embora. Tive medo de que no me quisesse mais. Queria ter uma nova chance, se puder perdoar-me...
Ele a olhou profundamente.
	No h nada para perdoar. Tenho sido um idiota. Primeiro por no lhe falar sobre Elaine e eu. Tive medo de que achasse que eu no era um homem completo.
	Est tudo bem. Entendi isto  ela disse com suavidade.
	No est tudo bem. Voc me perdoou. Quando vi que voc tinha acreditado em Ivan, eu no devia ter ficado to furioso. A culpa foi minha se duvidou de meu compromisso. Desde o dia que nos encontramos tenho sentido este tumulto de sentimento por voc. Achei que era desejo fsico, porque tinha medo de dizer amor. Eu te amo, Beth Maxwell. E voc no tem que se preocupar em me perder, nunca, porque estou onde quero estar e casado com voc.
Ela o olhou apaixonadamente.
Nathan abraou-a e beijou-a com sofreguido, todo o seu sentimento demonstrado naquele gesto de amor.
Com um gemido, ele interrompeu o beijo.
	E melhor irmos para casa  ele disse, com voz rouca de paixo e tomando-lhe a mo beijou-lhe a palma.
	Esta noite poderemos celebrar nosso amor.

EPLOGO

Catorze meses mais tarde.

Quando Beth acordou no dia de Ao de Graas, o sol j entrava pelas persianas. O lado de Nathan estavsTvazio.
"Nosso primeiro dia na casa nova, e eu dormi demais", ela pensou.
Levantando-se, foi ao quarto de Dorie. A caminha da menina tambm estava vazia. Beth sorriu. Nathan devia estar com ela. Os dois se adoravam. Beth vestiu-se e penteava os cabelos quando o telefone tocou. Com uma careta, atendeu o primeiro telefonema na casa nova.
	Beth?  dr. Rathenburg.
Beth estivera no ginecologista alguns dias antes. Estava com a menstruao atrasada. Antes de dizer qualquer coisa a Nathan, queria ter certeza. Ambos tinham estado to ocupados com a mudana e tinham corrido tanto para estarem na casa nova no dia de Ao de Graas, que aquilo tudo poderia ter atrasado seu perodo.
	Apesar do feriado  o mdico continuou , queria lhe dar a notcia para que ficasse ainda mais feliz hoje. Voc est grvida.
Depois de ouvir aquelas palavras, Beth no saberia dizer sobre o que mais falaram. Tudo que queria era ir ao encontro de Nathan e dar-lhe a notcia.
Aps desligar o aparelho, Beth procurou de quarto em quarto no andar trreo, mas no encontrou ningum.
Nathan estava no terrao que dava para o enorme quintal arborizado. Dorie brincava com Buffer, o cachorrinho poodle que lhe deram quando completara trs anos.
Beth abraou Nathan pelas costas.
	Bom dia  disse.  Por que no me acordou?
	Achei que precisava descansar. Fomos dormir to tarde ontem.
Ela sorriu, misteriosa.
	Bem,  melhor que eu durma bastante agora, pois daqui a oito meses no vou poder dormir muito.
Foram precisos alguns minutos para Nathan compreender o significado do sorriso e das palavras dela. Quando ele as apreendeu, tomou o rosto de Beth entre as mos.
	Voc est grvida?  isto que quer dizer?
	Sim, meu mdico acabou de me dar a notcia. Ns estamos grvidos  ela riu.
Com um grito de prazer, Nathan tomou-a nos braos.
	Est feliz?  ele perguntou.
	Muito, muito. E voc?
	Mais que feliz. Estou... Bem, gostaria de lhe mostrar como me sinto, mas agora Dorie precisa de algum para olhar por ela. 
	Estou louca para contar a novidade para todos os amigos.
	Para Jessie e Gavin?
	Sim, e para Cade, Jeff e Rosa. Estou to feliz que quero dividir minha felicidade com todo o mundo. At com Clara e Ivan.
Aps a oferta de suborno de Ivan, Clara havia chamado Beth e lhe contara que ameaara Ivan com o divrcio, caso ele se intrometesse na vida da ex-nora outra vez.
Aps um tempo, Nathan e Beth acharam que no seria justo privar Dorie de seus avs. Assim, Beth chamara Clara para ver a neta e agora aquelas visitas tornaram-se rotineiras. Aps algumas semanas, com a permisso de Beth, Ivan tambm veio.
	No me incomodo que conte a Clara  Nathan disse.  Nem mesmo a Ivan.
	Talvez no Natal possamos convidar todos os nossos amigos para celebrarem aqui em casa.
	Seria maravilhoso. A inaugurao oficial da nossa casa no Natal. No h poca mais linda.
Nathan beijou-a longamente. Tinham uma vida plena de amor e agora j nada mais lhes faltava.

FIM
